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Fotos:
Eugenio Savio![]() |
Thiago Belfort
e a alegria de passear com a família em Poços
de Caldas: sem medo de assaltos, como na São
Paulo "gentil" em que nasceu![]() |
Já se disse que a principal
característica da demografia nacional está no fato de
os brasileiros se concentrarem na costa de costas
para o vasto interiorzão, o sertão, o coração da
pátria. Até pouco tempo atrás, havia bons motivos para
isso acontecer. Universidades reputadas, empregos bem
remunerados, hospitais equipados, redes de supermercados
e shopping centers eram privilégios restritos às
grandes capitais brasileiras. Quem não abrisse mão de
tais serviços era automaticamente obrigado a conviver
com congestionamentos, alto custo de vida, poluição e
violência crescentes. Não é mais assim.
Recém-concluído, um estudo do IBGE com base no
levantamento populacional de 1996 atesta: hoje, o
segmento da população que mais cresce no país está em
181 cidades médias pulverizadas pelo interior, com
população entre 100.000 e 500.000 habitantes. O número
de moradores desses municípios multiplica-se à média
de 2,2% ao ano, 60% maior que o índice nacional, que é
de 1,38%. É o único grupo de cidades com crescimento
demográfico acima da média brasileira, e isso não
acontece porque os habitantes dessas cidades sejam
entusiasmados adeptos de proles numerosas. Caracteriza,
isso sim, uma verdadeira corrida em direção ao
interior, que inverte o fluxo migratório firmado ao
longo de séculos, sempre apontado para as metrópoles
litorâneas do Sul maravilha. As novas mecas são
municípios como Poços de Caldas, em Minas Gerais, São
José do Rio Preto, em São Paulo, Ilhéus, na Bahia,
Maringá, no Paraná, ou Sobral, no Ceará.
"A maioria das pessoas busca no
interior as vantagens da vida urbana que acabaram se
tornando inacessíveis nas grandes cidades", diz o
professor José Guilherme Magnani, coordenador do Núcleo
de Antropologia Urbana da USP. Uma pesquisa do Ibope,
realizada com exclusividade para VEJA, revelou que 41%
dos moradores das capitais e regiões metropolitanas
querem trocar a cidade grande pelo interior, motivados
pelo idílio de ter uma vida mais tranqüila (73% dos
entrevistados) ou se expor menos à violência urbana
(43%) (veja quadro abaixo). Ao todo, são 23,5
milhões de pessoas o mesmo que as populações
somadas dos Estados de Minas Gerais, Santa Catarina e
Espírito Santo querendo mudar de endereço. Os
entrevistados querem tudo aquilo que o crescimento
desordenado usurpou das metrópoles, mas com o emprego e
a infra-estrutura urbana bem ao alcance das mãos. Não
se trata, por isso, de um frugal sonho campestre. Não é
de retorno à vida rural que se está falando. É, antes,
o retorno a uma vida que as grandes cidades brasileiras
ofereciam antes de ser atopetadas de indigentes,
mendigos, criminalidade, tráfico de drogas,
congestionamentos, loucura.
Cidade gentil No
depoimento de Thiago Belfort, de 43 anos, está a
síntese dessa nova onda migratória: "Eu queria
voltar a viver numa cidade gentil como a São Paulo que
conheci na infância, quando podia brincar na rua com os
amigos e passear à tarde na pracinha com meus pais, sem
medo de ser assaltado. Aquela minha São Paulo gentil
também era uma metrópole buliçosa, que oferecia a
nossa família todas as coisas bacanas de uma cidade
grande". Hoje morando em Poços de Caldas, na divisa
de Minas Gerais com São Paulo, Belfort encontrou o que
procurava. Em São Paulo, sua vida era um pesadelo.
Ganhava 6.000 reais como operador do mercado financeiro e
a família tinha um bom padrão. Mas o preço era alto
demais. Belfort perdia duas horas por dia em
congestionamentos e foi assaltado quatro vezes com a
mulher, a publicitária Magali. A tensão era tanta que
ele, diabético, passou a ter crises freqüentes,
motivadas pelo stress. "Estava ficando doente,
então resolvi dar um basta antes que fosse tarde
demais", diz. No ano passado ele abandonou o emprego
e decidiu abrir seu próprio negócio em Poços de
Caldas. Com a ajuda da esposa e das filhas adolescentes,
comanda uma lanchonete incrementada que vende até 150
sanduíches por dia. A renda da família caiu pela
metade, mas o rombo na conta bancária não foi tão
grande assim. Seus gastos com educação foram cortados,
porque a escola particular das meninas, com nível e
equipamentos análogos aos da capital, tem mensalidades
50% menores. Por fim, a família pôde até abrir mão do
automóvel, roubado em uma recente viagem para
sempre ela São Paulo, é claro. "Aqui tudo
é pertinho e podemos andar na rua a qualquer hora sem
ser molestados por ninguém", diz. Belfort trabalha
em média dez horas por dia, mas não reclama da falta de
tempo para curtir a vida com a família. "Em um ano
fomos mais juntos ao cinema do que em toda a última
década vivida em São Paulo", comemora.
