Balão
do Clube 85
Num almoço descontraído, o nome
de
Malan
volta à corrida sucessória de 2002
Rudolfo
Lago, de Brasília
Ed Ferreira/AE
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| Malan,
com a negativa de sempre: "Não sou nem serei candidato"
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No Clube 85, não tem para mais ninguém. É Pedro
Malan na cabeça no jogo da sucessão presidencial.
Na quarta-feira passada, durante um descontraído almoço
no Palácio da Alvorada com seis líderes da Câmara
dos Deputados, o presidente Fernando Henrique Cardoso jogou o nome
do ministro da Fazenda à platéia. O mais novo balão
de ensaio do governo saiu quase que por acaso. A certa altura, o
deputado Roberto Jefferson, líder do PTB, comentou que os
membros do Clube 85, um dos mais seletos de Petrópolis, cidade
natal de Malan, torciam para ver seu conterrâneo candidato
à Presidência da República. O Clube 85 tem esse
nome porque fica na Rua Amazonas, número 85, e costuma reunir
a alta sociedade local para chá e de bridge. O
deputado contou que, num encontro recente com os membros do clube,
só ouviu falar no nome de Pedro Malan para o Palácio
do Planalto. Foi o bastante para que as coisas se agitassem.
Com seu proverbial bom humor, Fernando Henrique aproveitou a deixa
para dizer que Malan deveria filiar-se a um partido político.
"Já está mais que na hora", disse. Em outro lance,
ocorrido há duas semanas, o presidente pedira ao tucano Aécio
Neves, presidente da Câmara, para que sondasse integrantes
do PSDB sobre a possibilidade de o partido oferecer uma ficha de
inscrição ao ministro da Fazenda. Juntando uma coisa
com a outra, criou-se a impressão de que FHC está
apostando numa candidatura de Malan em 2002. O calendário
ajuda na especulação. Quem está filiado a algum
partido pode decidir-se por uma candidatura até as vésperas
do pleito presidencial. Mas quem, como Malan, ainda não está
vinculado a nenhuma legenda dispõe de menos tempo e precisa
filiar-se até, no máximo, setembro próximo.
A lei exige que os candidatos estejam associados ao partido pelo
qual concorrerão por um período mínimo de um
ano.
O nome de Malan dançou sobre a mesa dos convivas embalado
por um ameno tom de brincadeira. Falou-se, em seguida, que o PTB
estaria de braços abertos para sua filiação.
Depois, que o ministro poderia ser candidato ao governo do Rio de
Janeiro. Informado do que acontecera em Brasília, Malan,
que se encontrava em Toronto, no Canadá, mandou dizer o que
sempre diz nessas ocasiões: "Não sou nem serei candidato
a nada". Não há nenhum espanto possível caso
Malan decida ingressar no PSDB. Na verdade, o espantoso é
que não tenha feito isso até agora. Afinal, embora
seja um técnico, ele está ao lado do presidente por
dois mandatos seguidos, ocupa um posto de alta importância
estratégica e mantém, é óbvio, uma identificação
política com Fernando Henrique. A filiação
partidária de um técnico não lhe retira o mérito
acadêmico nem o lança, necessariamente, na arena política.
É o caso do economista Gustavo Franco, que presidiu o Banco
Central. Ele é filiado ao PSDB.
Claudio Rossi
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Alexandre Tokitaka
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| Jereissati,
do Ceará: um tucano no páreo |
Serra,
ministro da Saúde: em viagens pelo país com FHC |
O
precipitado, no caso, é imaginar que FHC, de fato, esteja
apostando em Malan. Na verdade, o presidente está fazendo
um jogo muito claro. Quer lançar vários nomes na berlinda
para ver, dentre eles, qual adquire mais força, enquanto
o conjunto fica mais embaçado pelo excesso de pretendentes.
É por isso que Fernando Henrique viaja pelo país ao
lado do ministro José Serra, o tucano que mais trabalha para
pavimentar seu caminho para o Palácio do Planalto. Pela mesma
razão, o presidente não perde uma oportunidade de
elogiar o ministro da Educação, Paulo Renato Souza,
e também não se esquiva de falar bem do governador
do Ceará, Tasso Jereissati, outro tucano que faz parte da
turma que pode concorrer à Presidência da República.
Por que FHC perderia uma oportunidade de insuflar o nome de Pedro
Malan? Analisada por esse ângulo, a galeria de candidatos
que o presidente afaga ainda não tem nomes de maior ou menor
peso. A princípio, são todos iguais o que,
além do mais, tem a vantagem de combinar à perfeição
com a personalidade ambígua de Fernando Henrique. Só
há uma diferença no caso de Malan. Se a escolha de
um sucessor dependesse só de sua vontade, FHC teria olhos
mais oblíquos para Malan. Afinal, de todos os nomes postos
até agora, Malan é o único que não tem
biografia política própria e sua eventual vitória
eleitoral seria, sem dúvida, uma vitória pessoal do
presidente. Pela afinidade de idéias que existe entre os
dois, Malan seria também a continuação natural
de FHC no Palácio do Planalto.
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