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Farra do tucunaré

Peixe natural da Amazônia anima a vida
dos pescadores até no sul do país

Nahara Bauchwitz

 

O prazer da luta: muitos adeptos do esporte soltam o peixe depois de fazer uma foto

O tucunaré, um peixe que chega a medir mais de 1 metro e a pesar 12 quilos, está levando a sério o apelido de "embaixador da Amazônia". Natural da Região Norte do Brasil, ele se espalhou pelo país inteiro e já pode ser encontrado até no Paraná, fazendo a alegria dos aficionados da pesca. Desde os anos 70, o tucunaré vem sendo introduzido nos lagos de algumas hidrelétricas, para contribuie às piranhas. Mais recentemente, com a proliferação de açudes particulares e pesque-pagues, seu excelente desempenho na pesca esportiva fez dele um campeão na preferência dos amadores. No Pantanal, durante uma cheia ocorrida na década de 80, um açude repleto de tucunarés foi invadido pelo Rio Piqueri e o bicho acabou se espalhando por vários outros cursos de água da região. Em vez de lamentarem esse problema ecológico, os pescadores estão aproveitando a disseminação do peixe para pôr em uso seus caniços e samburás. Só os mais fanáticos ainda pagam perto de 3.000 reais para passar uma semana nos rios amazônicos, nas excursões que vão atrás de umas quinze espécies nobres, entre as quais o tucunaré é o troféu mais cobiçado.

No ano passado, 7.000 pessoas participaram de grupos de pesca na Amazônia. Os pescadores regulares em todo o Brasil são estimados em 5 milhões. Todos os fins de semana, milhares de tucunarés são fisgados pelos amadores. Mais da metade deles volta para a água imediatamente, porque a turma da pesca esportiva quer apenas vencer a luta com o peixe e depois devolvê-lo ao lago para novos combates no futuro. O tucunaré, bom de briga, faz sua parte. Quando fisgado, reage com fortes e intermitentes puxões na linha, enreda-se entre galhos e pedras embaixo d'água e se debate para se livrar do anzol. Mesmo pescadores experientes podem perder a presa nesse confronto, tendo a linha arrebentada ou irremediavelmente emaranhada em algum enrosco. "Essa é a grande emoção da pesca do tucunaré", diz o dentista Plínio Sanchez Silva, que há dez anos não perde oportunidade de ir à caça do peixe. Já viajou para a Amazônia algumas vezes, mas para garantir a alegria nos fins de semana não perde pescarias também no Rio Paraná, que fica a 1 quilômetro de sua casa, em Rubinéia, no interior paulista.

 
J. Miranda
Como enganar o tucunaré: voraz, ele é presa fácil para quem usa iscas artificiais

Predador de rara voracidade, o tucunaré pode ser fisgado com iscas vivas, como pequenos lambaris, mas o que mais diverte seus caçadores é enganá-lo com artefatos de todo tipo. Existem iscas que imitam a cor, as formas e os movimentos de alguns peixes. Há quem utilize penas coloridas amarradas ao anzol – um conjunto que, flutuando sobre a água, simula a movimentação de um inseto. Índios da região amazônica usam pequenas pedras coloridas para iludir o peixe. Basta jogar a isca junto à margem, perto dos pontos em que ele costuma entocar-se, e arrastá-la com alguma rapidez. O bote é firme e espalhafatoso. Há casos em que o tucunaré salta fora da água para buscar uma presa, como um mosquito ou uma borboleta.

Fiel a seu instinto e a sua vocação de representar a Amazônia, o tucunaré já pode ser pescado até em outros países. No Panamá, na Malásia e nos Estados Unidos, é possível encontrá-lo em muitos pesqueiros. Os americanos o chamam de peacock bass, peixe-pavão, por causa do ponto arredondado que exibe na cauda, lembrando um olho. A pesca esportiva movimentou 38 bilhões de dólares nos EUA no ano passado. O tucunaré já dá sua modesta contribuição a essa bolada.

 

   
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