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Tales
Alvarenga
O spa cubano "Cuba
é o melhor centro de emagrecimento
do mundo. Maradona voltou de lá esbelto como
um bailarino. As colunáveis já
estão lotando os jatos para Havana"
José Dirceu é egoísta. Manteve em segredo
o endereço do melhor centro de emagrecimento do mundo, a ilha de Cuba.
Foi preciso que a informação viesse da Argentina para que o Brasil
tomasse conhecimento do spa cubano. O ex-jogador Diego Maradona estava gordo como
um barril de chope. Ficou um tempo em Cuba e reapareceu em Buenos Aires, esbelto
como um bailarino. Desde então, as colunáveis estão lotando
os jatos para Havana. Em Cuba, a fome é garantida.
No spa de Fidel Castro, você só emagrecerá se seguir o velho
ditado: "Em Cuba, como os cubanos". Explico: em Cuba, coma como os cubanos comem.
Você não perderá 1 único quilo se freqüentar as
lojas para estrangeiros que vendem de tudo para quem tem dólar e passaporte.
Hotel onde os nativos só podem entrar se convidados por um estrangeiro
também deve ser evitado. O grande segredo é seguir a dieta local.
José Dirceu e Frei Betto não valem como referência. Empanturram-se
como hóspedes do ditador. Quando
o comunismo acabou na União Soviética, em 1991, Cuba parou de receber
o mensalão do Kremlin. Enfrentou três anos de fome. Os cubanos emagreceram
em média 10 quilos cada um. A experiência de Fidel com terapia de
emagrecimento começou nessa época. Ele percebeu que a obesidade
é a principal causa de várias doenças. Nos últimos
quinze anos, o problema da obesidade acabou. É verdade que outros apareceram,
como a prostituição desenfreada, os racionamentos de luz, leite
e carne e o aumento do número de intelectuais presos por delito de opinião.
Mas Fidel pode se orgulhar do que fez. Ele continua mantendo os cubanos famintos.
E muito elegantes, com cintura de toureiro.
Muitos cubanos tentam fugir do spa. São pessoas sugestionáveis,
que acreditam nas histórias mentirosas espalhadas pela CIA a respeito do
cardápio de Miami. Para evitar boatos mal-intencionados a respeito da vida
nos Estados Unidos, Fidel Castro proíbe que circulem jornais pela ilha
e não tolera a existência de partidos políticos.
Mesmo assim, muitos cubanos arriscam a vida para viver sob o patrocínio
de George W. Bush. Segundo a revista The Economist, no ano passado a guarda
costeira dos Estados Unidos interceptou 2.712 cubanos no mar tentando fugir para
a Flórida. Outros 2.530 conseguiram desembarcar nos EUA. Três cubanos
que roubaram uma lancha e tentaram a travessia foram apanhados e fuzilados por
Fidel. Seis mil fogem para o México anualmente, em lanchas rápidas
de contrabandistas. Por uma brecha
criada em 2000 no embargo comercial mantido sobre Cuba durante quarenta anos,
os EUA estão exportando frangos, frutas, milho e arroz para Havana. As
exportações só decolaram depois do ataque terrorista às
Torres Gêmeas de Nova York. Tudo é feito com discrição.
O governo americano mantém uma base militar em Guantánamo, no território
cubano, onde prende membros da Al Qaeda. Esses suspeitos de terrorismo não
têm direito a processo na Justiça. Cuba nunca abriu o bico para reclamar
dessa violação dos direitos humanos. Afinal, se chegam prisioneiros
islâmicos, chegam também navios com mantimentos dos EUA. A compra
de alimentos ianques apenas ameniza os rigores do spa. Se você não
se importa de visitar ditaduras, Havana é o endereço certo para
perder calorias neste começo de ano. |