Passado
a limpo
Encontrando
Forrester lembra
Gênio
Indomável, mas é melhor
Isabela
Boscov
Quatro
anos atrás, o diretor Gus Van Sant conseguiu um sucesso
inédito em sua carreira (e lançou a do astro
Matt Damon) com Gênio Indomável, sobre
um jovem excepcionalmente inteligente e problemático
que ganha o auxílio de um mentor. A trama de seu novo
filme, Encontrando Forrester (Finding Forrester,
Estados Unidos/Inglaterra, 2000), que estréia nesta
sexta-feira no país, lembra muito a do antecessor.
A não ser por alguns detalhes e eles fazem toda
a diferença. O novato Robert Brown, excelente, interpreta
um jovem negro e pobre que esconde de todos seu dom literário.
Prefere ser visto como um promissor jogador de basquete. Seu
segredo é descoberto por William Forrester (Sean Connery),
autor de um romance clássico que há décadas
vive em reclusão. A contragosto, ele ajuda o rapaz
a lapidar seu talento. Este, por sua vez, o estimula a aparar
as arestas de sua personalidade difícil. O arranjo
é salutar também para o espectador, que se livra
do lacrimoso Robin Williams para ficar com Connery. O filme
não é exatamente original, e às vezes
escorrega nos clichês edificantes. Mas evita os estereótipos
de raça ou idade e trata, com competência, do
imenso prazer de ensinar e aprender. Ao final, o efeito é
o de um rascunho passado a limpo.
|