"Vou
à massagem e já volto"
Essa frase que até pouco tempo
atrás
daria margem a mal-entendidos entrou
no dia-a-dia da classe média
Gisela
Sekeff
Antonio Milena
 |
| No
supermercado: massagem feita por uma máquina que
emite jatos d'água |
Até
meados da década passada, a palavra "massagem" evocava
basicamente três imagens: a da dondoca ociosa, a do
jogador de futebol contundido e a daquelas moças, você
sabe, que não são massagistas coisa nenhuma.
Nos últimos anos, porém, as diversas técnicas
que se agrupam sob esse nome genérico entraram no cotidiano
da classe média. Hoje, faz-se massagem no cabeleireiro
de bairro, na academia de ginástica e, pasme, até
em supermercados. Dependendo da técnica escolhida e
do tempo de cada sessão, os preços variam de
20 a 80 reais. A demanda aumentou tanto que muita gente resolveu
ser massagista ou melhor, terapeuta corporal, como
preferem ser chamados. Em 1995, o Brasil contava com pouco
mais de 1.000 profissionais. Hoje,
eles somam 9.500. No mesmo período,
o número de clínicas especializadas saltou de
160 para 2.500.
Não existe massagem com poder curativo. Seus efeitos
duram até três dias, no máximo. Quando
bem feita, proporciona uma tremenda sensação
de bem-estar alivia os sintomas do stress, atenua dores
na coluna e relaxa. Tanto que algumas empresas oferecem sessões
a seus funcionários no próprio local de trabalho.
Nesse mercado em expansão, as massagens tradicionais
são as campeãs de procura. Mas, como ocorre
em qualquer campo de atividade no qual há competição,
as novidades não param de surgir. Muitas são
pequenas adaptações de técnicas orientais
milenares. É o caso do watsu, o shiatsu dentro d'água
(veja quadro).
Em meio à lufa-lufa diária, há quem
opte por sessões do tipo vapt-vupt, feitas em não
mais de quinze minutos, numa cadeira especial. Batizada de
(atenção, deputado Aldo Rebelo) quick massage,
essa massagem rapidinha surgiu nos Estados Unidos e logo ganhou
as praias da Califórnia. Por aqui, está presente
principalmente em academias e shopping centers.
Também entrou para o cardápio dos brasileiros
o Aquamassage, uma espécie de tubo em que a pessoa
(de roupa, protegida por um plástico) tem seu corpo
bombardeado por jatos de água durante dez minutos.
Difícil imaginar como alguém consegue relaxar
dentro de uma geringonça que fica entre o aparelho
de tomografia e o lava-rápido. Na capital paulista,
a rede de supermercados Extra instalou um equipamento em uma
de suas lojas. "Nas compras acima de 100 reais, ganhe uma
massagem", lê-se num anúncio. Os clientes fazem
fila. Os terapeutas, evidentemente, acham a invenção
uma grande bobagem. Massagens, enfatizam eles, têm de
ser feitas por especialistas capazes de detectar e desfazer
os mais sutis nódulos de tensão muscular, entre
outras coisas. O.k., mas que o Aquamassage é divertido,
lá isso é.
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