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Winslet
e DiCaprio: lenços de papel |
| Foto: 20TH Centuty Fox/Merie A. Wallace |
Na semana passada, Titanic, em cartaz há dez semanas nos Estados Unidos e há seis no Brasil, tornou-se o primeiro filme da história a bater a marca de 1 bilhão de dólares de arrecadação. Desde a semana anterior já era o filme mais bem-sucedido de todos os tempos, batendo Parque dos Dinossauros (1993), de Steven Spielberg, que arrecadou 913 milhões de dólares. É um recorde até certo ponto surpreendente, quando se leva em consideração que Titanic, apesar de ser uma superprodução, contraria todos os cânones pelos quais a indústria cinematográfica hollywoodiana tem se pautado nos últimos vinte anos. Desde Guerra nas Estrelas, os estúdios dedicaram os maiores orçamentos a um tipo específico de filme: aquele destinado ao público adolescente masculino e que fosse também capaz de gerar ganhos de merchandising. Traduzindo: filmes de ação que tivessem, de preferência, um argumento capaz de inspirar badulaques. Estão nessa categoria quase todos os filmes dirigidos por Steven Spielberg ou protagonizados por Arnold Schwarzenegger. Titanic contraria essa receita por ser um filme destinado às mulheres no roteiro, a história de amor se sobrepõe à catástrofe e que não alavancou a venda de nenhum produto paralelo, a não ser os livros sobre o episódio que já estavam disponíveis nas livrarias ou foram relançados.
Ao estudar o fenômeno Titanic, executivos da 20th Century Fox, o estúdio responsável pelo filme, chegaram a uma conclusão curiosa. Em estouros anteriores, como Parque dos Dinossauros ou Indiana Jones, a afluência de público era monstruosa nas duas primeiras semanas, para cair gradativamente em seguida. Já em Titanic, nas oito primeiras semanas, o nível de afluência de público permanecia constante. Investigando o fenômeno mais a fundo, chegou-se à conclusão de que isso ocorria porque as pessoas viam o filme mais de uma vez, e esse público que voltava ao cinema era composto primordialmente por mulheres adolescentes em boa parte, suspirando pelo ator Leonardo DiCaprio. No Brasil, sexto maior mercado de cinema do planeta, Titanic já foi visto por 6 milhões de pessoas, e as filas continuam. Já é o terceiro colocado no país em todos os tempos em número de espectadores. Mantendo o ritmo atual, reúne condições de destronar os dois primeiros colocados, Tubarão, que foi visto por 13 milhões de pessoas, e Dona Flor e Seus Dois Maridos, 11 milhões. É interessante lembrar que o filme está no topo não apenas aqui e nos Estados Unidos, mas em mais dezenove países. Além de tudo isso, Titanic poderá contar com um novo impulso no final de março. Indicado a catorze Oscar, deve sair como o grande vencedor da entrega dos prêmios da Academia de Hollywood, o que equivalerá a um novo fôlego na bilheteria. Com todo esse sucesso, é possível que Titanic inaugure uma nova era em Hollywood, o que sempre acontece quando um filme bate todos os recordes. Os estúdios com certeza investirão em filmes românticos, destinados prioritariamente ao público feminino. Haja lenços de papel.
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