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Livros Uma das mais ferozes
defensoras da liberdade econômica, Ayn
Com heróis impolutos e muita discurseira, os livros da autora não são bem realizados como ficção. "Como toda literatura edificante e de propaganda, são ilegíveis", escreveu o romancista peruano Mario Vargas Llosa, insuspeito defensor do liberalismo econômico. Mas os admiradores da autora não se importam com suas falhas estéticas. Eles são seduzidos pelo ideário radical dos romances. Nascida na Rússia, Ayn Rand tinha boas razões para detestar todas as formas de ingerência do governo na vida privada. Ela viu a farmácia de seu pai ser transformada em propriedade do estado pelos bolcheviques. Exilou-se nos Estados Unidos em 1926, inicialmente tentando a sorte em Hollywood (foi até figurante em um filme de Cecil B. DeMille). Seu primeiro romance de sucesso foi A Nascente (editado no Brasil pela Landscape), de 1943. O livro narra a trajetória do arquiteto Howard Roark, um individualista irredutível. Vagamente inspirado no arquiteto modernista Frank Lloyd Wright, Roark não é um personagem é a demonstração de uma tese, a saber: o egoísmo é a força motriz da criatividade, e o altruísmo é um empecilho ao desenvolvimento pleno do indivíduo. O sucesso de A Nascente e de Atlas Shrugged transformou Ayn numa espécie de papisa do liberalismo econômico (Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve, o banco central americano, foi um de seus discípulos). Fiel à moral voluntarista de seus livros, a autora vivia segundo as próprias regras e vontades. Com 50 anos, tornou-se amante de um jovem aluno com metade de sua idade e convocou uma reunião para comunicar o fato à mulher do amante e ao próprio marido. A escola de Ayn Rand converteu os princípios de liberdade de mercado em uma ortodoxia draconiana. As recentes intervenções econômicas do governo americano sejam de Bush ou de Obama costumam ser histericamente tachadas de "socialistas" pelos institutos e centros de estudos inspirados pelo objetivismo. No entanto, há certas ideias da autora que não são totalmente compatíveis com o capitalismo. O desprezo pelo homem comum que seus romances destilam é contrário ao imperativo fundamental do mercado servir à demanda dos consumidores. "Não pretendo construir para ter clientes, pretendo ter clientes para construir", diz o herói arquiteto de A Nascente. Não é exatamente o tipo de estratégia que garanta o sucesso empresarial.
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