A fúria
do Sol
As
maiores explosões solares já vistas causam
efeitos luminosos na atmosfera terrestre
AFP
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Erupções
solares
(áreas mais
claras):
belas auroras |
A
cada onze anos, o Sol passa por períodos de intensa
atividade, com explosões em sua superfície e
violentas emissões de jatos de partículas. Desde
o ano passado, quando começou um desses picos de atividade,
cientistas observam a superfície solar atrás
dessas explosões. Na última segunda-feira, finalmente
veio a recompensa: uma erupção solar e
de proporções nunca vistas antes. Foi como se
66 bilhões de bombas atômicas explodissem simultaneamente
na superfície da estrela, gerando uma energia que teria
reduzido a pó qualquer planeta do sistema solar. A
violência do fenômeno superou a marca histórica
de 1989, quando a radiação emitida pelas explosões
provocou pane em sistemas de transmissão de energia
na Terra, interferiu nas telecomunicações e
inutilizou vários satélites em órbita.
Os pesquisadores temiam que os problemas se repetissem, mas
os jatos de partículas emitidas pelo Sol passaram apenas
de raspão pela atmosfera do planeta. O único
efeito notável foram magníficas auroras austrais
e boreais que pintaram de vermelho, laranja e rosa os céus
de países como Estados Unidos, Canadá, Finlândia
e Nova Zelândia.
O estudo dos ciclos de atividade solar remonta a Galileu Galilei,
no século XVII, mas ainda não se conhece com
exatidão a causa do fenômeno. Acredita-se que
alterações periódicas no campo magnético
provoquem a formação de vastas manchas escuras
na superfície do Sol. São essas manchas que
geram as explosões, que lançam quantidades imensas
de partículas no espaço. Essa massa composta
de átomos fragmentados viaja a uma velocidade de 2.000
quilômetros por segundo e atinge a Terra em algumas
horas. O tempo é curto demais para que se tente proteger
redes de energia e comunicações. Por isso, é
importante prever com antecedência o mau humor solar.
Devido às dimensões excepcionais, as explosões
da semana passada talvez possam oferecer novas pistas. "O
desafio agora é tentar prever quando elas vão
ocorrer nos períodos de atividade máxima do
Sol", diz Marcelo Gleiser, físico brasileiro e professor
do Dartmouth College, nos Estados Unidos. Por enquanto, os
cientistas têm nas mãos as melhores fotos já
feitas de uma explosão no Sol.
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