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Minas
Gerais
O governador estilo garotão
Jovem e solteiro, Aécio mostra que fazer
política também pode ser divertido

Marcelo
Carneiro
Xicão Jones
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na noite, com Luciano Huck e Álvaro Garnero, ao lado de Gisele
Bündchen e no Mineirão: poder e prazer |
Lucia Sebe/Imprensa MG
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Antônio Guaudécio/Folha Imagem
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Aos
43 anos, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, tem um
currículo de veterano. Foi quatro vezes deputado federal,
presidiu a Câmara o que o levou a ocupar, interinamente,
a Presidência da República e hoje comanda a
terceira maior economia do país. Aécio ainda carrega
no sobrenome duas linhagens, os Neves e os Cunha, uma espécie
de Cruzeiro e Atlético da tradicional política mineira.
Mas a biografia não parece um fardo no cotidiano do governador.
Muito pelo contrário. Alegre, divorciado e bem-sucedido,
Aécio tornou-se um tipo raro de político, que aparece
em revistas de celebridades, geralmente acompanhado de belas mulheres,
artistas de televisão ou jogadores de futebol. E, em geral,
fora dos limites de Minas Gerais. Nem a agenda oficial do governador
escapa desse estilo. Há duas semanas, na abertura da São
Paulo Fashion Week, onde esteve a convite de estilistas mineiros,
deixou-se fotografar em uma conversa para lá de animada com
a modelo Gisele Bündchen. Também já circulou,
muitíssimo bem acompanhado, pela quadra da Mangueira, escola
de samba carioca que neste ano homenageia Minas Gerais. Para quem
vê algum problema em tamanha animação, Aécio
tem uma resposta pronta. "A alegria é a coisa mais séria
da vida", diz o governador, recitando um verso da escritora americana
Gertrude Stein.
Aécio não parece preocupado nem mesmo quando alguém
insinua que deveria passar mais tempo em Minas Gerais. Não
raro, o governador pode ser encontrado nos fins de semana pedalando
na orla do Rio de Janeiro, onde mora sua filha Gabriela, de 13 anos,
e onde o próprio Aécio viveu dos 10 aos 20 anos, ou
descansando em Búzios e Angra dos Reis, pontos badalados
do litoral fluminense. "Essas críticas nunca partem dos mineiros,
que já estão acostumados ao meu jeito, e sim do eixo
RioSão Paulo, que prefere que Minas Gerais seja apenas
parte do folclore político", rebate. "Há pessoas que,
para fazer carreira, mantêm casamentos de fachada ou deixam
de ir a festas. Eu não sou hipócrita." Até
o momento, as pesquisas de opinião têm lhe dado razão.
Segundo o Instituto Vox Populi, Aécio ostenta hoje um dos
maiores índices de aprovação entre os governadores.
Em janeiro do ano passado, quando assumiu o mandato, 43% dos mineiros
consideravam seu governo bom ou ótimo. No fim do ano, quando
o normal seria a perda de alguns pontos, esse porcentual havia subido
para 55%.
Boa parte desse sucesso explica-se pela comparação
com seu antecessor, Itamar Franco. Aécio herdou de Itamar
um Estado em frangalhos. A folha de pagamento engolia 74% da receita,
havia treze anos os servidores não recebiam o 13º em
dia e o déficit chegava a 2,4 bilhões de reais. Adotando
uma política fiscal rigorosa, o governador reduziu de 22
para quinze o número de secretarias, extinguiu empresas públicas
e diminuiu as despesas com pessoal. Só de leis para a reforma
administrativa do Estado, foram quase setenta. Nem nos períodos
mais complicados, como no enfrentamento com os servidores, que perderam
boa parte dos privilégios, seus índices de popularidade
apresentaram queda.
Nada mais natural, portanto, que Aécio, ex-surfista, ex-motoqueiro,
ex-mochileiro, peladeiro esforçado e vaidoso assumido
"Corro 10 quilômetros em cinqüenta minutos, tenho corpo
de atleta", orgulha-se , continue dando pouca atenção
à liturgia do cargo. Ele só se rende diante do inevitável.
Em 2002, o então candidato às eleições
em Minas deixou de ir à festa de 40 anos de um de seus melhores
amigos, o empresário carioca Alexandre Accioly. O rega-bofe
para 1 000 convidados ganhou as colunas sociais e foi lembrado pela
ostentação. Atualmente, o governador recusa pedidos
de entrevista de revistas de celebridades e masculinas. Mas, sempre
que pode, escapa do protocolo. O que, às vezes, leva sua
equipe à loucura. No início do mandato, o governador
informou ao gabinete militar que não precisaria de escolta
quando passasse os fins de semana no Rio de Janeiro. Os assessores
não levaram o recado a sério e deslocaram um carro
com seguranças para a portaria do prédio. Descoberta,
a equipe recebeu ordens do governador para retornar a Belo Horizonte
no mesmo dia.
Na noite de quarta-feira passada, Aécio, torcedor fanático
do Cruzeiro, podia ser encontrado, também sem nenhum segurança,
no estádio do Mineirão. "Em Belo Horizonte, não
tem mesmo muita coisa para fazer, além de um futebolzinho",
diz, com o olhar perdido de quem anda com saudade das noites cariocas
ao lado de figuras como o apresentador Luciano Huck, o craque Ronaldo
e o playboy Álvaro Garnero, famosos por ilustres conquistas
amorosas. Nesse campeonato, Aécio não faz feio. Em
seu currículo, estão três apresentadoras de
televisão: Doris Giesse, hoje fora do vídeo, Cynthia
Howlett e Ana Luiza Castro. Futebol, amigos, festas, namoradas.
Ele bem que gostaria, mas não é o inventor da arte
de governar sem abrir mão de certos prazeres. "O Brasil criou
uma geração de políticos, como Juscelino Kubitschek,
para quem exercer o poder nunca foi um fardo, e sim uma alegria",
diz a cientista política Lúcia Hipólito. Aécio
Neves, pelo visto, está nessa turma.
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