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Todo o material publicado nesta página
representa o ponto de vista parcial e preconceituoso de um
indivíduo do século passado. Se você achar
aqui afirmativas que lhe pareçam sexistas, xenófobas,
racistas ou, de qualquer outra maneira, ofensivas a seus pontos
de vista, pare de ler imediatamente. Ou prossiga a seu próprio
risco.
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AGORA VAMOS
Falei e disse, em 2005. Repito
agora. É visível o comunismo vem aí.
Ou melhor, já está aí. Depois de uma experiência
de 70 anos dominando a Rússia, agrupando-a com vários
outros países, regiões e etnias, Letônia, Geórgia,
Azerbaijão, eslavos, pra formar a gloriosa União Soviética,
parecia que tínhamos chegado lá. Pois tinha
ainda, em muitos países, a "infiltração", pra
consumar a igualdade absoluta. Global. Só que havia um erro
fundamental na filosofia comuna: a igualdade vinha por baixo, através
da pobreza. Quer dizer, todo mundo ia ser igualmente pobre. Ora,
os ricos não acreditavam que iam ser. E os pobres não
queriam ser. Pois é, o erro foi o comunismo bater de frente
com o capitalismo. Sem perceber que o capitalismo ia comendo o comunismo
pelas beiradas.
Quase ao mesmo tempo em que o
comunismo crescia (em 1917, na Rússia, uns 100 milhões
de pessoas; em 1949, na China, 1 bilhão), o capitalismo,
sempre esperto, inventava e assumia, assim como quem não
quer nada, o primeiro grande símbolo comunista universal
e perene, o Blue Jeans.
Cujo nascimento o Google
explica de várias maneiras, sem saber que vem das calças
usadas por marinheiros de Gênova (pelo francês, Gênes).
O mesmo Google, Bíblia dos Insensatos, dá o
grande estouro do Jeans acontecendo durante o baby boom
dos anos 60.
Pois revelo. Em 1948 o Blue
Jeans já andava pelas ruas de Nossa Senhora de Los Angeles
de Porciúncula. Carmem Miranda, o físico César
Lattes, Vinicius de Moraes e eu estávamos lá. O Google
ainda não.
Agora, e vocês todos participam,
a grande dominação comunista também é
capitalista o celular. Que, ao contrário do Jeans,
não partiu de baixo pra cima (dos trabalhadores pro resto
do universo), mas de cima pra baixo (elite primeiro, logo o proletariado).
É o Paraíso. A
eficiência capitalista aliada à utopia comunista. A
China já está nessa mistura 1/6 da humanidade.
Um bilhão, duzentos e vinte milhões de gentes.
Para a felicidade universal temos
apenas que acabar com a guerra no Iraque, e outras dez por aí,
a violência do tráfico de drogas e da política,
erradicar a corrupção do chefe de Estado e do guarda
da esquina, cuidar da camada de ozônio, evitar os tsunamis,
controlar os efeitos da poluição gelo nos trópicos,
calor nos pólos. Ah, e acabar com a aids.
GIANNI RATTO
Ítalo-brasileiro, como
tantos de nós somos, sem a sua dupla competência gentílica,
Gianni Ratto era um extraordinário cenógrafo. Cenografia
como resumo de vida. Uma arte ou profissão que mistura o
trabalho braçal esmerado com o refinamento da concepção
artística. E, no caso de Ratto, visão filosófica
do que fazia e do que vivia, onde vivia. Em seu momento.
Eu o via como essa coisa nobre
e vaga um humanista.
Tivemos inúmeros contatos,
a maioria de trabalho, desde que ele chegou ao Brasil, até
o desvio geográfico dos últimos anos, quando ele foi
morar em São Paulo esse país irmão.
Transformou-me em cenógrafo
(Guerra do Alecrim e da Mangerona e Memórias de
um Sargento de Milícias, com Carlos Lyra) e me transformou
também em tradutor de Shakespeare. Um dia, depois que recusei
por três vezes traduzir A Megera Domada, ele entrou
no meu estúdio e, fingindo um autoritário que nunca
foi, jogou um pocket em cima da minha prancheta: "Tem um
mês pra traduzir". Agora vai ter que se explicar com Shakespeare.
Co-fundador do Piccolo de Milão
(com o também mítico Giorgio Strehler), escritor da
mais profunda sinceridade, Gianni Ratto foi tudo o que, elogiosamente,
se diz ou se dirá dele.
Se esquecem apenas de dizer,
ou não sabem disso, que era, todo o tempo, um delicado, carinhoso,
reto e inescapável sedutor. Por que só o Vinicius?

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