Jantar
de grifes
A
Gucci, com Stella McCartney, e o LVMH,
com Donna Karan, ampliam seus domínios
Na
briga de alfinetes que há algum tempo movimenta a indústria
do alto luxo, os dois principais adversários marcaram
tentos na semana passada. Na França, o grupo LVMH,
guarda-chuva que abriga quase tudo o que há de mais
caro em matéria de bebidas, perfumes, roupas e acessórios,
anunciou a compra definitiva da grife americana Donna Karan.
Na Itália, a alta cúpula da Gucci confirmou
que está trazendo para seus domínios um dos
nomes mais badalados da nova safra de estilistas: Stella McCartney,
29 anos, filha do meio do ex-beatle Paul McCartney. Em junho,
ela deixa a Chloé para desenhar uma linha com seu nome
sob patrocínio do grupo italiano.
Stella é amicíssima de estrelas desenhou
o vestido de noiva e foi madrinha de casamento da cantora
Madonna. Todos os seus desfiles em Paris são assistidos
por papai Paul, orgulhosíssimo. Como se não
bastassem as credenciais de berço, a moça tem
talento e suas coleções vivem sendo cobertas
de elogios. Ex-aluna da londrina St. Martin's School, meca
de quem sonha em fazer moda, Stella fez estágio em
marcas menores e na revista Vogue inglesa antes de
ser contratada pela Chloé, em 1997. Vegetariana convicta
e defensora dos animais, como a mãe, Linda (morta em
1998), ela se recusa terminantemente a costurar couro e peles
naturais. Com ateliê montado em Londres, não
terá o menor contato com os sapatos, bolsas e carteiras
de couro legítimo, naturalmente que construíram
o nome Gucci. Seu estilo segue a linha romântico-moderna
e tem nela uma vitrine: Stella só usa Stella.
Com a estilista, a Gucci encampa um tipo de moda e um nome
altamente vendáveis exatamente como agiu ao tirar
da Givenchy o também inglês Alexander McQueen,
ao demonstrar enorme interesse pelo atual queridinho das editoras
de moda, o francês Nicolas Ghesquière, e ao abocanhar,
em 1999, a peso-pesado Yves Saint-Laurent. Tal campanha expansionista
tem um objetivo precípuo: evitar que a própria
Gucci seja engolida pelo gigante francês. O LVMH, que
pagou 450 milhões de dólares por marcas de Donna
Karan em dezembro e mais 250 milhões pelo resto do
negócio agora, prima pelo voraz apetite por grifes
famosas (tem Louis Vuitton, Christian Dior, Givenchy, Kenzo
etc.). Com elas, o grupo faturou no ano passado 10,4 bilhões
de dólares cerca de 20% dos 50 bilhões movimentados
pela indústria de alto luxo ao redor do planeta. Perto
do LVMH, a Gucci, com 1,5 bilhão de dólares
de faturamento, é um ratinho que sonha em rugir feito
leão.
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