As
superpoderosas
Roqueiras do Brasil imitam as "riot grrrls",
movimento
que une barulheira e feminismo
Sérgio
Martins
Claudio Rossi
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Oscar Cabral
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| NERVOSAS
– Elisa Gargiulo e o grupo Staples: protesto contra absorventes,
mas também diversão |
Desde
que Janis Joplin se revelou ao mundo, em 1967, o rock nunca
deixou de ter seu quinhão de garotas más. Em
sua mais nova encarnação, elas se apresentam
sob o rótulo de "riot grrrls" (algo como "garotas encrenqueiras",
com o excesso de erres sugerindo um rugido). Seu ídolo
máximo é a cantora americana Courtney Love.
No Brasil, há cerca de trinta bandas que se filiam
a essa, digamos, tendência. Com títulos como
Culpa do Estuprador e Contra Testes em Humanos,
suas letras não deixam dúvidas sobre o engajamento
em causas politicamente corretas. As mocinhas lançam
seus discos barulhentos por pequenos selos e fazem shows em
palcos do underground. Em geral, divulgam seu trabalho pela
internet e por meio de fanzines distribuídos em lojas
de discos. Mas alguns grupos já ameaçam escapar
do circuito alternativo. Claro que nada disso importa do ponto
de vista financeiro. Pertencentes à classe média
alta, as rebeldes com causa vivem de mesada. Quando não
estão sob custódia paterna, têm profissões
descoladas, como a de webdesigner ou publicitária.
O grupo mais celebrado de garotas encrenqueiras chama-se Dominatrix.
Liderado pela guitarrista e cantora Elisa Gargiulo, de 21
anos, lançou três discos e é conhecido
pela obediência cega à causa feminista. Os shows
do trio são precedidos por debates sobre masturbação,
homossexualidade na cena punk (seja lá o que isso for)
e exploração comercial da menstruação.
Sim, você leu certo: exploração comercial
da menstruação. "Existem empresas que colocam
produtos nos absorventes para que as mulheres sangrem mais
e comprem mais absorventes", acusa Elisa (é bom concordar
com tudo, leitor). O Dominatrix, que canta em inglês,
traduz as letras de suas músicas no encarte dos discos.
"Você diz que apóia quem é diferente de
você/ Mas quando estão perto você diz que
é uma doença", diz a letra de Homofobia numa
Bandeja. Essa discurseira meio pirada tem adeptos fiéis.
Tanto que a banda já tem um selo próprio, o
Clorine Records, e vende em média 2.000 cópias
por lançamento um número de respeito no mercado
independente.
Como não poderia deixar de ser, há quem prefira
substituir o protesto pela pura diversão. É
o caso das garotas do carioca Staples. Elas são uma
versão light das riot grrrls, a ponto de aceitarem
um baterista na banda. "A gente só quer farrear", reconhece
a guitarrista Carolina Simonsen. O Staples lançou um
disco recentemente e marca presença em coletâneas
no Canadá, na Argentina e na França. Tudo isso
sem discursar sobre absorventes. Melhor assim.
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