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Abriu-se o covil
da Sudam

Numa gigantesca operação de
escuta, a PF ouve fraudadores
da Sudam, capta 369 diálogos
e descobre as conexões da máfia
com autoridades em Brasília

Alexandre Oltramari, de Belém


Ana Araújo
BENIVALDO ALVES DE AZEVEDO
O secretário executivo do Ministério da Integração Nacional aparece nos diálogos como quem passa informações à máfia. Em entrevista a VEJA, ele admite que esteve com um dos maiores fraudadores na semana passada. Foi demitido no dia em que deu a entrevista

 

O QUE O GRAMPO DA PF REVELA

TRÊS ESCRITÓRIOS DE BELÉM, SUSPEITOS DE FRAUDAR PROJETOS NA SUDAM, ARRANCARAM 360 MILHÕES DE REAIS DA AUTARQUIA E PLANEJAVAM CHEGAR A 1,5 BILHÃO DE REAIS

O SECRETÁRIO BENIVALDO ALVES DE AZEVEDO, BRAÇO DIREITO DO MINISTRO FERNANDO BEZERRA, DA INTEGRAÇÃO NACIONAL, APARECE NAS FITAS COMO INFORMANTE DA MÁFIA DA SUDAM

O DEPUTADO JOSÉ PRIANTE, VICE-PRESIDENTE DO PMDB DO PARA E SOBRINHO DO SENADOR JADER BARBALHO, MANTINHA NEGÓCIOS ILÍCITOS COM UM DOS FRAUDADORES DA SUDAM

OS FRAUDADORES CONTAM QUE SUBORNARAM, COM PROPINAS DE ATÉ
30 000 REAIS, AUTORES DA INVESTIGAÇÃO MINISTERIAL DIVULGADA PELO GOVERNO NO MÊS PASSADO

OS ALIADOS POLÍTICOS DO SENADOR JADER BARBALHO NO PARÁ USARAM DINHEIRO DESVIADO DA SUDAM PARA AZEITAR O CAIXA DE CAMPANHA ELEITORAL DE SEUS CANDIDATOS

UM DOS GRANDES FRAUDADORES DA SUDAM REPETE VARIAS VEZES, NAS CONVERSAS GRAMPEADAS, QUE A ELEIÇÃO DE JADER À PRESIDÊNCIA DO SENADO "FOI BOA" PARA SEUS TRAMBIQUES



Veja também
Alguns diálogos capturados pela PF
Um crime sem culpado

Em setembro do ano passado, um grupo de agentes da Polícia Federal começou, discretamente, a instalar escuta em dezoito linhas telefônicas. O grampo, autorizado pela Justiça, espalhou-se por quatro Estados. Todos os telefones tinham um dado em comum: eram usados por pessoas que trabalhavam ou mantinham negócios na Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, a Sudam. As escutas telefônicas estão em atividade desde então e até a semana passada já haviam captado 369 diálogos de cerca de trinta interlocutores. As conversas estão reunidas num inquérito de 5.000 páginas, ao qual VEJA teve acesso. Trata-se de um material monumental, tanto pelo volume quanto pelo conteúdo. A leitura é uma viagem, sempre repugnante mas às vezes até cômica, pelo coração de um portentoso esquema de corrupção que já sangrou os cofres públicos em pelo menos 360 milhões de reais e estava planejado para, com o passar do tempo, alcançar a assombrosa cifra de 1,5 bilhão de reais – algo tão robusto que só encontra paralelo, em termos de dinheiro, em grandes golpes da História.

