Assombração nacional

O aumento acelerado das demissões começa a
provocar inquietação no Brasil

Eliana Simonetti e Ricardo Grinbaum

O bicho se chama desemprego e está à espera, na sala de jantar. Já se transformou no terror fixo de muita gente e não pára de engordar. Em 1997, a taxa de desemprego foi quase 50% maior do que em 1990, ano em que o país estava em recessão e o dinheiro, preso nos cofres do Plano Collor. Pelo visto, continuará a papar empregos. No governo calcula-se que a taxa crescerá para 7% em 1998. Há consultores que apostam numa alta do desemprego ainda maior, de até 9%. Para o padrão brasileiro, os cálculos são espantosos. Os 7% previstos batem com a taxa de 1981, quando o país quebrou. A taxa de 9%, então, esta é inédita.

O índice brasileiro ainda é ameno, do ponto de vista aritmético, em comparação com países onde o problema se tornou mais agudo. Na Espanha, 22% dos trabalhadores estão de braços cruzados. Na Alemanha, são 12%. A questão é que o país nunca assistiu a um crescimento tão rápido das demissões, nem está acostumado a índices tão altos. Isso atinge a sensibilidade nacional, estica o nervo das pessoas. Segundo uma pesquisa feita na semana passada pelo Ibope, a pedido da Confederação Nacional das Indústrias, CNI, 63% dos entrevistados temem perder o emprego. É um índice alarmante do ponto de vista da psicologia da nação.

Até o final de dezembro, a acreditar numa taxa de 7%, haverá 5 milhões de brasileiros que, mesmo sendo aptos para o trabalho, estarão sem ocupação fixa. Desta vez, não é apenas o peão de obra ou o metalúrgico sem qualificação que enfrentam a onda de despejo, como nas recessões clássicas do passado. É também o sujeito da classe média que perdeu a colocação de supervisor ou gerente e está tonto diante de um processo novo no Brasil, difícil de entender.

"O Brasil já foi afetado na primeira onda da crise asiática."
Foto: Paulo Jares  
George Soros, megainvestidor americano de origem húngara

No chão da fábrica, o operário viu a instalação do tear a jato, quinze vezes mais veloz do que a sua velha máquina. No dia seguinte recebeu o chamado do departamento de pessoal. A fábrica ficou melhor, mas ele procura uma colocação que parece cada vez mais rara. No escritório, o gerente do almoxarifado perdeu o lugar para um software que trabalha melhor e mais rápido. Uma loja funciona hoje com metade dos caixas se estiver equipada com leitores de código de barras. As pessoas lêem que a economia está melhor, mais produtiva, com preços em queda e bilhões de dólares aportando para erguer empresas e tudo isso é verdade. Do outro lado, vêem o facão operando sem parar. O novo padrão econômico mundial é de alta eficiência, baixo custo, tremenda competição. O Brasil mergulhou de cabeça nessa nova era a da internacionalização ou globalização da economia muito rapidamente e ainda está com a pele ardendo.

O trampolim foi o Plano Real, de julho de 1994. Para o cidadão, o mergulho foi assustador. Se ele já não perdeu o emprego para um código de barras, está ameaçado por exigências desconhecidas. Querem que fale inglês fluente, pois o manual, o cliente ou o fornecedor são estrangeiros. Esperam ou melhor, exigem que saiba lidar com computador, seja criativo, flexível, inquieto. Isso quando não perguntam ao candidato a uma vaga se ele, por acaso, teve a interessante experiência de viver alguns anos no exterior. Sinta o drama: o paulistano Ademir Aparecido Ferrari, administrador de empresas e contador com vinte anos de experiência profissional, procura emprego há três semanas. Apareceram três chances e foram três decepções. "Me descartam assim que sabem que só falo português. Desisti da última entrevista porque ela seria feita em inglês", conta Ferrari.

