Edição 1840 . 11 de fevereiro de 2004

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Carta ao leitor
Operação reportagem


Antonio Milena
Thaís Oyama: com a PF em Manaus, enquadrando Zaqueu

Nos últimos meses, os brasileiros têm sido informados do resultado positivo de operações de vulto realizadas pela Polícia Federal. Batizadas com nomes pitorescos como Anaconda, Praga do Egito, Águia e Sucuri, elas têm em comum o emprego de grande número de agentes e o desbaratamento de quadrilhas poderosas. Nos últimos arrastões foram apanhados peixes grandes como o juiz Rocha Mattos e o ex-governador de Roraima Neudo Campos. VEJA acompanhou de perto a fase final de uma dessas operações, no exato momento em que ela se realizava, na semana passada. A jornalista Thaís Oyama juntou-se aos agentes da Polícia Federal quando eles se preparavam para dar o bote final da Operação Zaqueu, realizada em Manaus e que resultou na prisão de auditores fiscais acusados de corrupção. Seguindo uma liturgia que garantiu o sucesso das operações anteriores, os passos finais da Operação Zaqueu foram mantidos em sigilo absoluto. Thaís se viu na mesma situação que os 120 agentes convocados: só tomou conhecimento dos locais em que aconteceria o arrastão policial horas antes de ser iniciado.

Do diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, Thaís ouviu uma afirmação pouco usual, especialmente quando proferida no cenário de lamúrias que costuma flagelar o serviço público: "A Polícia Federal hoje não fica nada a dever a qualquer outro país em termos de equipamento e pessoal". Ao longo da apuração da reportagem que começa na página 76, a jornalista Thaís Oyama constatou que Lacerda estava em parte certo e em parte errado. A Polícia Federal continua tendo dificuldades para pagar suas contas de luz, mas existe também uma forte determinação de fazer as coisas certas – e isso inclui desde um espírito de autoconfiança que procura superar as manchas éticas no histórico da corporação até arroubos de engenhosidade material. Por meio de equipamentos que podem ser encontrados em qualquer loja de informática, e de um acordo com as operadoras de telefonia, por exemplo, a PF desenvolveu um sistema de escuta telefônica digital capaz de monitorar um número enorme de linhas sem o uso de um único gravador – o jurássico aparelho que costumava congestionar as "salas de grampo" da polícia.

 
 
 
 
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