A investigação começou há dois anos a partir de uma suspeita miúda. Em Paraíso do Tocantins, cidadezinha a 76 quilômetros de Palmas, capital do Estado, um ilustre desconhecido abriu três empresas que, mais tarde, iriam arrancar 14,2 milhões de reais da Sudam. Mas um dado chamou a atenção do Ministério Público: o desconhecido usava documentos falsos, abrira as três empresas num único dia e seus "donos" eram humildes balconistas de uma distribuidora de bebidas. Aos poucos, o trabalho de investigação foi crescendo como fermento, incluindo novos personagens e novas suspeitas, desvendando grandes e pequenos trambiques. Reuniram-se tantos indícios de fraudes que a Justiça autorizou a gigantesca operação de escuta em dezoito telefones, a qual produziu um retrato espantoso dos desvios milionários na Sudam. As transcrições das 369 conversas exibem todo o arsenal da corrupção: suborno, propina, saques. E, junto a esse emaranhado de falcatruas, emergem as silhuetas de um ministro, um secretário, um senador e um deputado. Uns, com a mão na massa. Outros, perigosamente próximos de quem só se preocupa em saquear os cofres da Sudam.

O fio que liga as autoridades ao escândalo da Sudam é um único personagem. Chama-se Geraldo Pinto da Silva, 46 anos, casado, três filhos. Rico, dono de imóveis em Belém, Goiânia e no Rio de Janeiro, Pinto da Silva tem uma empresa, a GPS & Companhia Ltda., com sede em Belém – onde fica, também, a sede da Sudam. Sua firma é especializada em abrir empresas, forjar projetos para a superintendência e conseguir dinheiro da autarquia, aproveitando-se do fato de que a Sudam tem como missão financiar projetos empresariais que ajudem a desenvolver a economia do Norte do Brasil. Nos últimos quatro anos, Pinto da Silva criou dezoito empresas para apresentar projetos à Sudam que, juntos, somam 209 milhões de reais. Até agora, conseguiu liberar 44,6 milhões de reais. O grampo da PF monitorou vários telefones do fraudador – da casa, do escritório. Monitorou até seu celular pré-pago, que Pinto da Silva, segundo confessa numa conversa, imaginava imune à escuta. Com isso, a PF descobriu que Pinto da Silva suborna funcionários da Sudam, preocupa-se com o avanço de investigações, tranqüiliza comparsas dizendo que "tudo vai voltar a ser como era antes" e compra notas frias para justificar investimentos inexistentes.


Roberto Jayme
FERNANDO BEZERRA
O ministro da Integração Nacional, cansado de tanta maracutaia na Sudam, diz que não conhece Pinto da Silva e lamenta: "Meu Deus, esse ministério está virando o Ministério de Pepinos Nacionais. Essa Sudam é uma podridão. Escapa muito pouca coisa"


No caso de uma das empresas que abriu, a Amazonas Ecopeixe, Pinto da Silva apresentou à Sudam um projeto de 33,1 milhões de reais e prometeu criar pirarucu em cativeiro, industrializar o pescado e vendê-lo. Desse total, 1,9 milhão foi liberado. O grampo mostra que a empresa só obteve o dinheiro à base de pagamento de propina a funcionários da Sudam, que se encarregaram de fabricar laudo favorável à liberação do dinheiro. Outro caso parecido é o da Chocam Chocolate da Amazônia, também aberta pelo escritório de Pinto da Silva. A empresa devia beneficiar cacau e produzir chocolate em Manaus. Conseguiu aprovar um projeto na Sudam para receber 5,6 milhões de reais e já embolsou a metade do dinheiro – 2,7 milhões. No grampo, revela-se que no lugar onde a empresa deveria funcionar só há "buracos", segundo expressão usada pelo próprio Pinto da Silva num dos diálogos. Mas, mais que flagrar um fraudador em plena faina, o grampo da PF mostra o gigantismo das fraudes e suas conexões com Brasília. Lendo-se as transcrições dos diálogos de Pinto da Silva, fica-se sabendo que:

Benivaldo Alves de Azevedo, o braço direito do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, dava informações à máfia da Sudam. Em uma conversa, captada numa fita com data de 29 de novembro passado, Pinto da Silva conta a um interlocutor que falou com o secretário – e foi municiado até de informações sobre como o presidente Fernando Henrique pretendia investigar as suspeitas de corrupção na Sudam. Em outro diálogo, captado em fita de 19 de março, sugere-se que o secretário estava tentando livrar a barra de duas empresas irregulares, mas, como o assunto saiu na imprensa, ele ficou de mãos atadas.

