Edição 1938 . 11 de janeiro de 2006

Índice
Millôr
Lya Luft
Tales Alvarenga
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Holofote
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Datas
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Cartas

 

"Que o 'terremoto' que fez a estrela do PT se partir não venha a abalar esta nação tão séria chamada Brasil."
Emilson de Azevedo Cruz
Cachoeiro de Itapemirim, ES

Retrospectiva 2005

Lendo a reportagem "...Filmamos os 7 pecados capitais"(28 de dezembro), só tive vontade de chorar. Estão abusando do meu otimismo, banalizando a palavra ética, assassinando a moral! O último ano foi mais uma oportunidade para que o povo brasileiro se politizasse. Que os políticos também a aproveitem.
Carlos F.A. Metzler
Cidade do México, México

A reportagem "...Filmamos os 7 pecados capitais" está simplesmente genial. É impossível contestá-la ou mesmo ficar indiferente a ela. Ao ler uma matéria como essa, não sei como se comportam os representantes do povo nos três poderes, que poderiam estar fazendo alguma coisa para melhorar esse estado de coisas e nada fazem. Será que são tão caras-de-pau e desumanos que não sentem sequer a face ruborescer?
Joel de Almeida
Campinas, SP

A sociedade não é conivente com a corrupção. Ela tem meios para mostrar sua indignação e reagir ao problema. Um deles é a própria imprensa. A revista VEJA não publicaria dezoito capas denunciando os corruptos se não houvesse interesse público em torno da questão. Outra forma de reação será vista, em breve, nas urnas. As pesquisas de intenção de voto, mostrando que o governo Lula será colocado para escanteio, provam que a sociedade não está conivente. Mais uma forma de reação, recém-inaugurada, é a bengalada no lombo. Mas talvez faltem bengalas para punir tantos corruptos.
Rubens Neiva
Juiz de Fora, MG

Parabenizamos a equipe dessa revista pelo belíssimo e importante trabalho de jornalismo investigativo realizado em 2005, com ênfase, é claro, nas matérias feitas na área política, em que os repórteres não economizaram esforços para mostrar à população a podridão que se esconde nos gabinetes dos altos escalões políticos de Brasília e de todo o país. Se VEJA assim não tivesse agido, estaríamos todos aplaudindo os Robertos Jefersons, Josés Dirceus, Delúbios Soares e tantos que foram desmascarados.
Alcemy do Bom Jesus Simões
Vila Velha, ES

Na retrospectiva de 2005, ficou claro e evidente o trabalho primoroso desenvolvido pela revista VEJA. Desvendou, com provas cabais, muitas das maracutaias praticadas pelos nossos políticos e pelos seus comparsas. O mais interessante foi a aula de corrupção dada pelo "professor Maurício Marinho". Falta, agora, os poderes constituídos fazerem a sua parte, punindo os culpados.
Marcos Pennha
Ilhéus, BA

Um dos maiores temores dos brasileiros é a internacionalização da Amazônia. Quando um governo, como o brasileiro, é muito ocupado com assuntos ligados à corrupção, ao fisiologismo partidário e à própria ineficiência, talvez a única maneira de salvar a floresta seja mesmo a internacionalização daquela biosfera. A última edição de 2005 da revista VEJA trata de dois assuntos que, embora desconexos e corroborados pela retrospectiva, me fizeram chegar a essa reflexão radical e desesperada. Faço votos para que em 2006 VEJA continue a trazer-nos informações tão bem trabalhadas. Faço votos, também, para que nosso "governo" se ocupe dos assuntos que realmente nos transformarão em uma grande nação e deixe os "bandidos" aos cuidados da polícia ("O ano em que a Amazônia começou a morrer").
Rony Von dos Reis de Camargos
Unaí, MG

Infelizmente, não há como negar, todos nós somos culpados pelo estado agonizante dessa beleza com a qual a natureza nos presenteou. As gerações futuras, além de não poder contemplá-la, se continuar nosso descaso, sofrerão as maiores conseqüências que naturalmente virão. Se tivéssemos pelo verde de nossas matas a mesma paixão que temos pelo amarelo de nossa seleção, não ficaríamos tão passivos esperando pela ação daqueles que só se movem por pressão. Vamos exigir de nossos representantes mais atitude com vista a trabalhar para que a cura de nossa Amazônia seja prioridade nacional. Vistamos também o verde! Ainda há tempo para reagir.
Clemente de Sousa Fortes
Brasília, DF