As novas exigências mordem de um lado. As máquinas e os programas de computador mordem do outro. Nos anos 80, os ferramenteiros eram uma elite operária. Eles fazem os moldes para as peças de automóveis e outros produtos da indústria. Seu inimigo atual são máquinas computadorizadas que limam, fresam, moldam, lixam, sob o comando de um computador. O ferramenteiro Dorival Tavares, 51 anos, fez moldes durante 27 anos, até que perdeu o emprego em 1991 para uma dessas máquinas. Hoje vive de bico em sua casa em Itaquera, São Paulo. Nunca mais conseguiu trabalho fixo. "Procuro serviço de manhã e, de tarde, faço uma coisa ou outra para arranjar dinheiro", conta.

O mundo do trabalho sofre impactos de todos os lados. O país entrou em regime de privatização em 1991, com a venda da Usiminas. Não dava mais para carregar empresas deficitárias nem havia dinheiro para modernizá-las. Cerca de 50.000 pessoas perderam o emprego no processo de privatização das sete maiores estatais. Dez anos atrás havia 1 milhão de bancários. Sobraram 470.000. Ocorreu também a pancada da abertura comercial. De um momento para o outro, as importações subiram de 20 bilhões de dólares ao ano para um volume três vezes maior. Os produtos importados modificaram a economia de dois modos. Forçaram as empresas brasileiras a baixar seus preços (e seus custos) e devastaram setores sem capacidade de concorrência. As fábricas de calçados do Rio Grande do Sul empregavam 91.000 pessoas em 1993. Sob o impacto das importações, só restam 60.000 ocupados. Há seis anos, a indústria têxtil empregava 2,1 milhões de trabalhadores. Estarrecedor: pelas contas de hoje, 1,3 milhão de operários do pano foram para a rua nesse período.

O que mais sacrifica o emprego é a competição. De tudo o que se importa, cerca de 70% são novas máquinas, matérias-primas e componentes. A indústria brasileira passa por uma ducha de renovação como nunca se viu. Teve de se modificar para não desaparecer diante de produtos estrangeiros que surgiram no horizonte com preço muito mais baixo. E, muitas vezes, qualidade melhor. Durante décadas a Caloi e a Monark, fabricantes de bicicletas, deitaram em berço esplêndido. Reinavam sozinhas num país de população enorme e, na maioria, com nível de renda incompatível com a aquisição de um automóvel. Em 1994 começaram a aparecer bicicletas importadas, vendidas a 200 dólares. O preço das bicicletas Caloi, nesse momento, era de 350. Caiu para 150 dólares. A companhia, que fabricava todas as peças no país, compra hoje componentes no exterior pela oferta melhor. Se, por hipótese, o guidão barato é fabricado na China, para lá se voltam os compradores da indústria. Caso os tailandeses façam mais em conta, a encomenda muda imediatamente de país.

"O Brasil parece maduro para um risco financeiro."
Foto: Lalo de Almeida  
Jeffrey Sachs, economista e diretor do Instituto de Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard

A economia internacional hoje funciona dessa maneira. Nos últimos 25 anos, o comércio mundial subiu de meio trilhão de dólares ao ano para 6 trilhões. Os preços de muitos produtos industrializados também estão em queda, em função dos ganhos tecnológicos. Uma calota feita para a indústria automobilística custava 9 dólares no começo da década. Produzida por novas máquinas, seu preço caiu para 3. Um metro de brim custava 6 reais há cinco anos. Com os novos teares, o preço baixou para menos de 4. Para sobreviver nesse ambiente, as empresas perderam a bandeira da pátria e ignoram fronteiras. Transformaram-se numa força impressionante. Há trinta anos, existiam 7000 multinacionais. Hoje, há 39.000, com 270.000 subsidiárias.

Essas empresas instalam suas fábricas onde o preço da mão-de-obra for mais barato e as normas que regem o sistema de emprego, mais flexíveis. Trocam peças entre suas subsidiárias, compram matéria-prima onde o preço estiver bom. O Brasil ficou fora desse jogo por muito tempo. Tornou-se pesadão, lento. Agora é um dos competidores e tem de manter o corpo esguio e ágil. O desemprego é uma das fichas que se pagam para entrar no jogo internacional, mas não há alternativa. Do processo de globalização só escapam economias arcaicas, como a cubana. Os que entram na partida correm riscos e às vezes quebram como acaba de acontecer com os Tigres Asiáticos , mas podem voltar à tona com certa facilidade, como ocorreu com o México depois de 1994. Já os que ficam de fora empobrecem e, no fim das contas, sacrificam muito mais suas populações.