O ministro Fernando Bezerra – a quem Pinto da Silva diz também ter acesso – produziu uma peça com muitos ingredientes de ficção em sua investigação das fraudes da Sudam. No mês passado, ele anunciou que, investigados 95 projetos, se constatou que as irregularidades chegavam a 108 milhões de reais. As fitas da Polícia Federal mostram que fiscais da Sudam, encarregados de fiscalizações que apareceriam mais tarde no relatório do ministro, foram subornados. Numa conversa, captada por uma fita que começou a rodar em 25 de outubro, fica claro que alguns fiscais estavam recebendo propina de até 30.000 reais para salvar empreendimentos irregulares. Os projetos sob o comando de Pinto da Silva, por exemplo, saíram-se bem na investigação ministerial. Dos dezoito, só seis aparecem na auditoria – e apenas só um foi considerado irregular. Numa conversa, registrada por uma fita de 17 de janeiro, Pinto da Silva confidencia que "o pessoal do ministro" estava trabalhando para fazer "a lista cair para seis nomes, ou seja, tirar os nossos de lá". O trecho sugere que nunca se quis investigar seus dezoito projetos – mas só seis.

O senador Jader Barbalho, que há mais de uma década montou seu feudo político na Sudam, é saudado pelos fraudadores da autarquia como uma novidade benfazeja para as trambicagens. No fim de um dos relatórios, o agente da PF não se deu ao trabalho de narrar diálogos, mas escreveu, a título de orientação aos investigadores: "Geraldo Pinto da Silva e Rinaldo Jansen Cutrim (dono de um escritório que monta projetos para a Sudam, como o GPS de Pinto da Silva) comentam várias vezes que a eleição de Jader foi boa para eles". As fitas também mostram que aliados políticos do senador fizeram campanha no Pará com dinheiro desviado da Sudam. É o caso dos irmãos Soares, que elegeram o prefeito de Altamira na última eleição municipal. Num diálogo, registrado em fita de 21 de setembro, um dos irmãos Soares, Romildo, fala de sua urgência em receber da Sudam para azeitar o caixa de campanha. "Esse dinheiro tem que sair antes da campanha porque uma parte dele eu arrumei para a campanha, entendeu?"

O deputado federal José Priante, vice-presidente do PMDB no Pará, primo de Jader Barbalho e um colaborador íntimo do senador, também aparece envolvido com os fraudadores. Há uma conversa, em fita datada de 13 de março passado, em que Pinto da Silva, ao falar com um funcionário seu, mostra-se irritado porque o deputado José Priante está cobrando uma conta – e Pinto da Silva está sem dinheiro. Diz que vai a Brasília para "acertar as contas" e que não desembolsará mais que 10.000 reais. Numa prova de que não se trata de negócio lícito – como a venda de um automóvel, por exemplo –, Pinto da Silva diz que não teme ser forçado a pagar o deputado porque, se for pressionado, denunciará tudo o que sabe.

Nas fitas da PF, não se captou um único diálogo com as vozes do ministro Fernando Bezerra, do secretário Benivaldo de Azevedo, do senador Jader Barbalho ou do deputado José Priante. Seus nomes aparecem, sempre, na boca de fraudadores da Sudam, em especial na de Pinto da Silva. Pode-se argüir que um fraudador precisa mostrar poder e influência e, para isso, lança mão de nomes de autoridades que talvez nem conheça pessoalmente. É uma hipótese, mas não parece a mais provável. Segundo pessoas que estiveram envolvidas com a investigação da máfia, o contexto em que Pinto da Silva fala das autoridades não dá a impressão de uma bravata. Ele não se vangloria de ter acesso a elas. Apenas narra providências objetivas, resultados concretos, menciona fatos ocorridos. Além disso, em muitas conversas, avisa seu interlocutor de que não pode dar detalhes por telefone. Isso talvez explique a ausência de conversas ainda mais explícitas. Mostra, também, que o fraudador temia um grampo.

