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10 de dezembro de 2008
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NO MEIO DA TEMPESTADE

Se é que alguém ainda tinha dúvidas, elas acabam de ser enterradas: a economia dos EUA está oficialmente em recessão desde dezembro de 2007


Benedito Sverberi e Renata Moraes

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Na semana passada, foram enterradas as dúvidas que restavam (poucas, diga-se) sobre a economia dos Estados Unidos estar ou não em recessão. Um comitê de especialistas do National Bureau of Economic Research (NBER), organização privada de natureza acadêmica, concluiu que a atividade econômica está encolhendo no país mais rico do mundo, pela primeira vez desde 2001. Mais precisamente, a contração começou em dezembro de 2007, antes mesmo da quebra do banco de investimentos Lehman Brothers. O comitê do NBER reúne sete acadêmicos com a responsabilidade histórica – conferida a eles pela tradição e competência – de determinar a data dos ciclos de expansão e contração da economia americana. Eles não seguem a definição mais habitual de recessão – a redução do PIB por dois trimestres seguidos. Preferem uma análise, digamos, mais holística, focada no conjunto de investimentos e no índice de emprego e do consumo. O que quase sempre impeque suas decisões sejam ágeis. O grupo normalmente espera de seis a dezoito meses para consolidar seu diagnóstico. No caso da recessão decorrente do estouro da bolha tecnológica, por exemplo, ele levou mais de um ano para declarar que a contração de 2001 havia chegado ao fim.

Dois membros do NBER falaram a VEJA. Martin Feldstein, de Harvard, disse que a maior evidência de uma recessão está nas demissões (desde janeiro, 1,9 milhão de americanos perderam o emprego, e apenas em novembro foram fechados 533 000 postos de trabalho, algo não visto há três décadas). "Mas o estopim foi o estouro da bolha imobiliária", disse Feldstein. Segundo Robert Hall, um dos diretores do comitê, os indicadores devem continuar a piorar até a metade de 2009, o que faria desta recessão a pior dos últimos setenta anos. Ela já está entre as maiores do pós-II Guerra e poderá ser a mais duradoura desde a Grande Depressão.

Logo após a recessão ser oficialmente instalada nos Estados Unidos, o presidente do Federal Reserve (banco central americano), Ben Bernanke, apressou-se em relativizar as comparações com o crash de 29. "Deixe-me dizer, como um especialista na Grande Depressão: não há comparação. Existe uma diferença de ordem de magnitude", disse ele. E completou: "Naquele período a taxa de desemprego foi a 25%, o PIB diminuiu 30% e um terço de todos os bancos fechou as portas. A bolsa de valores despencou 90%. Temos muita sorte de viver em um país tão rico e diversificado. E espero que nos recuperemos rapidamente da desaceleração atual". O mundo inteiro faz figa.



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