| Fotos: Frederic Jean | |
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| Hoje: Depois que se mudou para São José do Rio Preto há um ano, o diretor comercial João Settani gasta apenas dois minutos para chegar ao trabalho. Antes de sair de casa toma banho de piscina. | Antes: Settani morava em um bairro afastado de São Paulo e gastava pelo menos uma hora e meia para chegar ao trabalho. Tinha crises de stress. Para fugir dos congestionamentos, dirigia pelo acostamento, o que é proibido por lei. |
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| Hoje: Ele chega ao escritório, onde comanda, pela Internet, uma rede de revendas Mercedes-Benz. Com menos gente de olho no seu cargo, o trabalho é menos estressante. Os colegas tornaram-se seus amigos. |
| Antes: Settani trabalhava freneticamente e costumava ficar no escritório depois do expediente para colocar a agenda em dia. |
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Hoje: Como tem tempo de sobra, Settani almoça em casa. |
| Antes: Ele mal tinha tempo de engolir um sanduíche porque o telefone celular não parava de tocar. Passava dias sem ver os filhos. |
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| Hoje: Settani volta para casa antes das seis da tarde. Seu programa predileto é caminhar com a esposa, Irene, em uma praça arborizada do bairro onde mora. |
| Antes: O expediente só terminava por volta das oito da noite porque Settani perdia muito tempo no trânsito quando precisava visitar um cliente. Meio-diaSeis horas da tardeOito horas da noite |
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| Hoje: O executivo tem sempre cervejas e picanhas no freezer para preparar churrascos para os amigos que gostam de visitá-lo em sua casa de 980 metros quadrados. |
| Antes: Settani chegava em casa às 9 horas da noite. Cansado, não tinha disposição para ir ao cinema ou encontrar os amigos. Dormia cedo. |
Menor e melhor Essa nova onda migratória só se tornou possível porque o coreto e as pombas da praça central, o céu aberto, o horizonte largo e o ar despoluído ficaram mais perto do mundão. Estão cabeados por TVs pagas, antenados a satélites, plugados na Internet, e o aeroporto é logo ali. Um dos sinais mais marcantes dessa mudança está nos aviões que cruzam os céus do interior. Nos últimos dez anos, o número de vôos regionais saltou de 118.000 para 273.000 por ano. Representam hoje 55% da movimentação aérea do país. Somados, os pousos e decolagens no aeroporto de Ribeirão Preto, um desses novos edens em São Paulo, saltaram de 7.800 para 30.000 operações por ano, 10.000 a mais do que o movimento do aeroporto internacional de Belo Horizonte. Também não é mais necessário usar camisa xadrez e botas de bico fino, andar em camionete e ser fanático por rodeios ou por Xitãozinho e Chororó para encontrar seu nicho cultural pelas boas cidades do interior brasileiro. O consumo de marcas se sofisticou. A Forum, griffe de roupas jovens moderninhas, tem 40% de suas vendas no interior, embora apenas um terço de suas lojas esteja fora das capitais. Os cinemas exibem as estréias de filmes simultaneamente ao cronograma das metrópoles.
A descentralização brasileira tem precedentes internacionais. Um movimento semelhante começou na década de 40 e intensificou-se nos anos 70 partindo de grandes metrópoles mundiais, como Londres, Paris ou Nova York, no fenômeno que os especialistas apelidaram de "reversão de polarização". Na época, um trabalhador dessas cidades ganhava mais do que o dobro de um profissional similar do interior do país. Entupidas de gente (e olhe lá!, porque São Paulo tem hoje 2,4 vezes mais gente do que Londres e quase duas vezes mais do que Paris), os aluguéis tinham subido muito e o trânsito vivia saturado. As grandes indústrias perceberam que era hora de buscar as boas condições de produção do interior, em cidades menores. Nos Estados Unidos, partiram para a Califórnia, Tennessee, Flórida e Alabama. "Um conjunto de prósperas cidades médias emergiu no interior dos Estados Unidos alavancadas pela atividade industrial", diz o professor Clélio Campolina Diniz, do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais. O movimento ainda não terminou e hoje há forte migração para o Texas e o Novo México, onde cidades de 100.000 habitantes surgem do nada em menos de dez anos.
