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Na corda bamba

Onda de demissões e boatos
mostram dificuldades das lojas
de comércio eletrônico no Brasil

 
Daniela Picoral
Centro de distribuição do Submarino: vendas só na internet

A bolsa de especulações sobre empresas de internet em apuros compreende, desde a semana passada, uma das mais ousadas empreitadas digitais brasileiras. É o site de comércio eletrônico Submarino. Resultado de investimentos de 130 milhões de dólares, na última terça-feira a empresa demitiu noventa funcionários, cerca de 25% da equipe. Outra providência, ainda não confirmada, poderia incluir a venda das lojas virtuais da Espanha e de Portugal e a união no Brasil com o site Americanas.com.

Às vésperas das noventa demissões, os executivos do Submarino negavam que haveria cortes. Depois que elas ocorreram, o presidente Murillo Tavares deu uma justificativa curiosa: como o negócio está crescendo, não precisa mais de tantos funcionários. Agora, o site garante que as especulações sobre fusão são infundadas. "A empresa não comenta boatos", disse um assessor. A Americanas.com também não fala. A tese do casamento, porém, faz sentido. A começar por uma coincidência de acionistas. Diretamente ou por meio de seus sócios, o GP Investimentos tem forte presença na Americanas.com e no Submarino. "Se os sites são do mesmo ramo, os investidores podem ter decidido apostar em apenas um deles", disse um analista.

A história da loja virtual que começou vendendo livros e hoje também oferece produtos como CDs e brinquedos mostra como é dura a vida de quem foi para a internet sem estar ligado a uma empresa da velha economia. Quando nasceu, no final de 1999, o Submarino precisou gastar fortunas com publicidade para se tornar conhecido e competir com sites como Saraiva e Siciliano, filhotes de grandes redes de livrarias. A empresa também teve dificuldades para entregar as mercadorias. Enquanto os sites de loja contam com uma estrutura já montada, o Submarino precisou investir 8 milhões de reais num centro de logística. A cada problema, uma nova pequena fortuna era desembolsada. "Ninguém parava para perguntar qual era o potencial do negócio", conta Jorge Schreurs, ex-presidente da empresa.

Segundo uma pesquisa do Ibope, desde 1998 o número de internautas brasileiros que compram pela rede está empacado em 15% do total. Outro estudo, da Fundação Getúlio Vargas, mostra que as compras pela internet em 2000 não passaram de 0,16% de tudo o que os consumidores adquiriram no país. Mesmo que a fatia digital cresça, o negócio ainda vai demorar para gerar lucros. O resultado, por enquanto, é um festival de prejuízos. O Amelia, do grupo Pão de Açúcar, fechou o ano passado com perda de quase 20 milhões de reais. Na Americanas.com, o vermelho foi de 45 milhões. A diferença é que esses sites são ligados a grandes redes de lojas que faturam bilhões. Assim, têm mais fôlego para esperar o sonhado lucro chegar.

 

Foto João Ávila

 

   
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