A interligação das economias e a modernização das empresas têm efeitos diferentes entre os países. A Ásia acabou de quebrar por problemas financeiros. A Europa e o Japão estão estagnados. Os Estados Unidos, com flexibilidade, criatividade e rapidez de reação, não apenas crescem com inflação sob controle. O emprego por ali está aumentando. A situação do Brasil não é tão boa quanto a dos Estados Unidos, mas é menos grave do que em outras regiões no que diz respeito ao emprego.

A situação provocada pela abertura econômica e pela modernização da indústria ganhou contornos mais preocupantes depois que a crise na Ásia obrigou o governo a tomar medidas de esfriamento da economia. O Brasil, cuja bolsa de valores era a primeira em crescimento no mundo, que tinha indústrias como a automobilística e a de eletroeletrônicos expandindo-se a ritmo chinês, de um momento para outro caiu para um patamar zero de crescimento, com menos contratações e mais demissões. Além disso, o investidor estrangeiro tornou-se mais cauteloso.

Foto: Frederic Jean
Sidney Nascimento, ex-metalúrgico, Teresa Cristina Medeiros, ex-secretária, e Carlos Donizete de Lima, ex-bancário, todos de São Paulo, hoje trabalham na TMKT, empresa que vende produtos de terceiros por telefone. Desempregados, procuraram trabalho em suas áreas, sem sucesso. O ramo de vendas é muito diferente, mas o salário praticamente empata. "Descobri que sou muito melhor vendedora do que secretária", diz Teresa Cristina.

As demissões estão acontecendo e vão continuar por mais algum tempo. Mas, se nenhuma calamidade ocorrer, o desemprego pode até diminuir num prazo mais longo. Os analistas vêem o país como um território que será reconstruído. Haverá necessidade de mão-de-obra para recuperar estradas, expandir redes de energia elétrica, construir casas, porque falta tudo no Brasil, até mesmo redes de esgoto e sistemas de transporte ferroviário decentes, para não falar em construção de aeroportos, portos, redes de metrô.

Há setores em que a atividade econômica apenas começou caso da telefonia celular ou da exploração, refino e transporte de petróleo, liberados pela lei que aboliu o monopólio da Petrobrás. Existe também o campo vasto e desperdiçado do turismo e das atividades de entretenimento. De acordo com um estudo da Bain & Company, consultoria empresarial americana com escritório em São Paulo, o emprego em atividades de entretenimento pode crescer 70% nos próximos dez anos, se as coisas continuarem como estão. A própria modernização industrial, que está demitindo, é capaz de gerar empregos indiretos mais tarde, pois produzirá renda e consumo. "As tecnologias que economizam mão-de-obra provocam demissão onde ocorrem, mas podem criar oportunidades de trabalho em outras áreas em diferentes modalidades", diz o economista José Pastore, um dos maiores especialistas em emprego e trabalho do país.

Essa será uma das transformações marcantes da virada econômica. O emprego está diminuindo na indústria, mas crescendo no setor de serviços, que já representa mais da metade do produto interno bruto, PIB. É uma tendência mundial. Nos Estados Unidos, que têm o maior parque industrial do mundo, 80% do PIB vem da área de serviços. É ela que está segurando parte dos demitidos da indústria brasileira. Numa empresa de telemarketing de São Paulo, a TMKT, trabalham 290 operadores, fazendo vendas telefônicas para a Amway, Unibanco, IBM e American Express. A força de trabalho é formada por ex-metalúrgicos, ex-bancários, ex-secretárias, ex-professores. O salário varia de 400 a 1500 reais. "Boa parte do nosso pessoal veio de setores que desempregaram muita gente", diz o presidente da TMKT, Alexandre Jau.

