Com injeções
de investimentos, Macau e Cidade do Panamá renascem e se tornam centros
de lazer e turismo
Há cidades
que nascem duas vezes. Bilbao, na Espanha, era um pólo industrial decadente
até que uma filial do Museu Guggenheim passou a atrair para suas ruas enxames
de turistas. Dresden, um dos principais centros culturais europeus, foi abaixo
durante a II Guerra e, depois, reconstruída. Nos últimos anos, duas
cidades antes feiosas e sem atrativos passaram a surpreender os visitantes pela
pujança que adquiriram: Cidade do Panamá, a capital do país
homônimo, no Caribe, e Macau, na China. Impulsionadas por grandes investimentos,
ambas se reinventaram e descobriram nova vocação como centros de
turismo e lazer. A transformação do Panamá é resultado
da estabilidade política que se instaurou no país após a
deposição do ditador Manuel Noriega, em 1989. Até então,
o Panamá era conhecido como uma das principais rotas de lavagem de dinheiro
dos cartéis de drogas da Colômbia, país com o qual Noriega
mantinha relações estreitas. Uma década depois, quando os
Estados Unidos devolveram o controle do Canal do Panamá ao governo local,
o país iniciou um processo intenso de privatizações, atraindo
capital estrangeiro de diversas partes do mundo.
Sem o controle americano no Canal do Panamá, temia-se que o país
enfrentasse incertezas econômicas, mas o que se viu foi justamente o contrário.
Com uma economia totalmente dolarizada e níveis baixos de inflação,
o Panamá se tornou um bom lugar para investir e logo atraiu bancos estrangeiros.
O resultado está estampado na capital do país. Bairros antigos,
como Casco Viejo, foram recuperados e hoje abrigam bares e restaurantes da moda.
Condomínios luxuosos ocupam a orla marítima e as partes altas da
cidade. Boa parte deles é ocupada por aposentados americanos, que pagam
por um imóvel com vista espetacular metade do preço que pagariam
em Miami e ainda têm isenção do IPTU por vinte anos.
O mais imponente símbolo do boom de construções na capital
panamenha é o Trump Ocean Club, empreendimento do magnata Donald Trump
que será concluído em 2009. Seu estilo arquitetônico lembra
o extravagante hotel Burj Al Arab, de Dubai, que tem o formato de uma vela de
barco. O projeto inclui hotel, escritórios, cassino, marina, praia privada
e um condomínio residencial de luxo.
Macau permaneceu como possessão portuguesa durante quatro séculos.
Em 1999, foi entregue aos chineses e transformada em região administrativa
especial, a exemplo de Hong Kong. Isso significa que, em parte, a cidade se rege
por leis próprias. Na China, os cassinos são proibidos. Em Macau,
eles bancaram o esplendor adquirido nos últimos anos. Até 2002,
as casas de jogatina pertenciam a um único empresário. Com o fim
do monopólio, grupos americanos ergueram na cidade cassinos modernos e
suntuosos, inclusive o maior do mundo, o Sands. Os ricos da China e de Hong Kong
passaram a acorrer em massa aos cassinos de Macau, injetando somas formidáveis
na economia local. Neste ano será inaugurado o Venetian, com 3 000 apartamentos
anexos ao cassino. O empresário Richard Branson, do grupo Virgin, já
anunciou a construção de um complexo de 3 bilhões de dólares
com sua marca. No ano passado, o jogo em Macau movimentou 7 bilhões de
dólares, superando a receita de Las Vegas. A administração
local passou a restaurar as construções feitas pelos portugueses,
como igrejas, fortes, teatros e museus, antes abandonadas. Aterraram-se 10 quilômetros
quadrados do litoral para expandir a cidade. Hoje, Macau seduz pela mistura das
relíquias arquitetônicas com novas construções feéricas
e espalhafatosas, típicas dos grandes cassinos americanos. Dessa forma,
assim como Cidade do Panamá, renasceu e garantiu seu ingresso no circuito
turístico internacional.
Panamá
Número
de visitantes estrangeiros em 2005: 720 000 42%
mais do que em 2001 A cidade atrai cada vez mais turistas americanos
Macau
Número de
turistas estrangeiros em 2006: 22 MILHÕES 4 VEZES mais que
o Brasil A grande atração são os cassinos