Gostaria de parabenizar o jornalista Leonardo Coutinho por sua matéria "A peleja da economia contra a ecologia" (28 de dezembro). Pode parecer incrível, mas é a primeira vez que uma publicação brasileira importante diz o que nós, amazonenses, lutamos anos para tentar fazer o Brasil entender: o país não tem nenhum prejuízo com os incentivos fiscais concedidos ao Amazonas. Ao dizer que "para cada real investido no PIM, 1,33 retorna como arrecadação", VEJA finalmente faz justiça ao modelo de desenvolvimento adotado para essa área. Resumindo: o Amazonas não só não recebe esmolas dos outros brasileiros como paga, e muito bem, a eles para desenvolver-se e preservar para o mundo nossa floresta tão cobiçada.
Altamir Bastos
Manaus, AM

A reportagem da retrospectiva de 2005 em que VEJA lembra os falecidos do ano esqueceu de Francisco Milani e Cláudio Correia e Castro, que, de certa forma, foram mais importantes para a alegria dos brasileiros fissurados em TV que muitos lembrados pela revista.
Marcos Henrique Diniz
São Paulo, SP

Esperava que VEJA Retrospectiva deste ano fosse como a dos anos anteriores. Que viesse com textos sobre assuntos diversos comentados por pensadores, ensaístas, economistas etc. Que pena!
Genelva Arruda Barbosa
Mogi Mirim, SP

 

Roberto Civita

A Carta do Editor ("Por que fazemos o que fazemos", 28 de dezembro) é impecável, irretocável e incontestável. É porque vocês fazem o que fazem que ainda acreditamos num Brasil mais limpo. Reiteramos calorosamente nossos bons votos para 2006.
Rabino Henry I. Sobel
Presidente do Rabinato da Congregação Israelita Paulista
São Paulo, SP

É exatamente pelo que consta na Carta do Editor 2005 que há mais de quinze anos sou assinante de VEJA. Em 2006 continuarei a ser!
Fábio Lentúlio Mota Filho
Por e-mail

Todos nós, brasileiros, devemos agradecer à revista VEJA a cobertura total e isenta da corrupção gigantesca que assolou e assola o país no governo Lula. Não calem jamais. Continuem a investigar e a publicar, precisamos de um país melhor.
Rosinha A. de Oliveira
Belo Horizonte, MG

Sentimos orgulho ao ler a Carta do Editor; ela nos faz lembrar o espírito de luta de Victor Civita. Caso toda a imprensa tivesse o mesmo procedimento, não teríamos tantas tristezas com os nossos governantes.
Licio de Freitas Pereira
Por e-mail

 

McDonald's

Com relação à reportagem "Mcfraude" (21 de dezembro), sobre a investigação feita pela Corregedoria da Secretaria da Receita Federal, desejo destacar que foi exatamente devido à entrega voluntária de documentos pelo McDonald's que houve avanço no processo. O McDonald's Brasil agiu em conformidade com o Código de Conduta da Empresa, na certeza de dar a melhor solução para o caso. Pelo mesmo motivo, a McDonald's Corp. já reportou todo o assunto ao Departamento de Justiça Americano e à Securities and Exchange Commission dos Estados Unidos. O McDonald's tem colaborado com as investigações – e continuará a fazê-lo – na busca do total esclarecimento dos fatos. Nossa empresa não comenta assuntos que estejam sub judice. Após apresentar sua defesa perante a Justiça Federal, na ação civil pública, dentro do prazo determinado por lei, o McDonald's terá condições legais de se manifestar. A empresa ressalta que tem tratado o caso com a seriedade e a responsabilidade que sempre marcaram sua atuação no Brasil e em todo o mundo.
Sergio Alonso
Presidente do McDonald's Brasil
Por e-mail

