Edição 1938 . 11 de janeiro de 2006

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Carta ao leitor
Chega de improvisos


Hélvio Romero/AE
Posto de combustível: o consumidor é que paga pela ausência de uma política para o álcool

Na semana passada, o governo federal despertou para um problema que vinha crescendo sob suas barbas: o preço do álcool combustível, que iniciou o ano com alta de 6% e já acumula um aumento de mais de 30% desde junho de 2005. O assunto, agora, está sendo tratado em Brasília como questão emergencial. O Palácio do Planalto chegou a cogitar o confisco dos estoques dos usineiros e reduzir o porcentual de álcool misturado à gasolina, de 25% para 20%. Lula não quer aumentos nas bombas de álcool e gasolina em ano de eleição – ou reeleição – presidencial. Percebe-se a razão. Os carros bicombustível, movidos tanto a álcool quanto a gasolina, ganharam a preferência dos consumidores: representam sete de cada dez carros vendidos no Brasil. A inovação renovou o ânimo da indústria automotiva e da de autopeças – e das usinas de álcool, é claro.

O preço do álcool é ruim para o bolso do consumidor, não há dúvida. Mas será pior para o país se forem ressuscitadas práticas intervencionistas indevidas que eram comuns há coisa de quinze anos. A verdade é que está na hora de pôr um ponto final nos improvisos e resolver de uma vez por todas os problemas crônicos que cercam a produção desse combustível. Eles não nasceram no governo petista, enfatize-se. No auge do Proálcool, em meados dos anos 80, cerca de 90% dos carros fabricados tinham motor a álcool, e o governo subsidiava os produtores. Quando os subsídios cessaram e o preço do petróleo voltou a cair, apenas 5% dos carros vendidos passaram a ter motor a álcool. A solução para a questão não deve perder de vista as leis de mercado, mas deve contar com mecanismos que impeçam altas bruscas e criem uma estrutura produtiva que permita que o álcool se transforme numa opção permanente para o consumidor, mesmo com as normais flutuações de preço. Usineiros não podem ter incentivos num ano e desincentivos no outro. Montadoras não podem ficar modificando motores a cada mudança de vento. E o pobre do consumidor precisa ter segurança na hora de optar por um tipo de carro.

 
 
 
 
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