Consultado por VEJA na semana passada, o secretário Benivaldo de Azevedo admitiu que conhece Pinto da Silva. Na segunda-feira passada, almoçaram juntos numa churrascaria em Brasília. Trocaram idéias por uma hora e meia. "Ele queria dar uma colaboração para aprimorar e agilizar o desempenho da Sudam", conta Benivaldo. É admissível que o secretário do ministério responsável pela Sudam receba um empresário que tem negócios na autarquia, desde que não conheça seu currículo pesado. O almoço da semana passada foi agendado por um velho amigo comum, o empresário Sérgio Dib, que atua no ramo de fast food em São Paulo. Dib conhece os rolos de Pinto da Silva, como prova uma conversa registrada numa fita da Polícia Federal de 19 de março passado. É possível que Dib tenha usado sua ascendência sobre o secretário para levá-lo à mesa com Pinto da Silva. Nesse caso, o pecado do secretário terá sido o da ingenuidade. Mas se trata de uma característica rara em quem, como o secretário, tem tanta experiência em negócios públicos.

Benivaldo Alves de Azevedo, 60 anos, começou na vida pública com 18 anos. Era chefe de gabinete do prefeito de Natal. Aos 24, foi secretário de Planejamento do Rio Grande do Norte. Aos 26, secretário de Finanças da prefeitura de Natal. De lá para cá, criou uma estatal de fomento, que virou o Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte, foi durante anos consultor na iniciativa privada, voltou a ser secretário de Estado, foi diretor de estatal no Rio de Janeiro e já se ocupou como assessor especial de um governador de Estado – no caso, Geraldo Melo, o usineiro que comandou o Rio Grande do Norte de 1987 a 1991 –, período em que, embora empregado no Estado, prestava consultoria para as empresas do amigo e hoje ministro Fernando Bezerra. Sua relação com o ministro é de décadas. Jovens, já pulavam juntos o Carnaval em Natal. Há dez anos trabalham lado a lado. Primeiro, na Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte, e, depois, na Confederação Nacional da Indústria, da qual Bezerra foi presidente. Agora, no ministério.

Procurado por VEJA, o ministro Fernando Bezerra disse que jamais conheceu o fraudador Pinto da Silva e lamentou: "Meu Deus, esse ministério está virando o Ministério de Pepinos Nacionais. Essa Sudam é uma podridão. Escapa muito pouca coisa". Bezerra conta que, depois de tentar dois secretários executivos que não deram certo, resolveu optar por um velho amigo – Benivaldo de Azevedo, que assumiu a função em dezembro do ano passado. "Ele é meu amigo, mas, se tiver feito alguma coisa errada, deve pagar por isso", disse o ministro, na sexta-feira passada. Mesmo na dúvida, tomou a dianteira: demitiu seu secretário no dia anterior, quinta-feira, depois de saber que VEJA falara com Benivaldo de Azevedo sobre as suspeitas que pesam contra ele. "Na verdade, eu ia demiti-lo nesta segunda, mas, já que vocês estão com essa reportagem, por que não antecipar?", explica o ministro. O senador Jader Barbalho, também consultado por VEJA, mandou dizer que não sabe de nada e não conhece nenhum dos envolvidos. Seu primo, o deputado José Priante, garantiu, por sua vez, que não conhece nem nunca ouviu falar de Pinto da Silva e seus negócios com a Sudam. "Mas, como sou político, posso ter falado com ele alguma vez e não estar lembrado disso", diz Priante.

