NOTÍCIAS DIÁRIAS
 
Artes e Espetáculos Televisão

Esta semana
Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
As bandas das "garotas encrenqueiras"
Primeiros números de audiência da TV paga
Ana Maria Braga começa a acertar
Cecil Bem Demente, de John Waters
Deu a Louca nos Astros, de David Mamet
Encontrando Forrester, com Sean Connery
Abril Despedaçado, de Ismail Kadaré
Uma nova biografia de Karl Marx

Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Hora da verdade na TV paga

Os canais por assinatura agora têm
a audiência medida pelo Ibope

Marcelo Marthe

Desde que o Ibope começou a medir a audiência da televisão brasileira, na década de 50, seus índices tornaram-se uma arma vital para emissoras e anunciantes. Com base neles, decidem-se estratégias de publicidade e promovem-se mudanças na programação. Em mais de dez anos de existência no Brasil, a TV por assinatura nunca dispôs de um termômetro semelhante. Por isso, aguarda-se com interesse o anúncio dos resultados do novo serviço do Ibope para a TV paga, no próximo dia 16. VEJA obteve com exclusividade os números consolidados de março, o primeiro mês da medição oficial. Eles revelam muito sobre os hábitos do espectador e já causam rebuliço entre os profissionais que trabalham nesse meio.

Para aferir a audiência de setenta canais transmitidos por cabo ou antena parabólica no Brasil, o Ibope se concentrou nas classes A e B, que respondem por 81% dos 3,4 milhões de lares com TV por assinatura. Dos 400 domicílios que compõem o universo pesquisado, 250 encontram-se na cidade de São Paulo e 150 no Rio de Janeiro, já que os respectivos Estados detêm cerca de 40% dos assinantes de canais a cabo do país. Assim como na televisão tradicional, a audiência é medida em pontos. Só que, enquanto na TV aberta 1 ponto significa 74.000 domicílios, na paga ele equivale a 10.300 lares. A escala é completamente diferente, dadas as amplitudes dos dois universos. Um campeão de audiência da Rede Globo pode chegar a 50 pontos. Já o canal mais visto da TV por assinatura, o infantil Cartoon Network, reina do alto de mero 1,27 ponto. Mas, como o poder de compra dos assinantes é, na média, muito mais alto que o da massa de espectadores da TV aberta, qualquer fração reveste-se de importância comercial. "O mercado publicitário terá de aprender a pensar em públicos restritos, mas qualificados", diz Flávio Ferrari, diretor do Ibope.

A pesquisa revela que a maioria das pessoas que possuem cabo ou parabólica ainda prefere assistir aos canais abertos (veja quadro). "Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos, onde a TV por assinatura tem tanta força quanto as grandes redes, no Brasil ela tem sido uma opção complementar", constata o publicitário Daniel Barbará, que participou dos estudos para a criação do novo serviço. O país ainda engatinha no setor. Hoje, a TV paga está em cerca de 8% dos lares, contra uma média de 19% nos vizinhos da América Latina e 84% nos Estados Unidos. Mas o potencial de crescimento é imenso, e já se começa a notar mudanças de hábito causadas por ela. Nas residências onde há TV paga, o horário nobre se estende. Enquanto na televisão aberta o maior volume de espectadores se concentra entre as 8 e as 10 da noite – hora do Jornal Nacional e das novelas – , a curva de audiência da TV por assinatura atinge seu pico mais tarde, entre 21h30 e meia-noite. Nos finais de semana, quando cresce a procura pelas transmissões esportivas e por filmes, a média geral de audiência tem um aumento de 30%.

Um dado significativo é a força dos canais infantis. O segmento responde por um quarto da audiência da TV paga (veja quadro) e, na semana passada, foi ampliado com a estréia do Disney Channel Brasil, transmitido com exclusividade pela TVA e pela DirecTV. A maior parte da programação do Disney Channel é de desenhos e educativos, mas ela também contemplará os adolescentes, no fim da tarde, e os adultos, à noite. Uma curiosidade: os atuais campeões no segmento infantil, o Cartoon e a Fox Kids, devem seus índices às mesmas animações japonesas que duelam pela atenção da garotada na TV aberta. O primeiro tem os monstrengos do Pokémon como carro-chefe; o segundo, os Digimon. A disputa pelo público adulto se espraia por vários gêneros, com destaque para os canais de filmes e esportes, que lideram um item importante na pesquisa do Ibope: o ranking de fidelidade entre as pessoas acima de 18 anos. Esse índice mostra quais canais têm maior capacidade de prender o espectador com seus programas. "Como as pessoas zapeiam mais do que nunca, esse é um diferencial estratégico na luta pela audiência", diz Ferrari. Em março, a campeã nesse quesito foi a HBO, seguida pela Sportv. Os canais cuja programação se baseia em seriados, por sua vez, ostentam outro trunfo – eles são fortíssimos entre o público na faixa dos 18 aos 34 anos, no horário das 7 à meia-noite.

A TV paga – uma vitrine de primeira para produtos como carrões e outros itens de luxo – vem brigando por mais publicidade. No ano passado, ela ficou com 170 milhões de reais, cerca de 3% do bolo publicitário total da televisão, de 5,7 bilhões de reais. Segundo estimativas do mercado, cinco canais concentram praticamente a metade desse total. O principal deles é a Sportv, que, especula-se, teria angariado mais de 20 milhões em anúncios no ano passado. "Quando os dados do Ibope vierem a público, esse dinheiro será redistribuído", alfineta um concorrente. Ao acirrar a competição e incrementar a publicidade, a medição de audiência pode acabar resultando, a longo prazo, em pacotes mais em conta para o consumidor. Isso porque os altos custos serão compensados por mais receita proveniente de propaganda, possibilitando que o preço das assinaturas caia.

 

 

Fotos Divulgação/Still/Foto Blitz

 

   
NOTÍCIAS DIÁRIAS
Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições Especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco

CDs DVDs Vídeos
Saraiva.com.br
Submarino
Americanas
Livros
Saraiva.com.br
Submarino
Espiral
Ingressos
Fun by Net
o que é o canal