A Associação de Franqueados Independentes do McDonald's (Afim), constrangida, pede punição exemplar aos envolvidos. Condenamos a atitude da Associação Brasileira de Franchising (ABF), que foi utilizada no processo e não tomou providências – postura, aliás, semelhante à adotada no trâmite do projeto da Nova Lei de Franquia, em que se legaliza o polêmico processo da sublocação de pontos comerciais a valor maior que o contratado com o dono do imóvel, que é praticada somente pelo McDonald's, colocando em posição de risco desnecessário mais de 60.000 franqueados espalhados pelo país.
George Hiraiwa
Vice-presidente da Associação de Franqueados Independentes do McDonald's (Afim)
Londrina, PR

 

O Melhor do Brasil

Parabenizamos a Editora Abril pela iniciativa de ter publicado um veículo de qualidade como é a edição especial de VEJA O Melhor do Brasil (dezembro de 2005). Juntos, trade turístico e órgãos de comunicação temos de arregaçar as mangas e trabalhar para adaptar o sonho ao bolso, fazendo com que cada vez mais brasileiros viajem pelo Brasil. Muito obrigado pelo que vocês vêm fazendo pelo nosso setor.
Guilherme Paulus
Diretor-presidente da CVC Turismo
São Paulo, SP

Em relação à afirmação de que em Itacaré é preciso pagar para entrar nas melhores praias (página 26), esclarecemos que, por iniciativa da promotoria de Justiça da comarca de Itacaré, foi assinado em outubro passado um termo de ajustamento de conduta, cujo objetivo foi a abertura das praias para visitantes. Um único proprietário não aderiu, razão pela qual uma ação movida pelo Ministério Público da Bahia tramita no fórum local.
Lauro Costa Setúbal
Itacaré, BA

 

Seqüestradores

A decisão do ministro Nilson Naves, de "se eximir de aplicar a Lei de Crimes Hediondos", afirmando "que não concorda com ela", deve ser examinada e punida pelo Conselho Nacional de Justiça, pois coloca em liberdade, no regime semi-aberto, seqüestradores perigosos e cruéis, condenados por crime de extorsão mediante seqüestro. Afrontando, abertamente, a lei em vigor, o STJ deixa a sociedade em total insegurança ("Boa notícia. Mas para os bandidos", 28 de dezembro).
Edson Antonio Velano
Reitor da Unifenas
Alfenas, MG

Espantoso que neste país, onde reconhecidamente existem tantas leis injustas, uma que foge a essa regra e reflete o mais básico nível de lógica, a que torna o crime de seqüestro hediondo, não esteja sendo aplicada porque um magistrado se recusa a isso, por não concordar com a lei (o ministro Nilson Naves). A missão do Judiciário é aplicar as leis com o rigor necessário e fazer a correta interpretação dessas. A decisão de beneficiar perigosos seqüestradores mais uma vez pune o povo, pagador do salário dos magistrados e ao qual esses deveriam beneficiar, assim como os demais poderes constituídos legalmente neste sofrido Brasil. Infelizmente, o combate à criminalidade ainda não se tornou prioridade na agenda dos governantes, e esses vão pagar caro por essa falta de cuidado com a população.
David Canassa
Sorocaba, SP

Achei bastante interessante a posição do ministro do STJ, senhor Nilson Naves, que, ao não concordar com uma lei, não a cumpre. Eu, por exemplo, não concordo em pagar imposto de renda para sustentar funcionário público que não cumpre a lei. Assim, gostaria de perguntar a esse ministro se eu posso, a partir do próximo ano, parar de pagar imposto de renda. Depois os integrantes do Poder Judiciário reclamam da necessidade de controle externo. Tem mais é que controlar e punir aqueles que não respeitam as leis.
Maro Antônio Pimenta Ferreira
Belo Horizonte, MG

 

Greve nas universidades

A propósito da reportagem "Greve remunerada" (28 de dezembro), tenho a registrar que uma greve que ultrapasse os 100 dias mostra que a prática de governo é inconsistente no que tange aos destinos da educação no país. As greves são conseqüências. As causas que as ensejam são as políticas de governos. A César o que é de César.
Fernando Nogueira de Lima
Ex-reitor da Universidade Federal de Mato Grosso
Cuiabá, MT

