Edição 1938 . 11 de janeiro de 2006

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Tales Alvarenga

O spa cubano

"Cuba é o melhor centro de emagrecimento
do mundo. Maradona
voltou de lá esbelto
como
um bailarino. As colunáveis já estão
lotando os jatos para Havana"

José Dirceu é egoísta. Manteve em segredo o endereço do melhor centro de emagrecimento do mundo, a ilha de Cuba. Foi preciso que a informação viesse da Argentina para que o Brasil tomasse conhecimento do spa cubano. O ex-jogador Diego Maradona estava gordo como um barril de chope. Ficou um tempo em Cuba e reapareceu em Buenos Aires, esbelto como um bailarino. Desde então, as colunáveis estão lotando os jatos para Havana. Em Cuba, a fome é garantida.

No spa de Fidel Castro, você só emagrecerá se seguir o velho ditado: "Em Cuba, como os cubanos". Explico: em Cuba, coma como os cubanos comem. Você não perderá 1 único quilo se freqüentar as lojas para estrangeiros que vendem de tudo para quem tem dólar e passaporte. Hotel onde os nativos só podem entrar se convidados por um estrangeiro também deve ser evitado. O grande segredo é seguir a dieta local. José Dirceu e Frei Betto não valem como referência. Empanturram-se como hóspedes do ditador.

Quando o comunismo acabou na União Soviética, em 1991, Cuba parou de receber o mensalão do Kremlin. Enfrentou três anos de fome. Os cubanos emagreceram em média 10 quilos cada um. A experiência de Fidel com terapia de emagrecimento começou nessa época. Ele percebeu que a obesidade é a principal causa de várias doenças. Nos últimos quinze anos, o problema da obesidade acabou. É verdade que outros apareceram, como a prostituição desenfreada, os racionamentos de luz, leite e carne e o aumento do número de intelectuais presos por delito de opinião. Mas Fidel pode se orgulhar do que fez. Ele continua mantendo os cubanos famintos. E muito elegantes, com cintura de toureiro.

Muitos cubanos tentam fugir do spa. São pessoas sugestionáveis, que acreditam nas histórias mentirosas espalhadas pela CIA a respeito do cardápio de Miami. Para evitar boatos mal-intencionados a respeito da vida nos Estados Unidos, Fidel Castro proíbe que circulem jornais pela ilha e não tolera a existência de partidos políticos.

Mesmo assim, muitos cubanos arriscam a vida para viver sob o patrocínio de George W. Bush. Segundo a revista The Economist, no ano passado a guarda costeira dos Estados Unidos interceptou 2.712 cubanos no mar tentando fugir para a Flórida. Outros 2.530 conseguiram desembarcar nos EUA. Três cubanos que roubaram uma lancha e tentaram a travessia foram apanhados e fuzilados por Fidel. Seis mil fogem para o México anualmente, em lanchas rápidas de contrabandistas.

Por uma brecha criada em 2000 no embargo comercial mantido sobre Cuba durante quarenta anos, os EUA estão exportando frangos, frutas, milho e arroz para Havana. As exportações só decolaram depois do ataque terrorista às Torres Gêmeas de Nova York. Tudo é feito com discrição. O governo americano mantém uma base militar em Guantánamo, no território cubano, onde prende membros da Al Qaeda. Esses suspeitos de terrorismo não têm direito a processo na Justiça. Cuba nunca abriu o bico para reclamar dessa violação dos direitos humanos. Afinal, se chegam prisioneiros islâmicos, chegam também navios com mantimentos dos EUA. A compra de alimentos ianques apenas ameniza os rigores do spa. Se você não se importa de visitar ditaduras, Havana é o endereço certo para perder calorias neste começo de ano.

 
 
 
 
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