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Saúde
O pós-botox
Um
creme com o
mesmo efeito da toxina
botulínica? Isso ainda está longe de existir

Paula
Neiva
Uma
substância que elimine rugas e marcas de expressão,
como o Botox, mas que, ao contrário do Botox, não
precise ser administrada por meio de injeções: essa
é a pedra filosofal atrás da qual a indústria
de cosméticos move mundos e muitos, muitos fundos. O mais
próximo a que se chegou disso leva o nome de argirelina.
Criada pelo laboratório espanhol Lipotec, a substância
já foi incorporada à linha de produção
de algumas das mais renomadas marcas de produtos de beleza, como
Elizabeth Arden, Helena Rubinstein e Revlon. Na forma de cremes
e géis, tem efeito bem menor que o das agulhadas de toxina
botulínica, o princípio do Botox. Depois de um mês
de uso, a redução das rugas na região dos olhos
(sua principal indicação) chega a 30%, no máximo,
de acordo com uma pesquisa publicada na revista International
Journal of Cosmetic Science.
A
argirelina é um tipo de açúcar que penetra
até a camada intermediária da pele, a epiderme. Assim
como a toxina botulínica, ela tenta inibir a ação
de uma das substâncias responsáveis pela contração
muscular, a acetilcolina. Quando a musculatura não se contrai
(ou se contrai menos), as marcas de expressão são
atenuadas. Por serem injetáveis, o Botox e seus similares
conseguem chegar até o músculo e paralisá-lo
o que não acontece com a argirelina. Em compensação,
ela tem um efeito hidratante que a toxina botulínica não
tem. Por se tratar de um açúcar, a argirelina retém
água com facilidade. E uma pele hidratada é menos
suscetível a rugas do que uma pele ressecada e quebradiça.
"Os resultados do estudo com a argirelina são interessantes",
diz a dermatologista Denise Steiner, de São Paulo. "Mas a
verdade é que ainda estamos longe de um substituto para a
toxina botulínica."
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