Com apoio em problemas como desemprego, abertura comercial, quebra financeira dos países asiáticos, debate-se muito sobre o rumo escolhido pelo Brasil. O Plano Real trouxe todos esses riscos, mas os seus críticos até agora não apresentaram uma alternativa consistente para substituí-lo. O fato é que ele mudou a feição da economia, que passou catorze anos imersa até a cintura num atoleiro. O país estagnado nos anos 80 e início dos 90, mergulhado numa inflação que chegou ao pico de 2.567% em 1993, transformou-se numa terra atraente para o investimento estrangeiro. Uma das razões óbvias, sem a qual nada de positivo teria acontecido, foi a vitória do Plano Real contra a inflação. Neste ano, prevê-se, a inflação brasileira ficará em apenas 3%. Em 1993, início do governo Itamar, o Brasil recebeu somente 1,6% dos investimentos destinados pelos países ricos às nações emergentes. A taxa cresceu para 6,7% em 1996 e deve ter subido ainda mais no ano passado.

Do Real para cá, chegaram 30 bilhões de dólares para novas fábricas, ou compra de companhias nacionais. Entre as regiões em desenvolvimento, o Brasil ocupa o segundo lugar na preferência estrangeira, atrás da China. O interesse não diminuiu com a crise asiática. Uma pesquisa feita pela consultoria Price & Waterhouse em Nova York, com 100 multinacionais americanas de médio porte, mostrou que elas pretendem investir no Brasil, apesar do que aconteceu na Ásia. Pelo tamanho do mercado brasileiro e pelo bom desempenho econômico do país como um todo, 92% dos entrevistados pela Price consideraram o Brasil como a economia mais atraente da América Latina.

Foto: Fernando Vivas
O engenheiro químico Albério Araújo Guimarães, da Bahia, trabalhava no pólo petroquímico de Camaçari acompanhando todas as fases da produção de cloro, soda cáustica, hidrogênio e hipoclorito de sódio. Foi demitido em 1993, aos 31 anos de idade, e nunca mais conseguiu emprego no seu ramo de atividade. Hoje é revendedor de modelos de avião, helicóptero, lancha e carro com controle remoto em Salvador.

Foi esse o prêmio mais visível da estabilização econômica, ainda que ela tenha tornado a economia vulnerável a choques externos. A virada foi dramática, angustia muita gente, mas colocou os brasileiros em situação melhor. Durante os anos 80, em governos que perderam o prumo e o bom senso, a população recebeu na pele cinco choques de preço que só fizeram aumentar a inflação e diminuir a oferta de bens. Uma moratória e seguidas quebras de promessas ao FMI deram ao país o rótulo de caloteiro no mercado internacional. As montadoras de carros do ABC, um de seus orgulhos industriais, amoleceram e durante anos empurraram para o consumidor seus Opala, Chevette e Corcel a preços altíssimos. Foi o custo da fronteira fechada, da correção monetária e do descaso pelo investidor estrangeiro.

O país pagou por ter demorado muito a se arrumar, e continuará pagando por mais algum tempo sobretudo na moeda do desemprego. "Somos seguidores sofridos de uma receita que deveria ter sido adotada há mais tempo", diz Luís Roberto Martins, sócio da Booz Allen, empresa de consultoria americana com escritório em São Paulo. Mas os benefícios desse novo rumo são tão visíveis quanto as dificuldades. Em três anos e meio, cerca de 10 milhões de pessoas, que consumiam apenas o básico, ganharam renda para comprar mais. Isso equivale à população de três Uruguais ou dois Paraguais. A venda de leite longa vida, chocolate, iogurte, xampu, amaciante de roupa, fralda descartável, forno de microondas, lavadora de roupa, geladeira, videocassete, aspirador de pó e televisão em cores cresceu 30% ao ano.

Fonte: IBGE

O sinal da inflação em queda e do consumo em alta iluminou as companhias multinacionais cuja presença crescente no país é uma das peças da nova estratégia brasileira. Há um mercado admirável, um dos maiores do mundo, formado por pessoas ainda sem acesso a muitos bens. Um estudo da economista Maria Helena Zockun, consultora da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, a Fiesp, mostra que 25% das casas ainda não têm geladeira, menos de 10% contam com fornos de microondas. Há no Brasil apenas um veículo para cada onze pessoas, índice bem menor do que o da Argentina e o do México.

