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Carta ao leitor Chega
de improvisos
Hélvio
Romero/AE
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de combustível: o consumidor é que paga pela ausência de uma
política para o álcool |
Na
semana passada, o governo federal despertou para um problema que vinha crescendo
sob suas barbas: o preço do álcool combustível, que iniciou
o ano com alta de 6% e já acumula um aumento de mais de 30% desde junho
de 2005. O assunto, agora, está sendo tratado em Brasília como questão
emergencial. O Palácio do Planalto chegou a cogitar o confisco dos estoques
dos usineiros e reduzir o porcentual de álcool misturado à gasolina,
de 25% para 20%. Lula não quer aumentos nas bombas de álcool e gasolina
em ano de eleição ou reeleição presidencial.
Percebe-se a razão. Os carros bicombustível, movidos tanto a álcool
quanto a gasolina, ganharam a preferência dos consumidores: representam
sete de cada dez carros vendidos no Brasil. A inovação renovou o
ânimo da indústria automotiva e da de autopeças e das
usinas de álcool, é claro.
O preço do álcool é ruim para o bolso do consumidor, não
há dúvida. Mas será pior para o país se forem ressuscitadas
práticas intervencionistas indevidas que eram comuns há coisa de
quinze anos. A verdade é que está na hora de pôr um ponto
final nos improvisos e resolver de uma vez por todas os problemas crônicos
que cercam a produção desse combustível. Eles não
nasceram no governo petista, enfatize-se. No auge do Proálcool, em meados
dos anos 80, cerca de 90% dos carros fabricados tinham motor a álcool,
e o governo subsidiava os produtores. Quando os subsídios cessaram e o
preço do petróleo voltou a cair, apenas 5% dos carros vendidos passaram
a ter motor a álcool. A solução para a questão não
deve perder de vista as leis de mercado, mas deve contar com mecanismos que impeçam
altas bruscas e criem uma estrutura produtiva que permita que o álcool
se transforme numa opção permanente para o consumidor, mesmo com
as normais flutuações de preço. Usineiros não podem
ter incentivos num ano e desincentivos no outro. Montadoras não podem ficar
modificando motores a cada mudança de vento. E o pobre do consumidor precisa
ter segurança na hora de optar por um tipo de carro. |