A devastação
no Acre, durante a gestão de Jorge Viana, foi maior do que se pensava
Leonardo
Coutinho
Antonio
Milena
Queimada
em Rio Branco: os petistas fingem que não há risco ao ambiente
O petista Jorge Viana governou o Acre por oito anos, de 1999 a 2006. Logo que
chegou ao poder, percebeu que o discurso ambiental poderia lhe render projeção
nacional e batizou sua gestão de "governo da floresta". No segundo ano
de mandato, passou a alardear que havia contido o desmatamento em seu estado.
Tornou-se um dos astros do petismo e aproximou-se do presidente Lula. Seu peso
político aumentou tanto que, agora, mesmo sem mandato, disputa com José
Sarney e Jader Barbalho quem apadrinhará o próximo superintendente
da Sudam, a Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia. A
imagem de Viana como protetor da natureza, no entanto, está tão
ameaçada quanto a mata que ele diz defender. VEJA teve acesso a um estudo
encomendado pelo próprio petista que mostra que, nos seis primeiros anos
de sua gestão, a velocidade do desmatamento no Acre triplicou e chegou
à marca de 995 quilômetros quadrados em 2004. É como se uma
área de floresta do tamanho de catorze campos de futebol fosse derrubada
por hora. Pior: o estudo, feito pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia
(Imazon), revela ainda que, de todo o desmatamento do Acre, cerca de um terço
ocorreu durante a administração de Viana. O então governador
recebeu as conclusões do estudo em agosto do ano passado e as escondeu.
André
Dusek/AE
Viana:
bom de conversa, mas ruim de serviço
Em setembro de 2003, VEJA já havia informado que a devastação
no estado aumentara no governo do PT. Viana se esforçou para desqualificar
a reportagem. Alegou que os números apresentados estavam errados e escalou
jornalistas pagos com dinheiro público para replicar sua defesa pelo país.
Em seu estado, usou dinheiro do Erário para atacar VEJA nos jornais e TV
locais. "No meu governo, o desmatamento só cai", jurava ele. Poderia ter-se
poupado. O estudo do Imazon, feito com base em imagens de satélite, tem
um grau de precisão inédito no país e confirma o diagnóstico
da destruição. No Acre, entretanto, Viana mantém sua boa
imagem, principalmente entre os onguistas. Sintomático. Lá, nem
os "povos da floresta" andam preocupados em manter as árvores em pé.
No seringal Nova Esperança, em Xapuri, 36% da floresta dentro de sua área
foi destruída. A Reserva Extrativista Chico Mendes está salpicada
de pastagens. Fatos assim mostram que a falta de avaliações isentas
e sem romantismo ameaça tanto a preservação ambiental quanto
o crescimento econômico em um estado que já perdeu 11% de suas florestas
e continua a ostentar alguns dos piores indicadores sociais do país.