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Carta
ao leitor
Operação
reportagem
Antonio Milena
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| Thaís
Oyama: com a PF em Manaus, enquadrando Zaqueu |
Nos
últimos meses, os brasileiros têm sido informados do
resultado positivo de operações de vulto realizadas
pela Polícia Federal. Batizadas com nomes pitorescos como
Anaconda, Praga do Egito, Águia e Sucuri, elas têm
em comum o emprego de grande número de agentes e o desbaratamento
de quadrilhas poderosas. Nos últimos arrastões foram
apanhados peixes grandes como o juiz Rocha Mattos e o ex-governador
de Roraima Neudo Campos. VEJA acompanhou de perto a fase final de
uma dessas operações, no exato momento em que ela
se realizava, na semana passada. A jornalista Thaís Oyama
juntou-se aos agentes da Polícia Federal quando eles se preparavam
para dar o bote final da Operação Zaqueu, realizada
em Manaus e que resultou na prisão de auditores fiscais acusados
de corrupção. Seguindo uma liturgia que garantiu o
sucesso das operações anteriores, os passos finais
da Operação Zaqueu foram mantidos em sigilo absoluto.
Thaís se viu na mesma situação que os 120 agentes
convocados: só tomou conhecimento dos locais em que aconteceria
o arrastão policial horas antes de ser iniciado.
Do
diretor-geral da PF, Paulo Lacerda, Thaís ouviu uma afirmação
pouco usual, especialmente quando proferida no cenário de
lamúrias que costuma flagelar o serviço público:
"A Polícia Federal hoje não fica nada a dever a qualquer
outro país em termos de equipamento e pessoal". Ao longo
da apuração da reportagem que começa na página
76, a jornalista Thaís Oyama constatou que Lacerda estava
em parte certo e em parte errado. A Polícia Federal continua
tendo dificuldades para pagar suas contas de luz, mas existe também
uma forte determinação de fazer as coisas certas
e isso inclui desde um espírito de autoconfiança que
procura superar as manchas éticas no histórico da
corporação até arroubos de engenhosidade material.
Por meio de equipamentos que podem ser encontrados em qualquer loja
de informática, e de um acordo com as operadoras de telefonia,
por exemplo, a PF desenvolveu um sistema de escuta telefônica
digital capaz de monitorar um número enorme de linhas sem
o uso de um único gravador o jurássico aparelho
que costumava congestionar as "salas de grampo" da polícia.
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