Schelp,
no Ártico (à esq.), e Rafael, na Antártica: sinal
de perigo nas calotas polares
Vistas
do espaço, as duas calotas polares adornam a Terra dando ao seu azul predominante
um tom mais pálido que confere ao planeta sua tão típica
aparência de fragilidade. O decorativo, porém, é o papel menos
vital dos pólos. Seus vastos depósitos de gelo funcionam como eficientes
trocadores de calor, refrigerando correntes marítimas e atmosféricas.
Essa interação determina o clima de vastas áreas continentais
e dela depende a sobrevivência de centenas de milhares de espécies,
entre as quais aquela que se considera a mais especial, a humana. Desde que se
tornou uma quase-unanimidade a tese de que o aquecimento global saiu de controle,
os pólos passaram a chamar ainda mais atenção. Seja qual
for o grau de catástrofe que o futuro do clima reserve para o planeta,
os primeiros sinais de perigo virão de lá.
Para saber dos cientistas que lá trabalham que sinais são esses,
VEJA mandou os jornalistas Rafael Corrêa à Antártica e Diogo
Schelp ao Ártico. Rafael atravessou a lendariamente terrível Passagem
de Drake com suas ondas de 7 metros de altura antes de poder vislumbrar a paisagem
de verão na Península Antártica. "Os tufos de grama onde
antes havia somente gelo são apenas os sintomas mais visíveis das
alterações climáticas em curso", diz Rafael. Três dias
de viagem e cinco pernas de vôo levaram Diogo Schelp à Ny-Ålesund,
a estação científica com população permanente
mais próxima do Pólo Norte. A base fica no Arquipélago de
Svalbard, na Noruega.
"Todos
os cientistas, sejam biólogos ou glaciologistas, estão fazendo pesquisas
sobre os efeitos do aquecimento global. Não existe outro assunto para eles",
diz Schelp, que ficou uma semana na base norueguesa. Como é comum nessas
paragens insólitas, teve de trabalhar junto com os pesquisadores. Schelp
acompanhava o trabalho de campo de uma equipe alemã que estuda os danos
ao permafrost, a camada de terra permanentemente gelada da região,
quando lhe entregaram uma pá especial. Com ela, Schelp ajudou a cavar uma
vala de 100 metros de comprimento por onde corre hoje um cabo para os sensores
instalados pelos alemães. Além da reportagem escrita, Schelp produziu,
a 15 graus abaixo de zero, dois vídeos sobre a vida e o trabalho dos cientistas
em Ny-Ålesund. Eles podem ser vistos em www.veja.com.br.