Edição 1938 . 11 de janeiro de 2006

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VEJA Recomenda

CINEMA

Zathura – Uma Aventura Espacial (Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no país) – Dois irmãos vivem às turras por causa da diferença de idade – um tem 4 anos e o outro é pré-adolescente – até o dia em que encontram algo capaz de fazê-los esquecer suas rusgas: um jogo que os transporta para o espaço sideral. No mundo de fantasia de Zathura, ambos enfrentam perigos como uma chuva de meteoros e robôs assassinos. Ao fim da aventura, os garotos (os pouco conhecidos Jonah Bobo e Josh Hutcherson) descobrirão, é claro, o valor dos laços fraternais. Embora a idéia não seja de todo original – Jumanji, com Robin Williams, tinha enredo parecido –, essa fita infanto-juvenil tem seu charme. Os efeitos especiais são de primeira e a direção de Jon Favreau é das mais eficientes. Veja cenas.

Impulsividade (Thumbsucker, Estados Unidos, 2005. Estréia nesta sexta-feira no Rio de Janeiro e em São Paulo) – Adolescente introvertido, Justin Cobb (Lou Taylor Pucci) tem uma maneira muito peculiar de expressar os sentimentos de inadaptação próprios de sua idade: ele chupa o dedo polegar. As tentativas de deixar esse hábito infantil para trás incluem uma terapia esotérica administrada por seu dentista (numa participação engraçada de Keanu Reeves), uma droga psiquiátrica receitada pelos médicos – e mais algumas drogas ilícitas. A partir desse argumento, o diretor independente Mike Mills criou um drama familiar inusitado, que se equilibra entre a melancolia do personagem e um humor por vezes ácido. Veja cenas.

 

LIVROS

O que Einstein Disse a Seu Cozinheiro 2, de Robert L. Wolke (tradução de Maria Inês Duque Estrada; Jorge Zahar; 352 páginas; 44,50 reais) – Professor de química da Universidade de Pittsburgh, o autor é também um gourmet. Seus conhecimentos científicos e culinários se combinam na coluna que ele escreve para o jornal americano The Washington Post. Nessa segunda coletânea de artigos, Wolke explica alguns velhos mistérios da cozinha: por que cortar cebolas causa choro? Por que pães e pizzas são mais gostosos quando preparados em fornos de barro? O livro ainda traz 35 boas receitas, do ossobuco a biscoitos de chocolate apimentado. Leia trecho.

Contos dos Irmãos Grimm (tradução de Lia Wyler; Rocco; 316 páginas; 48 reais) – Os alemães Jacob (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) dedicaram a vida a coletar histórias folclóricas. A fama dos dois deve-se sobretudo aos contos infantis clássicos que eles preservaram. Nessa edição, histórias como Branca de Neve vêm enriquecidas pelas ilustrações do inglês Arthur Rackam (1867-1939), um mestre no desenho de contos infantis. A seleção de contos foi realizada pela analista junguiana Clarissa Pinkola Estés, autora de Mulheres que Correm com os Lobos. A introdução da autora tem muita conversa furada sobre inconsciente coletivo. Mas o leitor – seja adulto, seja criança – que pular essas trinta páginas encontrará muita leitura prazerosa adiante. Leia trecho.

 

DVD

A Weekend at the Greek & Live in Japan, Jack Johnson (Universal) – O cantor e compositor havaiano Jack Johnson faz sucesso com um repertório de rocks e baladas acústicas que dão ao ouvinte a sensação de estar na praia. Suas músicas são mais conhecidas em gravações de estúdio – mas é ao vivo que suas interpretações ao violão se revelam mais relaxantes. Esse DVD duplo é uma prova disso. Live in Japan traz a última apresentação da turnê do disco On and On, de 2003. Além de mostrá-lo no palco, contém cenas de Johnson, ex-surfista profissional, praticando o esporte em praias japonesas. A Weekend at the Greek foi gravado no início da turnê de In Between Dreams, álbum mais recente do cantor. Como extra, há uma entrevista em que o roqueiro fala sobre seu processo de composição.

 

DISCO

Tudo Acontece em Elizabethtown, vários intérpretes (Sony/BMG) – Como cineasta, o americano Cameron Crowe é um excelente compilador de trilhas sonoras. Ex-crítico da revista Rolling Stone, ele hoje é diretor de filmes até muito simpáticos, mas não mais que isso – como Elizabethtown, que passou recentemente nos cinemas. Ao escolher músicas para suas fitas, o sujeito é um craque. Ele recruta amigos roqueiros para criar os temas principais. Vale-se ainda de composições de sua mulher, a guitarrista Nancy Wilson, e de raridades pinçadas de sua coleção. Aqui, Crowe investe na música caipira americana. O CD traz faixas inéditas de Tom Petty e de Lindsey Buckingham (do grupo Fleetwood Mac), além de um country-rock pouco conhecido de Elton John.

 

OS MAIS VENDIDOS
COMENTÁRIO

Pela segunda vez, o ano foi do escritor americano Dan Brown. O seu thriller O Código Da Vinci, que já havia sido o título mais vendido de 2004, repetiu o feito em 2005, com mais de meio milhão de exemplares comercializados, entre o livro comum e uma edição ilustrada de luxo. Outros três livros do autor (todos escritos antes do Código, mas publicados depois no Brasil) também entraram na lista. Brown bateu com facilidade freqüentadores tradicionais das listas de best-sellers, como Gabriel García Márquez, Jô Soares e Paulo Coelho. O bruxo Harry Potter, em sua sexta aventura, entrou com força, vendendo mais de 300 000 exemplares, mas não foi capaz de desbancar o Código – talvez por falta de tempo: o livro da galesa J.K. Rowling só foi lançado no Brasil no fim de novembro. A lista de não-ficção revelou-se surpreendentemente eclética, a ponto de ser impossível determinar uma tendência: vai da crônica do televisivo Arnaldo Jabor à culinária de Jamie Oliver, passando no meio do caminho pelo pensamento econômico iconoclasta de Steven Levitt e pelas confissões sexuais de Bruna Surfistinha. A seção de auto-ajuda foi dominada pela editora carioca Sextante (a mesma, aliás, que publica Dan Brown), que emplacou sete livros, incluindo os cinco primeiros. A hegemonia só foi rompida pela editora Vida & Consciência, com dois livros "psicografados" pela médium Zibia Gasparetto – e por um velho "clássico" do gênero da auto-ajuda financeira, Pai Rico, Pai Pobre, do selo Campus/Elsevier.

 

 


 
 
 
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