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Música A
nova bomba latina Mistura de rap com
salsa, o reggaetón nasceu em Porto Rico, explodiu nos Estados Unidos
e agora ameaça invadir o Brasil  Sérgio
Martins
Jim
Cooper/AP
 | | Yankee,
o chato da Gasolina: "Serei maior que o Menudo" |
Nos
anos 80, Porto Rico deu ao mundo o Menudo aquele grupo formado por cinco
garotos bonitinhos que seduziram as adolescentes com seus requebros e canções
como Não Se Reprima. Passados vinte anos, o país exporta
uma nova praga: o reggaetón. É uma versão em espanhol do
rap americano, acrescida de algum molejo. Como no estilo original, as letras são
exaltações deprimentes da violência e do sexo, com ênfase
neste último. Já os arranjos incorporam ritmos caribenhos como a
salsa, o reggae e o merengue. Nascido nas favelas de San Juan, capital de Porto
Rico, o reggaetón chegou aos Estados Unidos no fim da década de
90 e em 2005 tornou-se o primeiro gênero cantado em espanhol a obter um
lugar real de destaque nas paradas desse país. Seu maior expoente, o cantor
Daddy Yankee, vendeu perto de 1 milhão de cópias de seu disco de
estréia, Barrio Fino. Recentemente, ele se apresentou no Madison
Square Garden, palco de megaconcertos em Nova York. Yankee disseminou o reggaetón
pelo mundo inclusive no Brasil, onde o hit Gasolina está
entre as músicas mais executadas. Entoado por um coro feminino, o refrão
"dame más gasolina" ("me dá mais gasolina") tem duplo sentido: seria
uma alusão a certo fluido corporal masculino, e não ao combustível.
Com Yankee à frente, o reggaetón ameaça se tornar a calamidade
do verão. "Serei maior que o Menudo", disse o cantor a VEJA.
Claudio
Rossi
 | | Wanessa:
até ela faz reggaetón |
O
reggaetón ficou popular nos Estados Unidos graças à força
da comunidade hispânica no país. Assim como nos primórdios
do rap, até há pouco tempo o gênero só era produzido
em esquema precário e os artistas nem conseguiam lançar discos próprios.
Foi o sucesso em rádios e pistas de dança que tirou o reggaetón
do gueto e produziu um fenômeno como Yankee. Com a ascensão, o cantor
trocou o barraco em que morava por uma mansão na capital porto-riquenha.
Como os rappers, passou a ostentar seu novo-riquismo. Faz pose de mau, se cobre
de correntes de ouro e circula em carrões.
Muita gente pegou carona na onda. Amor, Amor, faixa do último disco
da cantora Wanessa Camargo, filha do sertanejo Zezé, emula a batida do
reggaetón. E Latino, cantor da infame Festa no Apê (e conhecido
por piorar tudo o que já era péssimo no original), prepara uma música
decalcada do hit de Yankee. O título: Maria Gasolina. "Não
sabia disso. Onde estão meus royalties?", diz o porto-riquenho. No exterior,
não é diferente. A colombiana Shakira aderiu ao reggaetón
em seu mais recente CD. Até os cantores Ricky Martin e Robi Rosa, ex-integrantes
do Menudo, entraram nessa. Isso é que é lixo reciclado. |