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São
Paulo
Perua
na lama
Elegantíssima
como sempre, a prefeita
Marta Suplicy é hostilizada por vítimas
das enchentes
Gustavo Rothi/Folha Imagem
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| Marta
de modelito verde na área inundada pelas chuvas em São Paulo:
vaia dos moradores |
A prefeita
de São Paulo, Marta Suplicy, do PT, é reconhecida
pela exuberância de seu guarda-roupa, um dos mais vistosos
e caros do país, e em geral admirada, pelos que nem de longe
podem se vestir como ela, por comparecer sempre impecavelmente trajada
à periferia pobre da metrópole que administra. Na
semana passada não foi assim. Com um bem cortado modelito
verde, a mesma cor da pedra cravejada nos brincos que os cabelos
loiros presos em coque deixaram à mostra, ao voltar de uma
rápida viagem a Londres ela visitou uma das áreas
mais atingidas pelas enchentes que castigaram a capital paulista
durante vários dias. Elegantíssima, pisou com desenvoltura
no lamaçal que tomou conta da região de Aricanduva,
na Zona Leste, mas, contrariamente ao que costumava acontecer nessas
aparições, deu-se mal. Moradores revoltados com as
cheias partiram para hostilidades. Marta foi vaiada e chegaram a
jogar lama em sua direção, sem atingi-la. Na saída,
alguns manifestantes esmurraram o carro da prefeita, um Omega blindado.
"Não fui recebida com lama, mas com desespero", considerou.
Dois dias antes, dessa vez com uma roupinha básica
blusa preta e camiseta branca , ela já enfrentara contratempos
ao percorrer outra região inundada, onde manteve um feio
bate-boca com uma dentista inconformada com os prejuízos
que sofreu após os alagamentos. Houve troca de berros entre
as duas, em cenas constrangedoras transmitidas pela TV.
Ao
contrário do que dizem as iradas vítimas das enchentes,
a prefeita nada tem a ver com os temporais nem sua administração,
iniciada há três anos, é a responsável
pelo transbordamento de rios, resultado de décadas e décadas
de má condução do problema. No fim da semana,
ela tratou de ir a Brasília atrás de recursos e afirmou
que considerava "inadmissível" que o governo federal, de
seu partido, não liberasse verbas para combater as conseqüências
das enchentes. Se Marta não fez chover, uma coisa ela indiscutivelmente
conseguiu: em pleno período das previsíveis tempestades
de verão, encheu São Paulo de obras viárias,
num ritmo alucinante mesmo para um ano eleitoral no qual se candidatará
à reeleição. Com essas obras, ela transformou
a cidade em um caos e piorou ainda mais seu trânsito infernal.
Foi nesse contexto que a prefeita visitou as vítimas das
inundações e levou vaias da população.
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