Até a década de 70, São Paulo e Rio de Janeiro preenchiam os requisitos das indústrias como nenhuma outra cidade do país. Atraíram bilhões de investimentos, milhões de imigrantes e problemas a perder de vista. O preço dos terrenos disparou, os sindicatos forçaram a elevação dos salários e a violência crescente expulsou as famílias dos executivos. No final da década de 80, um estudo apontou que os custos com assistência médica na região metropolitana de São Paulo eram 52% mais altos do que no interior do Estado. Outra pesquisa mostrou que os salários da capital eram até 30% mais altos do que a média nacional. Tudo isso tirou a competitividade de muitas empresas, que puseram o pé na estrada, espraiando-se para uma área compreendida entre Belo Horizonte, Uberlândia, Maringá e Londrina, Porto Alegre, Florianópolis e São José dos Campos. "Essa região ampliou sua participação na produção industrial do país de 33% para 51% entre 1970 e 1990", diz o especialista da UFMG.
Dá para fazer isso sem traumas graças às facilidades tecnológicas já disponíveis no interior. Há um ano, João Settani, diretor comercial de uma rede de revendas Mercedes-Benz, mudou-se de São Paulo para São José do Rio Preto, na região noroeste do Estado. Só volta à sua cidade natal para tratar de grandes negócios. A tecnologia é a melhor aliada. Mantém contato com a rede de filiais da empresa espalhada pelo país através da Internet e faz reuniões pelo sistema de videoconferência. O telefone celular é o companheiro de todas as horas. Tudo isso era impensável dez anos atrás. O trabalho fica mais fácil e a qualidade de vida não deixa dúvidas quanto às vantagens da mudança de endereço. Ele e a família moram em uma casa de 980 metros quadrados. A mulher, Irene, joga tênis com as amigas e os filhos freqüentam as colunas sociais locais. Settani tenta esquecer a experiência frustrada que passou há onze anos, quando se mudou da Zona Norte da capital paulista para um condomínio luxuoso na região metropolitana. Não deu certo porque, como ele, milhares de endinheirados tiveram a mesma idéia. A conseqüência foi que a outrora calma Rodovia Castello Branco tornou-se um funil congestionado. Durante algum tempo, Settani pegou carona no helicóptero de um amigo para chegar ao trabalho, mas não deu certo porque à noite ficava sem carro para voltar para casa. Um inferno. Ele teve uma doença de pele de fundo emocional e o relacionamento com a mulher enfrentou dificuldades. A mudança para São José veio a calhar. "Até a minha vida sexual melhorou", diz. "Antes vivia tão estressado que não tinha muita disposição para essas coisas."
Avião de mangas Considerado a vanguarda do atraso até bem pouco, o Nordeste brasileiro passa por um fenômeno semelhante, mas mais intenso. Numa sobreposição de várias frentes de desenvolvimento, uma eficiente agricultura voltada para a exportação ganha terreno simultaneamente ao surgimento de pólos industriais espalhados em torno de cidades médias. Petrolina, às margens do Rio São Francisco na divisa de Pernambuco com a Bahia, é exemplo dessa explosão. O crescimento do pólo de fruticultura irrigada criou fenômenos inusitados, como o movimento de grandes aviões no aeroporto local para o transporte de toneladas de mangas rumo à Europa e aos Estados Unidos. Os sinais dos bons lucros dos empresários locais estão por toda parte. Na orla do rio são construídos edifícios de apartamentos com quatro suítes e três vagas na garagem. A pujança econômica fez a população triplicar desde a década de 70 e a prefeitura estima que 65% dos moradores da cidade tenham vindo de fora. As organizações Carrefour e Paes Mendonça, das redes de supermercados, produzem frutas na região. A Parmalat acaba de comprar uma fábrica por lá. Lentamente, a região tem-se transformado em um pólo produtor de vinho para concorrer com a tradicional hegemonia do Rio Grande do Sul no setor. Graças à alta taxa de insolação e à irrigação, os agricultores colhem até três safras anuais de algumas frutas, como a uva, suprindo a falta do produto no mercado internacional em certas épocas do ano.
Sobral, no interior do Ceará, vive uma explosão econômica semelhante, mas nesse caso impulsionada pelo motor da Grendene, que passou a produzir sapatos na cidade desde 1993 e hoje emprega 6.500 funcionários. Além das quatro fábricas em funcionamento, tem outras duas em construção que irão gerar mais 2.500 empregos. A instalação da indústria atraiu gente de todo o país. De olho nas novas oportunidades de emprego, em 1994 o engenheiro mecânico Tarcísio Benedito Filho, de 29 anos, trocou Fortaleza pela tranqüilidade de Sobral. Seu trabalho de controle de qualidade não é muito diferente do que é realizado em São Paulo ou Belo Horizonte, mas o ganho que teve em matéria de vida com a família é incomparável. Depois que chega do trabalho, Tarcísio coloca a cadeira na calçada e fica conversando com os vizinhos até anoitecer. "Tenho a certeza de que o paraíso real é aqui", diz.