Há mais de uma década, em cartas publicadas pela imprensa local, tenho usado a expressão "greve remunerada" ao me referir às periódicas paralisações de atividades nas universidades federais. Finalmente encontro eco. Acho que é crucial enfatizar esse ponto, porquanto ele é suficiente para assegurar in limine que as greves já comecem desmoralizadas e condenadas ao fracasso. É surpreendente que os eternos defensores desse tipo de ação não queiram enxergar que o único resultado que têm obtido são o desprestígio das universidades públicas como instituição e o sacrifício de sua própria dignidade.
Arno Blass, Ph.D.
Professor titular (aposentado) da UFSC
Florianópolis, SC

Os professores da Universidade Federal do Paraná não aderiram à última greve. Em abril de 2002, terminamos a reposição da greve de 2001. Há quatro anos letivos, estamos com o calendário escolar absolutamente regularizado, na graduação, pós-graduação stricto sensu e lato sensu. Por mais que concordássemos com algumas das reivindicações do movimento, permanecemos fiéis ao nosso compromisso com os alunos e com a comunidade atendida pela UFPR. Não apenas continuamos as atividades de ensino, pesquisa e extensão como ampliamos o atendimento das demandas da sociedade por meio de expansão de cursos de graduação e pós-graduação; processo de ocupação de vagas remanescentes; e políticas afirmativas de inclusão de alunos das escolas públicas e da raça negra.
Ana Paula Mussi Szabo Cherobim
Chefe do departamento de administração geral e aplicada da Universidade Federal do Paraná
Curitiba, PR

 

Eduardo Giannetti da Fonseca

Parabenizo o articulista Eduardo Giannetti da Fonseca por seu artigo na última edição de 2005 ("O fim do ciclo das ilusões", 28 de dezembro). Suas ponderações sobre a situação política brasileira são de grande maturidade e realismo e, ao mesmo tempo, abrem perspectivas para o futuro.
António Manuel Corado
Pombo Fernandes
Goiânia, GO

 

Ferreira Gullar

Há pessoas neste nosso imenso e injusto país que, quando se apresentam para falar, especialmente se for através de um veículo de informação com o perfil de VEJA, é preciso que a gente preste atenção. Pode-se estar diante da oportunidade de aprender coisas importantes. E o escritor Ferreira Gullar ("Um escritor singular", 28 de dezembro), por seu conhecimento amplo dos problemas brasileiros e sua clareza de pensamento (qualidades bastante raras nestes dias que correm), é uma dessas pessoas. Mas há algo nele que eu não consigo entender. Como é que alguém, com sua visão e experiência, pode, ao mesmo tempo, sonhar com um país mais justo socialmente e uma melhor distribuição da riqueza e ser admirador do político José Sarney e seu clã? Será que o modelo de justiça social com o qual ele sonha é esse que funciona no miserável estado do Maranhão, onde reina absoluto há mais de cinco décadas o senador Sarney?
Wilson de Souza Lima
Goiânia, GO

 

Diogo Mainardi

Emocionei-me ao ler o último artigo escrito por Diogo Mainardi em 2005 ("Uma anta na minha mira", 28 de dezembro). Sua mente brilhante nos presenteia quanto aos fatos diários e relevantes deste país, com análises objetivas permeadas de sinceridade cortante, sem no entanto esconder que, por trás da máscara de insensível, vive um ser humano belíssimo.
Lívia Brasil
Salvador, BA

Mainardi entretém, informa e esclarece com sua ironia que de ácida chega ao bom humor. Sua genialidade nos alenta.
Américo Tognetti Neto
São Paulo, SP

Diogo Mainardi, parabéns ao seu filho pela vitória. Muitos outros dezesseis passos virão. Quanto a você, muito obrigado pelo serviço que nos presta, denunciando essa confraria cortesã corrupta petista/lullista. Sua língua escrita soa no lombo dos néscios como navalha e no lombo dos confrades lullistas/petistas como chibata. Em ambos os casos, com maestria. Particularmente, prefiro a chibata. Continue. Você é nossa voz.
Joaquim Neto
Por e-mail

