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Entre os 100 mais

Spa brasileiro está numa lista
dos melhores do mundo

Aida Veiga


Golden Door, na Califórnia: os hóspedes não precisam nem levar bagagem

Todo mundo gosta de viajar. Todo mundo sonha em perder peso e endurecer músculo. Todo mundo precisa relaxar. Juntando tudo isso, muitos spas trataram de lustrar sua imagem de casa de repouso lotada de velhos e obesos e partiram para a revitalização: sofisticaram a arquitetura, contrataram chefs de cozinha, adquiriram equipamentos e técnicos de primeira e viraram um misto de hotel de luxo e clínica estética. Deu tão certo que atualmente 5 milhões de pessoas por ano – boa parte delas jovem, esbelta e saudável – passam temporadas em spas espalhados pelos cinco continentes. Só nos Estados Unidos, o mercado movimentou em 2000 cerca de 5 bilhões de dólares, quase o dobro do faturamento das estações de esqui. De olho nessa mina de ouro, acaba de chegar às livrarias americanas o guia 100 Best Spas of the World (Os 100 Melhores Spas do Mundo). Deles, setenta estão na América do Norte e na Europa, dez ficam na Ásia, cinco no Caribe, seis no Oriente Médio, três na África e um na América Central. O representante sul-americano é o Kurotel, localizado em Gramado, no Rio Grande do Sul. Os quatro restantes da lista são spas em navios.

 
Liane Neves
Kurotel, em Gramado: luxo e centro de diagnóstico Canyon Ranch, no Arizona: aulas de golfe, programa para parar de fumar e pouca ginástica

 

Luxuoso, amplo e cercado de belezas naturais, como a maioria de seus pares, o spa brasileiro tem suítes com computador, miniacademia de ginástica, uma espécie de trilha aquática que todos os hóspedes têm de percorrer no mínimo uma vez por dia, cardápio de 800 a 1.600 calorias e um centro de diagnóstico ultramoderno. "Nosso diferencial é mostrar a cada cliente quais os problemas físicos que pode vir a desenvolver, caso não adquira novos hábitos de vida", diz a proprietária, Neuza Silveira. O pacote de uma semana no Kurotel custa, no mínimo, 1 350 dólares por pessoa. Caro? Nem tanto, se comparado aos preços cobrados nos cinco spas mais badalados do planeta (veja quadro).

A palavra spa tem raízes na Antiguidade. A aristocracia romana costumava freqüentar as termas da cidade de Spa, no bosque de Ardennes, na Bélgica, onde se dizia brotar a água mais pura do mundo. Nos tempos modernos, água medicinal deixou de ser sinônimo de spa quando esse tipo de estabelecimento virou, primeiro, centro de dieta e emagrecimento e, agora, destino de turistas endinheirados. "As pessoas estão buscando alternativas prazerosas para se manter jovens e saudáveis", analisa o autor do guia, o jornalista americano Bernard Burt, que, juntamente com a colega Pamela Price Lechtman, pesquisou 500 hotéis do gênero ao longo de dez anos. Os spas, claro, se desdobram para atender a essa demanda – e, seguindo as inexoráveis leis do capitalismo, quanto maiores os mimos, mais cara é a diária. No exclusivo Chiva-Som, na Tailândia, onde 57 chalés e apartamentos decorados por designers se espalham por um cenário de sonho, pagam-se quase 6.000 dólares pelo pacote completo de sete dias. Um de seus atrativos são banheiras em forma de concha, com água do mar em temperatura ambiente. Outro carésimo, o Canyon Ranch, no Estado do Arizona, nos Estados Unidos, oferece mais de 200 atividades (só cinqüenta ligadas a fitness), entre sessões de acupuntura, aulas de hipismo e golfe e programas para parar de fumar. O Four Seasons, instalado na belíssima Jimbaran Bay, em Bali, na Indonésia, um dos preferidos das celebridades, não tem uma única bicicleta ergométrica, muito menos aula de aeróbica. Nele, as atrações são banhos com pétalas de rosas e massagens com cremes variados, feitos de produtos locais como coco e gengibre. Os hóspedes do californiano Golden Door (lotação máxima por semana: 39 felizardos) não precisam nem passar pelo stress de fazer e desfazer malas: ao chegar, recebem camisetas, shorts e quimonos que serão seu uniforme durante a estada.

 

   
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