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Edição 2099

11 de fevereiro de 2009
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Carta ao Leitor
Como gastar a popularidade

Tasso Marcelo/AE
Ele não sai de foco
Lula tem seu "desempenho pessoal" aprovado por 84% dos brasileiros. Por que não gastar uma parte desse crédito com o que é preciso ser feito?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua, no começo deste sétimo e penúltimo ano de governo, com o prestígio insubmergível a marolinhas ou procelas dos escândalos passados e da crise financeira atual. De acordo com a última pesquisa nacional da CNT/Sensus, Lula volta a aparecer com índices estratosféricos de popularidade. Nada menos do que 84% dos entrevistados aprovam seu "desempenho pessoal", e os que consideram seu governo ótimo ou bom são 72,5%. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista, a aprovação ao presidente não é resultado da anestesia dos cidadãos em relação ao momento difícil que o país atravessa em consequência da crise planetária. A mesma pesquisa, como mostra a reportagem publicada na página 59 desta edição de VEJA, revela que os brasileiros já começam a sentir efeitos negativos no dia-a-dia, com influência sobre suas expectativas, francamente menos otimistas, quanto ao desempenho da economia neste ano.

O fato de a popularidade de Lula permanecer alta mesmo quando o vento sopra em contrário deve-se a uma combinação de elementos. Além de ter-se demonstrado refratário a aventuras na condução da política econômica e sensível às iniquidades sociais, ele soube conservar, no poder, aquele tipo de espontaneidade tão ao gosto do povo brasileiro – que, em seu carinho pelo presidente, também parece ter estendido um cordão sanitário ao seu redor, isolando-o dos malfeitos de aliados e correligionários. Ter um presidente querido e respeitado é, decerto, algo a ser comemorado. E não só por ele. Colocado a serviço dos enormes desafios que a crise mundial nos propõe atualmente, o imenso crédito de simpatia angariado pelo presidente pode ajudar a administrar os remédios, quase sempre amargos, necessários ao aprimoramento do governo e do arcabouço tributário, trabalhista e jurídico do país. Que tal, presidente, começar a gastar um pouco da popularidade com medidas que contenham os custos de uma máquina estatal ineficiente e perdulária?

 



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