Preciso dar a mão à palmatória em relação a Diogo Mainardi. Sempre fui avesso a seus artigos, mas tenho de reconhecer que nessa retrospectiva de 2005 ele foi o que de melhor aconteceu na imprensa: imparcial e divertido. Fiquei emocionado com esse último artigo em que se refere aos seus filhos. Realmente "cultivar nosso jardim" é a melhor coisa desta vida, como está escrito no livro de Eclesiastes: "Tudo é vaidade, como correr atrás do vento...".
Fernando Gomes de Moraes
Campinas, SP

Mainardi, o melhor de tudo, tenho certeza, foram os dezesseis passos do seu filhinho mais velho. Ao menos algo que vale a pena avançou. Você e sua família merecem todo o sucesso do mundo. Vamos cuidar do nosso jardim e esquecer o caos com que somos obrigados a conviver.
Nilson Alberto Rezendo Oliveira
Correntina, BA

Não desista! Seus leitores adoram seus artigos corajosos (eu, inclusive, os coleciono) e vibram com tudo o que gostariam de dizer sobre esse desgoverno Lula, o pior da história! Vamos cruzar os dedos para que em 2006 não tenhamos de engolir por mais quatro anos esse descalabro.
Lucia Farias
Brasília, DF

 

CORREÇÃO: Na edição especial O Melhor do Brasil (dezembro de 2005), o endereço e o prato sugerido do restaurante Baccio, em São José dos Campos, foram publicados com incorreções. O endereço é Praça José Peneluppi Filho, 10, e o prato sugerido é o linguado ao cartoccio.

 




 

O QUARTO DE VIRGINIA WOOLF


George C. Beresford/Hulton Archive/Getty Images
Virginia Woolf e a edição brasileira de seu livro: o quarto virou teto

A leitora Adelaide Reis de Magalhães fez uma interessante observação sobre a recente edição em português do livro A Room of One's Own, da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941). Publicada originalmente em 1928, a obra sai no Brasil com o nome Um Teto Todo Seu. "Parece-me, pelo título, que o tradutor não captou o sentido básico que norteou a escritora", diz Adelaide. Ela explica: "A idéia inicial do livro surge quando, em Cambridge, lhe perguntaram por que, nos séculos anteriores, as mulheres haviam produzido tão pouco no campo literário. Depois de muitas conjecturas, reflexões, leituras e pesquisas em bibliotecas, Woolf escreveu essa magnífica obra, chegando à seguinte conclusão: o que faltou à mulher foi ter tido um quarto só seu. Em seus primeiros anos de vida, ela dormia com os pais, depois com as irmãs e mais tarde com o marido. Faltou-lhe a privacidade de um quarto que fosse só seu; um lugar onde pudesse pensar em clima de silêncio, onde deixasse um soneto para melhor lapidá-lo mais tarde, papéis e livros para elaborar, um dia, uma biografia".

 

O MELHOR DO BRASIL

A leitora Mara Hartog Rebello, de Florianópolis, escreve para dizer que sua cidade merecia no mínimo uma página na edição O Melhor do Brasil, especial de turismo de VEJA publicado em dezembro de 2005. "Nós aqui em Floripa temos 48 praias lindíssimas. Temos praias para a prática de surfe e para a recreação das famílias com crianças que não querem ondas. Temos praias para todos os gostos." Embora a capital catarinense não tenha sido esquecida na edição (a pág. 18 trata das praias do estado), Mara foi uma entre as dezenas de leitores que, de norte a sul do país, escreveram para reclamar da ausência de sua cidade ou praia preferida. Na verdade, os destinos e os endereços publicados foram escolhidos por 57 jurados, todos ligados ao turismo. Eles elegeram os melhores locais para visitar, da praia à montanha, passando pelas grandes cidades e por regiões que se destacam pela preservação ambiental ou pelo patrimônio histórico. Num país rico em belezas naturais como o Brasil, é normal que esse tipo de trabalho deixe muitos recantos de fora. Mas essa foi apenas a primeira edição. Outras virão, contemplando novos destinos e endereços.

 
 
 
 
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