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Livros
O
francês carioca
Mostras
de arte, biografia de Lily Marinho,
Guggenheim, literatura? O Romaric está lá

Marcelo
Marthe
Oscar Cabral
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| Romaric
Büel: banho de sal grosso para afastar os maus fluidos
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Oriundo
de uma família cujas raízes remontam ao século
XV e ex-integrante do serviço diplomático de seu país,
o francês Romaric Büel encontrou no Brasil a sua verdadeira
casa. "A vivacidade dos brasileiros me arrebatou", diz ele. Radicado
no Rio de Janeiro há cerca de dez anos, Romaric transformou-se
no que se convencionou chamar de agitador cultural. Sua principal
atuação é no campo das artes plásticas.
Ele esteve por trás de mostras vistas por 15 milhões
de pessoas, como as retrospectivas de Rodin, Monet e Renoir. Seu
feito mais recente foi ajudar a tornar viável a retrospectiva
de Pablo Picasso em cartaz atualmente em São Paulo: ele fez
a ponte entre a BrasilConnects, organizadora da mostra, e o Museu
Picasso, de Paris. "Sem mim, a exposição não
sairia", afirma. Aos poucos, Romaric também se aventura em
um outro campo: a literatura. Seu romance de estréia, O
Lírio e a Quimera, lançado em 2002, narra os amores
de uma aristocrata francesa no Brasil do século XIX. No recém-publicado
Do Leito da Minha Mãe, o tema é a relação
edipiana de um garoto mimado com sua mãe (leia trecho).
Trata-se de uma história amena na Paris da belle époque,
em que chamam atenção os dotes do autor para descrever
os modos da alta burguesia sobretudo as mulheres.
A
família de Romaric é de origem suíça.
"Um de meus ancestrais era íntimo de Beethoven", diz. Ele
chegou ao Rio em 1993, como adido diplomático francês,
e tornou-se presença requisitada na sociedade carioca. Em
pouco tempo, já era destaque de escola de samba: desfilou
em 1995 como uma reencarnação de Jean-Baptiste Debret,
o pintor francês que retratou o Brasil do século XIX.
Ao ser convocado para um posto diplomático em Berlim, preferiu
pedir demissão e ficar no Rio. Romaric obteve a cidadania
brasileira e abriu uma empresa de produção cultural
que lhe tem garantido bons negócios e algumas controvérsias.
Em 1999, ele teve uma rusga com a então diretora do Museu
Nacional de Belas-Artes, Heloísa Lustosa, por causa da mostra
do impressionista Claude Monet. Em 2002, o francês entrou
na confusão que cerca a construção do Museu
Guggenheim no Rio e despertou a ira do prefeito Cesar Maia. O alcaide
carioca qualificou Romaric de "guia cultural de madame".
Aos
51 anos, Romaric divide seu apartamento no Flamengo com três
mulheres. Uma delas é Perla Mattison, socialite octogenária
que ficou em dificuldades financeiras com a morte do marido. Nos
anos 40 e 50, ela abalava o jet set internacional com sua beleza
e tornou-se íntima de celebridades como o estilista dominicano
Oscar de la Renta. "Sempre que encontro Oscar, ele pergunta: E Perla?
E Perla?", conta Romaric. As outras mulheres da casa são
as domésticas Alice e Joaquina, que ele chama de "babás".
"Quando alguém quer me atingir, uma das babás me dá
um banho de sal grosso", diz.
Romaric
encontrou em Lily Marinho, viúva do empresário Roberto
Marinho, da Rede Globo, uma de suas interlocutoras mais entusiasmadas.
O ponto em comum entre ambos é o amor pela França,
que também é o país de origem da mãe
dela. "Nossas conversas têm como tema a defesa da língua
francesa no Brasil. Já defini com Romaric a próxima
tarefa: como apoiar a Aliança Francesa e as redes públicas
na difusão do francês", diz ela. Romaric atua como
consultor no livro que Lily está preparando. O tema principal
é o romance dela com Roberto Marinho. Da própria lavra,
o escritor deve lançar quatro romances que darão seqüência
a Do Leito da Minha Mãe e uma série de crônicas
sobre o Rio de Janeiro. Ele vislumbra ainda outro projeto. "Gostaria
de escrever algo maior sobre essa mulher extraordinária,
que poderia ter o seguinte título: Lily Marinho, um Retrato
Itinerário de uma Franco-Brasileira", diz.
| Eu
quero colo |
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"O
ogro abrira sua bocarra e avançava ameaçador.
Não me veio a voz para gritar, pedir ajuda. Fugir,
era preciso correr para escapar daqueles dentes luzidios
como lâminas de punhal. Peludo, disforme, enorme,
ele se aproximava fazendo estremecer o chão.
Em sobressalto, despertei do pesadelo, encontrei-me
em minha caminha de criança. Ocorreu-me então
que mamãe não me abandonara, devia estar
dormindo naquele leito de rainha, no meio de travesseiros
de pluma.
O que aconteceu, Pierre? Estás chorando!
Vem aqui no colo da mamãe."
Trecho
de Do Leito da Minha Mãe
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