Carta ao Leitor
Como
gastar a popularidade
Tasso
Marcelo/AE
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Ele
não sai de foco Lula tem seu "desempenho
pessoal" aprovado por 84% dos brasileiros. Por que não gastar uma
parte desse crédito com o que é preciso ser feito? |
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva continua, no começo deste sétimo
e penúltimo ano de governo, com o prestígio insubmergível
a marolinhas ou procelas dos escândalos passados e da crise financeira atual.
De acordo com a última pesquisa nacional da CNT/Sensus, Lula volta a aparecer
com índices estratosféricos de popularidade. Nada menos do que 84%
dos entrevistados aprovam seu "desempenho pessoal", e os que consideram
seu governo ótimo ou bom são 72,5%. Ao contrário do que pode
parecer à primeira vista, a aprovação ao presidente não
é resultado da anestesia dos cidadãos em relação ao
momento difícil que o país atravessa em consequência da crise
planetária. A mesma pesquisa, como mostra a reportagem publicada na página
59 desta edição de VEJA, revela que os brasileiros já
começam a sentir efeitos negativos no dia-a-dia, com influência sobre
suas expectativas, francamente menos otimistas, quanto ao desempenho da economia
neste ano.
O fato de a popularidade de
Lula permanecer alta mesmo quando o vento sopra em contrário deve-se a
uma combinação de elementos. Além de ter-se demonstrado refratário
a aventuras na condução da política econômica e sensível
às iniquidades sociais, ele soube conservar, no poder, aquele tipo de espontaneidade
tão ao gosto do povo brasileiro que, em seu carinho pelo presidente,
também parece ter estendido um cordão sanitário ao seu redor,
isolando-o dos malfeitos de aliados e correligionários. Ter um presidente
querido e respeitado é, decerto, algo a ser comemorado. E não só
por ele. Colocado a serviço dos enormes desafios que a crise mundial nos
propõe atualmente, o imenso crédito de simpatia angariado pelo presidente
pode ajudar a administrar os remédios, quase sempre amargos, necessários
ao aprimoramento do governo e do arcabouço tributário, trabalhista
e jurídico do país. Que tal, presidente, começar a gastar
um pouco da popularidade com medidas que contenham os custos de uma máquina
estatal ineficiente e perdulária?