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A maldição das noras

Para desgosto da rainha, agora é a
mulher de Edward que fala demais


Para alguém que se orgulha de fazer carreira na área de relações públicas, Sophie, condessa de Wessex, mulher do príncipe Edward, o filho mais novo da rainha da Inglaterra, mostrou nos últimos dias que ainda tem muito que aprender sobre a arte de promover a própria imagem. No domingo 1º, a afável Sophie foi capa de três dos tablóides que infernizam a realeza britânica. Ao News of the World deu surpreendente e memorável entrevista, em que reiterou aos súditos de pouca fé que seu marido não é homossexual. No Mirror e no Mail foi manchete na condição de vítima de "pegadinha": fazendo-se passar por xeque árabe milionário e cliente potencial de sua empresa de relações públicas, um jornalista arrancou dela declarações de tirar do séri; a rainha Elizabeth, escolada que é em aturar noras que falam mais do que deviam.

"Garanto: ele não é gay. Gostaria de poder gritar de cima de um telhado: 'Não é verdade!'", diz Sophie na entrevista, pondo lenha na fogueira dos boatos sobre a sexualidade de Edward, o tímido príncipe que se recusou a seguir carreira militar, como os irmãos, praticamente não teve namoradas e só se casou há dois anos, aos 35. A condessa também desmente que os dois só se encontrem nos fins de semana. "Dormimos separados uma, duas noites por semana" – ela em Londres, ele na propriedade de cinqüenta cômodos que compraram em Surrey. Como qualquer plebéia, Sophie conta que tem tendência a engordar, tenta fazer dieta e é adepta da ginástica pilates. O casal está tentando ter filhos. "Não excluo a possibilidade de fazer inseminação artificial", confessa.

O impacto da entrevista ficou ainda mais ruidoso com os comentários que a nora da rainha despejou nos ouvidos – e microfones e câmaras escondidos – de Mahzer Mahmood, jornalista inglês que trabalha para o mesmo News of The World. De origem árabe, Mahmood fingiu-se de xeque para se aproximar da R-JH, a firma de relações públicas de Sophie, no fim de março. Marcou uma reunião no luxuoso hotel Dorchester, de Londres, e lá se foram, esfregando as mãos diante da perspectiva de um bom contrato, Sophie, seu sócio Murray Harkin e o guarda-costas dela, que ficou na sala ao lado. Na conversa, saboreando champanhe, a condessa disparou para todos os lados. Tony Blair, o primeiro-ministro, é "muito presidencial". Sua mulher, Cherie, é "horrível, absolutamente horrível, horrível, horrível". Seu adversário político, o conservador William Hague, de tão desengonçado, parece "deformado". Referiu-se a Elizabeth como "velhota" e opinou que Charles e sua namorada, Camilla Parker-Bowles, vão, sim, se casar, mas só depois que "a velha (a rainha mãe) morrer".

No domingo à noite, Sophie e Edward viajaram para o Oriente Médio e de lá acompanharam, sorriso pregado no rosto, os desdobramentos. A condessa, soube-se, concordou em dar a entrevista justamente em troca da não publicação da "pegadinha" de Mahmood – por sinal, notório praticante do golpe do falso xeque. No entanto, misteriosamente, o conteúdo das gravações foi parar nas redações rivais. O Palácio de Buckingham admitiu que Sophie foi enganada, mas que na conversa com o xeque de mentira não disse nada do que foi publicado: "As declarações atribuídas à condessa são distorcidas e, em muitos casos, falsas". O News of the World, contritíssimo, disse-se "desapontado" com os "ataques de desinformação" dos outros jornais. Ferido nos brios, o editor do Mail, Peter Wright, lançou um desafio: "Que se divulguem todas as gravações". A rainha treme só em pensar.

 

   
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