Irmãos Barra – As evidências reunidas pela Polícia Federal sobre as fraudes na Sudam são de tal magnitude que não seria surpreendente que uma parte da máfia comece a receber visitas de policiais. A investigação pretende estourar de vez o esquema de corrupção na Sudam, pelo menos esse que orbita em torno de Pinto da Silva e aliados. Tanto no grampo como em investigações de outra natureza, descobriu-se a gama de recursos que os fraudadores usam. Uma das empresas, a Café Dunosso Agroindustrial, tendo de justificar os 2,7 milhões de reais que recebeu da Sudam, chegou a informar que contratara uma mercearia para a construção de 10 quilômetros de estrada, dois poços artesianos e uma caixa-d'água. Isso mesmo: mercearia. Outra empresa do Pará, Diana Agroindustrial, que dizia pretender cultivar e industrializar polpas de cupuaçu e açaí, teve o descaramento de apresentar uma nota fiscal registrando o pagamento de apenas 37.000 reais pela construção de 70 quilômetros de estradas. A desfaçatez é tanta que, no grampo da PF, um funcionário dos escritórios de intermediação explica a seu cliente que as notas "têm de ter uma coerência, não podem abusar do preço e também não podem ser metade do valor (de mercado)".


Fotos Janduari Simões
248,6 MILHÕES
A ex-funcionária da Sudam Maria Auxiliadora Barra Martins montou nesta casa, em Belém, seu escritório. O imóvel, até três anos atrás, pertencia ao senador Jader Barbalho. O escritório, de 1996 para cá, apresentou 68 projetos à Sudam, num total de 1,1 bilhão de reais. Até agora, foram liberados 248,6 milhões
70,1 MILHÕES
Nesta casa em Belém funciona o escritório Contaplan, de Raimundo Antônio da Silva Barra, irmão de Maria Auxiliadora. De 1996 para cá, o Contaplan apresentou 22 projetos à Sudam, num total de 252,7 milhões de reais. Até agora, conseguiu a liberação efetiva de 70,1 milhões de reais
44,6 MILHÕES
O escritório GPS & Companhia, de propriedade de Geraldo Pinto da Silva, funciona nesta casa em Belém. Desde 1996, o GPS apresentou dezoito projetos à Sudam. Eles somam
209 milhões de reais. Até agora, foram liberados 44,6 milhões de reais


Embora revelador, o trabalho da PF poderia ser mais profundo. Há 45 dias existe uma ordem judicial autorizando a polícia a fazer escuta nos telefones de uma empresária de Belém. A PF, no entanto, alega que não tem gente para fazer o trabalho. É uma lástima. A empresária chama-se Maria Auxiliadora Barra Martins. Entre 1979 e 1995, ela foi funcionária da Sudam em Belém e chegou a ser diretora da área mais sensível – o departamento financeiro. Em 1995, deixou a autarquia e montou um escritório para intermediar projetos, o AME. Apresentou 68 projetos à Sudam que somam nada menos que 1,1 bilhão de reais. Maria Auxiliadora estava seguindo os passos de seu irmão, Raimundo Barra, também dono de um escritório em Belém, que, nos últimos quatro anos, já arrancou 70 milhões de reais da Sudam – e com projetos que previam a construção de obras civis por empresas que nem sequer tinham autorização para atuar nessa área.

O escritório de Maria Auxiliadora é uma usina de fraudes. Dos seus 68 projetos, 24 foram investigados pelo Ministério da Integração Nacional – cujo relatório, lembre-se, foi parcialmente contaminado devido ao pagamento de propina a fiscais. Ainda assim, só dois projetos do AME foram considerados regulares. Os demais eram um tal festival de fraudes que a auditoria decidiu até pedir o descredenciamento da empresa de Auxiliadora na Sudam. O que resolveu fazer Maria Auxiliadora? Trocou o nome do AME para Amazon Consultoria. Também mudou de endereço. Desde o início do ano, seu escritório está funcionando na Travessa Curuzu, número 1941, em Belém do Pará. Por uma tremenda coincidência, esse prédio pertencia, até três anos atrás, ao senador Jader Barbalho.

 

 

   
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