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Ambiente
Tem gringo no mato
Mais
de 10 000 estrangeiros
trabalham na Amazônia.
E isso é bom

Leonardo
Coutinho
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| Da
esquerda para a direita, os pesquisadores americanos Mittermeier,
Laurance, Schwartzman e Nepstad |
Se
o interesse e a presença de estrangeiros na Amazônia
fossem mesmo o problema que tanta gente gosta de levantar, seria
tarde para tomar alguma providência. Mais de 10 000 pessoas
de nacionalidade não brasileira já vivem ou freqüentam
regularmente a região, compondo uma comunidade com formação
intelectual suficiente para governar a área provavelmente
com mais bom senso do que fazem muitos dos políticos locais.
Nessa turma há jornalistas, executivos, estudantes, militares,
ambientalistas e principalmente cientistas pesquisando as características
e os benefícios que se podem obter da biodiversidade da floresta.
Para desgosto de madeireiros que acabam de lançar uma campanha
de outdoors xingando os militantes do Greenpeace de bêbados
e de generais que chegam a recusar ajuda internacional para combater
incêndios florestais, o fato é que essa gente contribui
mais para o desenvolvimento do país e da região do
que boa parte dos proprietários de terras e instrutores de
manobras lotados na área.
Para
ficar apenas no caso dos cientistas, alvos freqüentes de insinuações
sobre biopirataria e submissão a interesses de outros países,
basta conferir a lista de pesquisas relevantes realizadas na região
para descobrir que quase não existe projeto sem um ou dois
estrangeiros na equipe. Entre outros exemplos, há o do americano
William Laurance, do Smithsonian Tropical Research Institute, que
lidera estudos sobre o futuro da Amazônia com o desmatamento
e a ocupação humana. Stephan Schwartzman, da organização
não-governamental Environmental Defense, monitora a aplicação
dos recursos de bancos internacionais em projetos ambientais no
Brasil e tem no currículo a apresentação de
Chico Mendes ao mundo. Antes que o líder seringueiro fosse
famoso no Brasil, Schwartzman o levou ao Banco Interamericano de
Desenvolvimento, nos Estados Unidos, onde suas idéias começaram
a ganhar repercussão. Outro americano, Daniel Nepstad, fundador
do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, veio pesquisar
a regeneração de florestas em 1984, acabou se radicando
no país e desenvolveu um modelo de estudo dos efeitos das
secas que está desembocando num sistema de previsão
de queimadas.
Uma
das vantagens da presença desses estrangeiros trabalhando
na Amazônia é a capacidade que eles têm de atrair
recursos para pesquisas num nível que o Brasil não
consegue bancar. Enquanto o primatólogo Russell Mittermeier,
chefão da rede preservacionista Conservação
Internacional, movimenta o equivalente a 300 milhões de reais
boa parte disso na Amazônia só para cuidar
de espécies ameaçadas, o Fundo Nacional do Meio Ambiente
tem orçamento de 6 milhões para essa mesma área
no Brasil inteiro. Outro fato relevante nessa questão é
que a Amazônia é tão grande e tem tanta coisa
a pesquisar que nem todos os cientistas do país juntos conseguiriam
dar conta do recado. Calcula-se que 5 milhões de espécies
vegetais existentes na floresta ainda não foram classificadas.
Com seu trabalho, os estrangeiros também ajudam a formar
pesquisadores brasileiros. "Eles são fundamentais para a
formação de recursos humanos na Amazônia", diz
o ecólogo Marcos Silveira, da Universidade Federal do Acre.
Nessa perspectiva, 10 000 são bem menos do que o Brasil precisa.
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