NOTÍCIAS DIÁRIAS
 
Geral Design

Esta semana

Sumário
Brasil
Internacional
Geral
Oscar Niemeyer, aos 93 anos, toca vinte projetos
Artigo da revista Science diz que gordura não faz mal
O tênis da Adidas criado por projetistas de automóveis
Spa brasileiro está entre os melhores do mundo
O laser substitui a lipo em pequenas cirurgias
Analgésicos à base de ópio viram epidemia nos EUA
O comércio eletrônico na corda bamba
Massagem até no supermercado
Gucci e LVMH expandem negócios
O tucunaré faz a alegria dos pescadores de todo o país
As gigantescas explosões solares
Descobertos mais onze planetas
Revelada fraude com fósseis de dinossauro
McDonald's se mexe para superar a crise da vaca louca
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos


Colunas
Diogo Mainardi
Luiz Felipe de Alencastro
Gustavo Franco
Roberto Pompeu de Toledo

Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
VEJA on-line
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Arc
Notas internacionais
Hipertexto
Gente
Datas
Para usar
VEJA Recomenda
Os mais vendidos

Arquivos VEJA
Para pesquisar nos arquivos da revista, digite uma ou mais palavras

Busca detalhada
Arquivo 1997-2000
Busca somente texto 96|97|98|99
Os mais vendidos
 

Só faltam as rodas

Criado por projetistas de automóveis, tênis
da Adidas é cópia de um carrão, o Audi TT

 
Divulgação
O tênis Kobe segue a linha da silhueta do Audi, simula seus faróis e lanternas e brilha como ele: molde de argila, como na indústria automobilística

O tênis é um dos raros produtos industriais que precisam ser reinventados sem parar. Isso decorre da acirrada competição entre as dez grandes marcas que dominam o mercado global, um negócio anual de 800 milhões de pares. Como esse tipo de calçado esportivo já voa alto em termos de tecnologia e conforto, leva vantagem quem inova no design. A Adidas, um dos maiores fabricantes de artigos esportivos, fez uma aposta ousada, reunindo duas paixões mundiais – esporte e carros de luxo. A fábrica alemã das três listras delegou ao estúdio de design da Audi, em Simi Valley, na Califórnia, a tarefa de projetar o tênis de basquete Kobe, que leva o nome do jogador Kobe Bryant, craque do Los Angeles Lakers. O desafio dos designers não era apenas fazer um calçado bonito, mas criar uma réplica para os pés do Audi TT, um carro esportivo que faz sucesso desde que foi lançado, em 1998. O resultado é um tênis com uma aparência insólita, sem emendas nem costuras, como se de fato se tratasse de uma carroceria de automóvel. A frente lembra bastante a grade do veículo, e o refletor de luz próximo ao calcanhar reproduz a cor âmbar da lanterna do TT. "Como o carro, o tênis é um objeto direcional, associado a velocidade e conforto", teoriza Derek Jenkins, diretor do estúdio californiano. "É por isso que os mesmos princípios dinâmicos e proporções de um veículo podem ser aplicados a um calçado."

A associação entre automóveis e velocidade é quase natural. Como os carros, os tênis vendem sobretudo pela imagem de esportividade que os envolve. Isso apesar de apenas uma minoria de consumidores usá-los realmente para praticar esportes. Outras marcas já pegaram emprestado um ou outro elemento visual de carrões. O Air Jordan, projetado pelo designer Tinker Hatfield para a Nike em meados da década de 80, apresentava elementos copiados dos pára-choques e estofamentos da Ferrari – um mito de quatro rodas. Como o Kobe, o tênis pegou carona no sucesso de um jogador de basquete, Michael Jordan. O Air Raid, do mesmo fabricante, tem tiras para prendê-lo aos pés que lembram cintos de segurança. Na sala de designers da Nike, em Beaverton, nos Estados Unidos, há murais com fotos de carros, móveis e eletroeletrônicos que servem de inspiração. Um outro modelo da empresa, o Shox, lançado no ano passado, tem linhas e cores sugeridas pelo pôster de um Porsche prateado com estofamento vermelho. Há duas semanas, a Olympikus colocou nas lojas o Gravitor, comparando a tecnologia usada na sola do produto com uma suspensão inteligente. A Coverse, fabricante do All Star, chegou a anunciar, no passado, que seus tênis eram "limusines para os pés". A Fila já encomendou um modelo ao estúdio Pininfarina, o mesmo que projeta as Ferrari.

Mas ninguém foi tão longe como o Kobe. Carro e tênis mantêm uma relação de plágio consentido. Para preparar o modelo da Adidas, os designers americanos fizeram protótipos de argila, uma técnica usual na indústria automobilística, mas inusitada em se tratando de calçados. Os tênis são geralmente projetados apenas com o auxílio de programas de computador. Na pesquisa do formato, que durou cerca de um ano e meio, foram desembolsados 12 milhões de dólares. Um custo alto para tão curto período de desenvolvimento. O Kobe é confeccionado em couro sintético que, apesar das cores opacas, apresenta um brilho metalizado discreto que lembra a pintura dos automóveis. O tênis pode ser comprado no Brasil por 290 reais, o que o coloca no patamar dos preços mais salgados. É o que custa andar com um Audi TT legítimo nos pés.

 

   
NOTÍCIAS DIÁRIAS
Copyright 2001
Editora Abril S.A.
  VEJA on-line | Veja São Paulo | Veja Rio | Veja Curitiba
Veja BH | Veja Fortaleza | Veja Porto Alegre | Veja Recife
Edições especiais | Especiais on-line | Estação Veja
Arquivos | Próxima VEJA | Fale conosco