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Edição 2003

11 de abril de 2007
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Cidades
Beleza que espanta o passado

Com injeções de investimentos, Macau e Cidade do Panamá
renascem e se tornam centros de lazer e turismo

Há cidades que nascem duas vezes. Bilbao, na Espanha, era um pólo industrial decadente até que uma filial do Museu Guggenheim passou a atrair para suas ruas enxames de turistas. Dresden, um dos principais centros culturais europeus, foi abaixo durante a II Guerra e, depois, reconstruída. Nos últimos anos, duas cidades antes feiosas e sem atrativos passaram a surpreender os visitantes pela pujança que adquiriram: Cidade do Panamá, a capital do país homônimo, no Caribe, e Macau, na China. Impulsionadas por grandes investimentos, ambas se reinventaram e descobriram nova vocação como centros de turismo e lazer. A transformação do Panamá é resultado da estabilidade política que se instaurou no país após a deposição do ditador Manuel Noriega, em 1989. Até então, o Panamá era conhecido como uma das principais rotas de lavagem de dinheiro dos cartéis de drogas da Colômbia, país com o qual Noriega mantinha relações estreitas. Uma década depois, quando os Estados Unidos devolveram o controle do Canal do Panamá ao governo local, o país iniciou um processo intenso de privatizações, atraindo capital estrangeiro de diversas partes do mundo.

Sem o controle americano no Canal do Panamá, temia-se que o país enfrentasse incertezas econômicas, mas o que se viu foi justamente o contrário. Com uma economia totalmente dolarizada e níveis baixos de inflação, o Panamá se tornou um bom lugar para investir e logo atraiu bancos estrangeiros. O resultado está estampado na capital do país. Bairros antigos, como Casco Viejo, foram recuperados e hoje abrigam bares e restaurantes da moda. Condomínios luxuosos ocupam a orla marítima e as partes altas da cidade. Boa parte deles é ocupada por aposentados americanos, que pagam por um imóvel com vista espetacular metade do preço que pagariam em Miami – e ainda têm isenção do IPTU por vinte anos. O mais imponente símbolo do boom de construções na capital panamenha é o Trump Ocean Club, empreendimento do magnata Donald Trump que será concluído em 2009. Seu estilo arquitetônico lembra o extravagante hotel Burj Al Arab, de Dubai, que tem o formato de uma vela de barco. O projeto inclui hotel, escritórios, cassino, marina, praia privada e um condomínio residencial de luxo.

Macau permaneceu como possessão portuguesa durante quatro séculos. Em 1999, foi entregue aos chineses e transformada em região administrativa especial, a exemplo de Hong Kong. Isso significa que, em parte, a cidade se rege por leis próprias. Na China, os cassinos são proibidos. Em Macau, eles bancaram o esplendor adquirido nos últimos anos. Até 2002, as casas de jogatina pertenciam a um único empresário. Com o fim do monopólio, grupos americanos ergueram na cidade cassinos modernos e suntuosos, inclusive o maior do mundo, o Sands. Os ricos da China e de Hong Kong passaram a acorrer em massa aos cassinos de Macau, injetando somas formidáveis na economia local. Neste ano será inaugurado o Venetian, com 3 000 apartamentos anexos ao cassino. O empresário Richard Branson, do grupo Virgin, já anunciou a construção de um complexo de 3 bilhões de dólares com sua marca. No ano passado, o jogo em Macau movimentou 7 bilhões de dólares, superando a receita de Las Vegas. A administração local passou a restaurar as construções feitas pelos portugueses, como igrejas, fortes, teatros e museus, antes abandonadas. Aterraram-se 10 quilômetros quadrados do litoral para expandir a cidade. Hoje, Macau seduz pela mistura das relíquias arquitetônicas com novas construções feéricas e espalhafatosas, típicas dos grandes cassinos americanos. Dessa forma, assim como Cidade do Panamá, renasceu e garantiu seu ingresso no circuito turístico internacional.

 

Panamá  

Número de visitantes estrangeiros em 2005: 720 000
42% mais do que em 2001
A cidade atrai cada vez mais turistas americanos

Macau  

Número de turistas estrangeiros em 2006: 22 MILHÕES
4 VEZES mais que o Brasil
A grande atração são os cassinos

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