Edição 1832 . 10 de dezembro de 2003

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CINEMA


Divulgação
Irmão Urso: padrão Disney de fofura


Irmão Urso
(Brother Bear, Estados Unidos, 2003. Estréia nesta sexta-feira no país) – Kenai é o caçula e o mais cabeça-dura de três irmãos, mas não por muito tempo. Para que ele aprenda uma lição, o espírito de seu irmão mais velho o transforma naquilo que ele mais detesta: um urso. Vagando então pelas florestas do noroeste americano, durante a Idade da Pedra, Kenai ganha a companhia de um filhote de urso que se perdeu de sua mãe e de dois alces que não primam pelo brilho intelectual, mas são da maior paz. E, apesar do atordoamento inicial com sua nova aparência, acaba achando pontos positivos na mudança. Irmão Urso tem aquele coeficiente de fofura que se espera da grife Disney, mas arrisca bem mais nos cenários – esses fabulosos – do que nos personagens ou na animação em si. Talvez por isso essa seja, segundo a revista especializada Variety, a última animação convencional que o estúdio vai produzir, pelo menos até segunda ordem. Daqui para a frente, a Disney planeja concentrar-se no 3D, que tornou sua parceria com a Pixar – leia-se Toy Story e Procurando Nemo – um sucesso.

 

DISCOS

So Damn Happy, Aretha Franklin (BMG) – Uma das cantoras mais extraordinárias da história da música negra americana, Aretha Franklin limitou-se a fazer aparições nos tribunais de Justiça dos Estados Unidos nos últimos anos. Ela foi acusada de sonegação de impostos e de incendiar a própria casa a fim de receber o seguro. Mas basta ouvi-la para esquecer qualquer deslize. Para gravar So Damn Happy, seu primeiro CD de canções inéditas em seis anos, Aretha recrutou um time de produtores de ponta, uma jovem diva do soul (Mary J. Blige, que assina duas canções) e o classudo Burt Bacharach. Faixas como Holdin' On e Falling Out of Love – com precioso arranjo de cordas de Bacharach – trazem à mente a melhor fase de Aretha, nos anos 70.

Heavier Things, John Mayer (Sony) – Quando seu disco de estréia vendeu mais de 2 milhões de cópias nos Estados Unidos, o cantor e guitarrista americano John Mayer tornou-se o queridinho do mundo pop. Em vez de mergulhar de cabeça na farra, contudo, Mayer se manteve discreto e recatado. Dono de um currículo que inclui uma breve passagem pela prestigiada Berklee School of Music, ele diz que o que deseja mesmo é ser reconhecido como compositor. E talvez consiga. Aos 26 anos, está lançando o seu segundo disco. Heavier Things tem de tudo um pouco: soul music, jazz e rock. Há ótimos momentos, entre os quais o hit Bigger than My Body e a balada Come Back to Bed.

Arthur Cavalieri
Paulinho da Viola: belos duetos  

Paulinho da Viola: Meu Tempo É Hoje, vários intérpretes (Biscoito Fino) – Entre o público que assistiu ao documentário de Izabel Jaguaribe sobre Paulinho da Viola, uma pergunta freqüente era: quando sai a trilha sonora? Pois ela está saindo agora, com dezesseis belas faixas. Em vez de regravar as músicas em estúdio, optou-se por usar o som captado durante as filmagens. O que se perde em limpidez ganha-se em espontaneidade. O disco traz um pot-pourri de sambas clássicos cantados por Paulinho ao lado do parceiro Elton Medeiros, além de participações de Zeca Pagodinho, da Velha Guarda da Portela e do pai do sambista, César Faria, que comanda um dueto em Chora Cavaquinho. O grande sucesso, contudo, deve ser mesmo a versão de Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, cantada por Paulinho e por Marisa Monte.

 

TELEVISÃO

Natureza e Imagem/Marcelo Skaf
Ilha dos Golfinhos: imagens deslumbrantes


A Ilha dos Golfinhos
(Brasil, 2003. Domingo, dia 14, às 21h, com reprises no dia 17, às 9h e 15h, no National Geographic Channel) – Recentemente, esse documentário nacional ganhou a Palma de Bronze no Festival Mundial da Imagem Submarina, considerado o Oscar do gênero. Detalhe: ficou à frente de produções de pesos-pesados como Jean-Michel Cousteau, filho do francês Jacques Cousteau. O programa mostra como vivem os golfinhos-rotadores, espécie que habita uma baía localizada no arquipélago de Fernando de Noronha. Captadas pelo cinegrafista Lawrence Wahba, que divide a direção com Rodrigo Astiz, as imagens são deslumbrantes. Elas flagram de perto as coreografias dos golfinhos, bem como suas estratégias de acasalamento e sobrevivência.

 

LIVROS

Divórcio em Buda, de Sándor Márai (tradução de Ladislao Szabo; Companhia das Letras; 174 páginas; 31,50 reais) – Sándor Márai é hoje reconhecido como um dos maiores escritores da Hungria. Mas nem sempre foi assim: durante as quatro décadas em que os comunistas estiveram no poder naquele país, sua obra foi proscrita e o autor viveu no exílio até se suicidar, em 1989, nos Estados Unidos, à beira dos 90 anos. Em sua obra, o que dá o tom é a melancolia e uma visão perturbadora da natureza humana. Divórcio em Buda não foge à regra. No centro do romance está um juiz diante de um caso de divórcio. O casal que deseja se separar é formado por um antigo colega de escola do magistrado e, para sua surpresa, uma mulher com a qual ele flertara fortuitamente anos antes. A partir desse triângulo, Márai constrói uma trama sobre a hipocrisia e a falta de comunicação nos relacionamentos. Leia trecho do livro.

Asas, de Mikhail Kuzmin (tradução de Elias Ribeiro de Castro; Z; 176 páginas; 30 reais) – Mikhail Kuzmin (1872-1936) é uma versão russa do irlandês Oscar Wilde. Escritor e intelectual de primeira grandeza, ele professava sua homossexualidade abertamente e escreveu aquele que é considerado o marco inicial da literatura gay em seu país. Asas, a novela em questão, veio a público em 1906, mas saiu de circulação – como, de resto, toda a obra do autor, que vai da poesia à dramaturgia – quando o regime soviético passou a perseguir os homossexuais. Só nos anos 80 seu nome foi redescoberto. O livro fala de um adolescente que se apaixona por um homem mais velho e vê-se numa encruzilhada: sair ou não do armário? Kuzmin trata desse tema forte para a época com um estilo elegante e dos mais recatados.

 

 

Fontes: São Paulo: Cultura, Laselva, Saraiva, Livraria da Vila, Fnac, Nobel, Siciliano; Rio: Saraiva, Nobel, Laselva, Sodiler, Siciliano, Argumento; Porto Alegre: Saraiva, Nobel, Livraria Ed. Porto Alegre, Siciliano, Livrarias Porto; Brasília: Sodiler, Nobel, Siciliano, Saraiva, Leitura; Recife: Sodiler, Nobel, Saraiva, Siciliano; Natal: Nobel, Sodiler; Florianópolis: Siciliano, Livrarias Catarinense; Goiânia: Siciliano, Nobel; Fortaleza: Siciliano, Laselva, Nobel; Salvador: Siciliano; Curitiba: Siciliano, Saraiva, Livrarias Curitiba; Belo Horizonte: Siciliano, Nobel, Leitura; Maceió: Sodiler, Nobel; Belém: Nobel, Laselva.
 
 
 
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