As companhias transnacionais estão vindo para cá atraídas por esse potencial de consumo, e por dois outros fatores. Um deles é a rentabilidade observada no Brasil. De acordo com outro levantamento feito por Maria Helena Zockun, para cada milhão de dólares aplicado no país por multinacionais, o retorno foi de 230.000, ou 23%, entre 1992 e 1995. A média do retorno nos países em desenvolvimento foi de 15,7%. O outro é o Mercosul, o mercado comum que os brasileiros formaram com os uruguaios, paraguaios e argentinos. Quem se instala num dos quatro países tem acesso privilegiado ao mercado dos outros, e vantagem sobre aqueles que tentam exportar a partir de outra base.

Foto: Eugenio Savio
O tecelão José Antônio de Almeida, de 41 anos, está desempregado há dois anos e três meses, desde que foi demitido da Companhia Têxtil Cedro Cachoeira, uma das mais tradicionais fábricas de tecidos de Minas Gerais. "Eu me senti como um passarinho fora da gaiola, sem saber voar", diz. Ele não consegue emprego porque não tem o 1º grau completo. "As exigências hoje são muito maiores do que quando comecei a trabalhar."

A invasão das multinacionais tem sido impressionante. Está mudando o perfil da economia. Em 1992 aconteceram apenas 21 fusões ou aquisições entre empresas estrangeiras e brasileiras, de acordo com uma pesquisa da consultoria KPMG. Em 1997 foram 204 negócios, aumento de 1000%. Das 500 maiores empresas listadas em 1994 pela publicação Melhores e Maiores, da revista Exame, 32% eram estrangeiras e 44% de capital nacional. Em 1996, a proporção se inverteu: 44% já eram estrangeiras, contra 36% de capital nacional.

Foto: Frederic Jean
O paulista Rubens Rocha Pimentel (à esq.), de 44 anos, é economista e já foi gerente financeiro dos bancos Safra, Itaú, Unibanco e Excel. Está desempregado há cinco meses. Nesse período, fez em média uma entrevista por semana, em busca de trabalho. "Sou ótimo em matemática financeira. Todas as vezes perdi a vaga porque não sei inglês", diz. Marcos Possari, da Prime Perfil (à dir.), sugere que ele se torne consultor.

Os prognósticos positivos sobre emprego e desenvolvimento no Brasil podem-se realizar se a economia internacional conseguir superar a crise asiática e retornar a um passo estável. As previsões favoráveis dependem também de questões específicas do Brasil, como o controle do déficit público e da balança comercial. Para alguns economistas respeitados, o Brasil pode terminar num redemoinho igual ou pior do que o asiático a partir de um ataque especulativo ao Real. Não é provável, dadas as condições atuais mas é útil saber que o risco existe.

Com sucursais

Nove regras de sobrevivência

Conceitos como carreira, estabilidade, promoção por tempo de serviço estão desaparecendo. As empresas valorizam mais quem não se acomoda num único emprego, mas procura aprimoramento contínuo. Hoje se recomenda que a pessoa não fique mais de cinco anos no mesmo emprego.
É preciso ter conhecimento especializado em pelo menos uma área, além do conhecimento básico das outras áreas da empresa. Quem conhece um pouquinho de cada coisa, mas nada em profundidade, está perdendo a importância.
O técnico também precisa mudar. É bom que ele tenha noções de vendas, administração, mercado. Marca ponto se consegue abrir uma oportunidade de negócio para a companhia.
É necessário antecipar as mudanças e preparar-se para elas. Um bom conselho é fugir dos setores que não dão lucro, ou estão em decadência, ou a caminho da terceirização.
Informação geral é preciosa, mesmo para um técnico. A leitura precisa acrescentar alguma coisa às necessidades do trabalho, ainda que seja um vocabulário melhor.
O profissional deve melhorar seus conhecimentos por conta própria. A iniciativa é bem vista pelas empresas. Cada vez menos elas promovem cursos de reciclagem ou pagam aula de inglês.
Um engenheiro pode transformar-se num bom vendedor, uma economista pode ganhar um salário maior como secretária. Nenhuma habilidade deve ser desprezada, preconceitos podem atrapalhar o trabalho.
Boas oportunidades de trabalho não existem só em cidades grandes. No interior do país há carência de profissionais.
O conhecimento de inglês está sendo cada vez mais exigido. Cerca de 90% do material técnico à disposição dos profissionais é em inglês. Conhecimento de informática é essencial.




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