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Transgênicos
Mais
confusão
A
palavra final sobre os
transgênicos será política
Joedson Alves/AE
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| Ministra
Marina Silva: vitória |
A Câmara dos Deputados aprovou na semana passada o projeto
de lei que trata da biossegurança, ou seja, que cuida dos
procedimentos que vão reger a pesquisa e a comercialização
dos alimentos transgênicos. Esperava-se que um assunto delicado
como esse, discutido em tom apaixonado, exigisse uma tramitação
longa, repleta de discussões. E isso realmente aconteceu.
Mas esperava-se também que, passada a fase de discussões,
o texto do projeto de lei deixasse clara a política oficial
sobre o tema. Não foi assim. A lei aprovada autoriza a pesquisa
e a comercialização de transgênicos, mas estabelece
que um conselho formado por quinze ministros analisará os
produtos que poderão ser vendidos. Em outras palavras, nada
foi resolvido, apenas adiado. A solução virá
caso a caso, de acordo com o humor e as inclinações
do conselho.
O
texto da lei, defendido pela ministra do Meio Ambiente, Marina Silva,
irá agora ao Senado e ainda pode sofrer alterações.
Se aprovado como está, no entanto, entregará a um
conselho político decisões de caráter técnico.
Além disso, estimulará a morosidade, já que
dificilmente se obterá consenso num colegiado tão
grande. As leis bem-feitas ajudam a solucionar conflitos em campos
em que, pela falta de regras, prevalecem a confusão e a dúvida.
No Brasil, freqüentemente as leis produzem o efeito inverso,
geram instabilidade. Sempre que isso ocorre, a sociedade paga caro.
Um exemplo é a Consolidação das Leis do Trabalho.
Criada para proteger os trabalhadores, é apontada como um
componente importante do desemprego. Repetiu-se a confusão
com a lei de biossegurança.
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