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Tácito
Targa (à frente) com familiares em um de seus motéis: fortuna feita de sexo |
| Foto: Frederic Jean |
A injeção de capital na economia da região tem fermentado uma inédita rede de serviços, como grandes shopping centers, em terras outrora áridas. Há dois anos e meio, o empresário José Geraldo do Nascimento trocou o Recife por Petrolina para comandar uma loja de produtos e equipamentos para fotografia e cativou a clientela oferecendo uma linha mais completa e diversificada de produtos do que as concorrentes locais. "Não é porque moram no interior que as pessoas são menos exigentes", diz ele. "Elas querem qualidade e às vezes pagam mais por isso do que muita gente imagina."
Com tantos milhões de reais a mais, é natural esperar que esses oásis de tranqüilidade sejam contaminados por vícios típicos de megalópoles. Cidades como Londrina, no norte do Paraná, Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, ou Petrolina, na divisa de Pernambuco com a Bahia, já sofrem com o aparecimento de traficantes de drogas e o aumento generalizado da criminalidade. Petrolina, por exemplo, registrou 143 homicídios em apenas um ano. De outro lado, cidades antes ingênuas, em que o máximo de transgressão imaginada era uma escapada rumo ao prostíbulo de luzes vermelhas, num bairro ermo e de má fama, passam a conviver com uma liberalização dos costumes de há muito vista na TV, mas ainda restrita às grandes cidades. Em Sorocaba, há até fortunas geradas por esses novos prazeres. Quando chegou à cidade, em 1982, Tácito Euclides Targa Fernandes tinha dinheiro apenas para comprar 30% de uma sociedade em um pequeno motel afastado. Quatro anos depois dobrou o número de suítes e em 1988 comprou a parte dos sócios. Em sete anos ergueu sua rede de onze motéis. Hoje tem cinco carros na garagem e mora em um luxuoso condomínio fechado onde os amigos se encontram no final de semana para saborear churrascos regados a uísque de primeira. Os oito filhos já viajaram cinco vezes para a Disney. Além do patrimônio construído nas imediações de Sorocaba, ele tem uma fazenda avaliada em 3 milhões de reais no Paraná. São 1.200 hectares com 1.300 cabeças de gado de corte. O novo milionário importou toda a família de São Paulo para ajudar a tocar o negócio. O último a chegar foi o irmão mais novo, o empresário Celso Luís Targa, de 43 anos, que deixou um emprego de gerente de marketing em uma multinacional e um salário mensal de 5.000 reais para tornar-se sócio do irmão nos motéis. A festa no interior está apenas começando.
Com sucursais
A melhor direçãoDe norte a sul do país, dez cidades com até 500.000 habitantes são a expressão do que o interior brasileiro tem de melhor. Elas são tranqüilas, oferecem boa qualidade de vida aos moradores e têm expressiva rede de serviços e negócios que jogam por terra a imagem de que a vida moderna se restringe às capitais
São José do Rio Preto SP
Petrolina PE
Sorocaba SP
Caxias do Sul RS
Sobral CE
Ilhéus BA
Juiz de Fora MG
Joinville SC
Maringá PR
Poços de Caldas
* de três quartos no melhor bairro |
O destino ficou mais próximoO mapa da população brasileira está ganhando contornos inéditos, fruto de um novo padrão migratório. "Ao contrário das últimas duas décadas, quando predominavam as migrações de longa distância, agora os movimentos de curta distância passam a prevalecer", diz a professora Rosana Baeninger, que prepara uma tese de doutorado sobre o tema na Unicamp. Não se deve pensar que a histórica migração de nordestinos para São Paulo tenha sido interrompida. A diferença é que ela já não é tão forte como nos anos 70, quando a capital paulista recebeu 3,5 milhões de migrantes. Na década de 80, a saturação do mercado de trabalho em São Paulo passou a desencorajar as levas de nordestinos rumo ao Sudeste e motivou um número cada vez maior de pessoas a voltar a suas origens (veja mapas abaixo). Entre 1980 e 1990, São Paulo recebeu 1 milhão de migrantes a menos do que nos anos 70, metade vinda do Nordeste. "Na mesma época, 1,5 milhão de pessoas deixou São Paulo, grande parte com destino ao interior dos Estados nordestinos", diz Rosana. Em vez de afluir para o Sudeste, a maioria dos migrantes do Nordeste se movimenta dentro dos próprios Estados da região.
No Sul, ao contrário do que ocorria no passado, Santa Catarina passou a receber gaúchos e paranaenses. E o Espírito Santo é alvo dos migrantes de Minas Gerais e Rio de Janeiro. "As regiões metropolitanas não são mais o destino final da migração, como ocorria na década de 70", explica Rosana. Nos primeiros cinco anos desta década, 5 milhões de brasileiros trocaram de município, mas apenas 6% rumaram para as grandes cidades. |
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