Edição 1938 . 11 de janeiro de 2006

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Música
A nova bomba latina

Mistura de rap com salsa, o reggaetón
nasceu em Porto Rico, explodiu nos Estados Unidos e agora ameaça invadir o Brasil


Sérgio Martins

 
Jim Cooper/AP
Yankee, o chato da Gasolina: "Serei maior que o Menudo"

Nos anos 80, Porto Rico deu ao mundo o Menudo – aquele grupo formado por cinco garotos bonitinhos que seduziram as adolescentes com seus requebros e canções como Não Se Reprima. Passados vinte anos, o país exporta uma nova praga: o reggaetón. É uma versão em espanhol do rap americano, acrescida de algum molejo. Como no estilo original, as letras são exaltações deprimentes da violência e do sexo, com ênfase neste último. Já os arranjos incorporam ritmos caribenhos como a salsa, o reggae e o merengue. Nascido nas favelas de San Juan, capital de Porto Rico, o reggaetón chegou aos Estados Unidos no fim da década de 90 e em 2005 tornou-se o primeiro gênero cantado em espanhol a obter um lugar real de destaque nas paradas desse país. Seu maior expoente, o cantor Daddy Yankee, vendeu perto de 1 milhão de cópias de seu disco de estréia, Barrio Fino. Recentemente, ele se apresentou no Madison Square Garden, palco de megaconcertos em Nova York. Yankee disseminou o reggaetón pelo mundo – inclusive no Brasil, onde o hit Gasolina está entre as músicas mais executadas. Entoado por um coro feminino, o refrão "dame más gasolina" ("me dá mais gasolina") tem duplo sentido: seria uma alusão a certo fluido corporal masculino, e não ao combustível. Com Yankee à frente, o reggaetón ameaça se tornar a calamidade do verão. "Serei maior que o Menudo", disse o cantor a VEJA.

Claudio Rossi
Wanessa: até ela faz reggaetón

O reggaetón ficou popular nos Estados Unidos graças à força da comunidade hispânica no país. Assim como nos primórdios do rap, até há pouco tempo o gênero só era produzido em esquema precário e os artistas nem conseguiam lançar discos próprios. Foi o sucesso em rádios e pistas de dança que tirou o reggaetón do gueto e produziu um fenômeno como Yankee. Com a ascensão, o cantor trocou o barraco em que morava por uma mansão na capital porto-riquenha. Como os rappers, passou a ostentar seu novo-riquismo. Faz pose de mau, se cobre de correntes de ouro e circula em carrões.

Muita gente pegou carona na onda. Amor, Amor, faixa do último disco da cantora Wanessa Camargo, filha do sertanejo Zezé, emula a batida do reggaetón. E Latino, cantor da infame Festa no Apê (e conhecido por piorar tudo o que já era péssimo no original), prepara uma música decalcada do hit de Yankee. O título: Maria Gasolina. "Não sabia disso. Onde estão meus royalties?", diz o porto-riquenho. No exterior, não é diferente. A colombiana Shakira aderiu ao reggaetón em seu mais recente CD. Até os cantores Ricky Martin e Robi Rosa, ex-integrantes do Menudo, entraram nessa. Isso é que é lixo reciclado.

 
 
 
 
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