Edição 1 623 -10/11/1999

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Livros

O Testamento, de John Grisham (tradução de Aulyde Soares Rodrigues; Rocco; 439 páginas; 29,50 reais) – Em seu novo romance, como de hábito, o autor de A Firma e O Dossiê Pelicano oferece boa diversão. Mas, para o público brasileiro, O Testamento tem um atrativo extra. Boa parte da história se passa no Pantanal Mato-Grossense, que Grisham visitou por duas vezes como turista. Na trama, um milionário americano, desgostoso com o caráter dos herdeiros de seus três casamentos, prepara-lhes uma armadilha no testamento: deixa a fortuna de 11 bilhões de dólares para uma filha ilegítima que trabalha como missionária no Pantanal. Cabe a um advogado localizá-la, fugindo de crocodilos traiçoeiros e mosquitos famintos. Grisham dá também informações adicionais sobre o Brasil. Explica, por exemplo, o que é um despachante, figura inexistente (e impensável) na burocracia dos países desenvolvidos.

Vento Sudoeste, de Luiz Alfredo Garcia-Roza (Companhia das Letras; 210 páginas; 23 reais) – Figura única nos meios literários brasileiros, Garcia-Roza é um teórico da psicanálise que, depois de escrever oito obras acadêmicas sobre o assunto, resolveu dedicar-se às amenidades do romance policial. Deu-se muito bem em suas duas primeiras empreitadas, O Silêncio da Chuva e Achados e Perdidos, ambos sucesso de crítica e público. Em Vento Sudoeste, ele volta a contar as peripécias do delegado Espinosa pelo Rio de Janeiro, desta vez às voltas com um assassinato que ainda está para ser perpetrado e do qual fica sabendo por iniciativa do próprio futuro assassino. Embora o autor não seja nenhum Dashiell Hammett, autor-chave do policial americano, a história prende do início ao fim e os personagens são bem construídos.

 

Televisão

The Kids Are Alright, com The Who (dia 7 às 19h e dia 8 às 3h e 11h, no Films&Arts) – Um dos melhores documentários já realizados sobre uma banda de rock. Nos anos 60, o Who criou boa parte das "regras" de comportamento desse gênero musical. Seus integrantes foram pioneiros na destruição de quartos de hotéis e quebravam os instrumentos ao final de cada show. Ao mesmo tempo, faziam atuações memoráveis, como no festival de Woodstock, em 1969. The Kids Are Alright traz alguns dos grandes shows do grupo, entrevistas com os músicos e uma participação do ex-beatle Ringo Starr, que os acompanhava nas travessuras.

 

Vídeo

Joana D'Arc (Joan of Arc, Canadá, 1999, lançamento Top Tape) – Caprichada produção para a TV da saga da heroína francesa que acabou queimada na fogueira. A fita foi indicada para nada menos que onze prêmios Emmy, o Oscar da televisão. Levou um, para Peter O'Toole, como melhor ator coadjuvante. Além dele, participam do elenco Jacqueline Bisset, Shirley MacLaine e Olympia Dukakis. A história é contada de maneira tradicional, com belos cenários, muita aventura e emoção. No papel-título está a ninfeta Leelee Sobieski, que atuou recentemente em Nunca Fui Beijada e em De Olhos Bem Fechados.

Filme

Zade Resenthal/Universal

Martin e Murphy: boa sátira

Os Picaretas (Bowfinger, Estados Unidos, 1999, estréia nesta sexta-feira em circuito nacional) – O comediante Steve Martin assina o roteiro desta ótima sátira sobre um produtor de cinema que faz qualquer negócio para tirar o pé da lama. Sua idéia é rodar um filme chamado Chuva Rechonchuda, sobre alienígenas que invadem a Terra dentro de gotas de chuva. Como a fita só sairá do papel se houver um grande nome encabeçando o elenco, o produtor (o próprio Martin) sai atrás do maior astro de Hollywood, vivido por Eddie Murphy. As esquisitices de Los Angeles e os exageros do culto à celebridade compõem um divertido pano de fundo para o verdadeiro propósito do roteirista: fazer um inventário do pior pesadelo dos americanos, o de tornar-se uma pessoa fracassada.

 

Disco

As Time Goes By, Bryan Ferry (Virgin) – Ferry é uma espécie de versão pop de cantores como Frank Sinatra e Nat King Cole. Ele surgiu num dos grupos de rock mais marcantes dos anos 70, o Roxy Music, mas logo iniciou carreira-solo amparado em seu estilo elegante e ligeiramente irônico de interpretação. Sua especialidade é a regravação de standards da música americana, numa ampla gama de compositores que vai de George Gershwin a Bob Dylan. É o que ele faz em seu novo CD. Além de canções muito conhecidas, como a faixa-título, recupera músicas meio esquecidas de autores famosos. É o caso da belíssima (e sinistra) Miss Otis Regrets, de Cole Porter, na qual a personagem da letra pede desculpas por faltar a um almoço. Sua justificativa: ela acaba de morrer de amor.