Edição 1840 . 11 de fevereiro de 2004

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Medicina
Só para mulheres

A Associação Americana do Coração lança
cartilha de prevenção de doenças cardíacas
endereçada exclusivamente ao sexo feminino


Paula Neiva

VEJA Saúde: reportagens e links sobre doenças cardíacas

Pela primeira vez, a Associação Americana do Coração elaborou uma cartilha de prevenção contra doenças cardiovasculares endereçada exclusivamente às mulheres. Divulgadas na semana passada, as novas diretrizes resultam da evidência de que o coração feminino e o masculino requerem cuidados específicos. Entre as mulheres, por exemplo, a depressão ganha destaque na lista dos principais fatores de risco para os males cardíacos – ao lado do colesterol alto, sedentarismo, hipertensão e tabagismo, entre outros. Relacionada a 45% dos infartos, a depressão ataca duas vezes mais mulheres do que homens. Além disso, a apatia típica dos quadros depressivos dificulta a adesão das pacientes ao tratamento – e, conseqüentemente, o seu sucesso.

Até então, as mulheres tinham de se pautar por recomendações feitas a partir de pesquisas em que apenas 25% dos participantes eram do sexo feminino. Depois de revisar mais de 8.000 estudos científicos sobre a incidência das causas de doenças cardíacas nos dois sexos, os cardiologistas americanos chegaram à conclusão de que nem todas as recomendações feitas aos homens se aplicavam às mulheres. Na última cartilha, publicada em 2002, sugere-se que homens e mulheres consumam uma dose diária de aspirina, como forma de reduzir o risco de infarto e derrame. A regra, como se viu agora, não vale para todas as mulheres. A droga não deve ser prescrita a pacientes com pouca probabilidade de sofrer do coração (veja quadro). Conforme os especialistas, não há provas suficientes que justifiquem o uso da aspirina por essas mulheres. Nesse caso, é melhor não arriscar, já que o consumo desse medicamento pode causar úlceras e hemorragias.

 
Mais um exame

Médicos alemães descobriram que uma substância, detectável por intermédio de exame de sangue, pode indicar a probabilidade de uma pessoa vir a sofrer infarto ou derrame. Trata-se da proteína PlGF. Em excesso, ela sinaliza uma inflamação nos vasos sanguíneos, desencadeada pelo acúmulo de gordura nas paredes das artérias. Os pacientes com altas taxas de PlGF no sangue tiveram até 15% mais infartos nos seis meses posteriores à medição da proteína. Outra proteína que indica inflamação nas artérias é a C-reativa ultra-sensível. Sua medição é uma das principais ferramentas usadas atualmente para detectar o risco de problemas cardíacos. Conforme o estudo alemão, a análise da PlGF pode ser mais precisa do que a da C-reativa. O trabalho analisou as amostras de sangue de cerca de 1.000 pacientes vítimas de angina e foi publicado na revista científica Journal of the American Medical Association, da Associação Médica Americana.

 
 
 
 
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