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Livros
O Testamento, de John Grisham (tradução
de Aulyde Soares Rodrigues; Rocco; 439 páginas; 29,50
reais) Em seu novo romance, como de hábito, o autor
de A Firma e O Dossiê Pelicano oferece
boa diversão. Mas, para o público brasileiro, O Testamento
tem um atrativo extra. Boa parte da história se
passa no Pantanal Mato-Grossense, que Grisham
visitou por duas vezes como turista. Na trama, um milionário
americano, desgostoso com o caráter dos herdeiros de
seus três casamentos, prepara-lhes uma armadilha no
testamento: deixa a fortuna de 11 bilhões de dólares
para uma filha ilegítima que trabalha como missionária
no Pantanal. Cabe a um advogado localizá-la, fugindo
de crocodilos traiçoeiros e mosquitos famintos. Grisham
dá também informações adicionais sobre o Brasil. Explica,
por exemplo, o que é um despachante, figura inexistente
(e impensável) na burocracia dos países desenvolvidos.
Vento Sudoeste, de Luiz Alfredo Garcia-Roza
(Companhia das Letras; 210 páginas; 23 reais) Figura
única nos meios literários brasileiros, Garcia-Roza é
um teórico da psicanálise que, depois de escrever oito
obras acadêmicas sobre o assunto, resolveu dedicar-se
às amenidades do romance policial. Deu-se muito bem em
suas duas primeiras empreitadas, O Silêncio da Chuva
e Achados e Perdidos, ambos sucesso de crítica
e público. Em Vento Sudoeste, ele volta a contar
as peripécias do delegado Espinosa pelo Rio de Janeiro,
desta vez às voltas com um assassinato que ainda está
para ser perpetrado e do qual fica sabendo por iniciativa
do próprio futuro assassino. Embora o autor não seja nenhum
Dashiell Hammett, autor-chave do policial americano, a
história prende do início ao fim e os personagens são
bem construídos.
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Televisão
The Kids Are Alright, com The Who (dia
7 às 19h e dia 8 às 3h e 11h, no Films&Arts)
Um dos melhores documentários já realizados sobre uma
banda de rock. Nos anos 60, o Who criou boa parte das
"regras" de comportamento desse gênero musical.
Seus integrantes foram pioneiros na destruição de quartos
de hotéis e quebravam os instrumentos ao final de cada
show. Ao mesmo tempo, faziam atuações memoráveis, como
no festival de Woodstock, em 1969. The Kids Are Alright
traz alguns dos grandes shows do grupo, entrevistas
com os músicos e uma participação do ex-beatle Ringo
Starr, que os acompanhava nas travessuras.
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Vídeo
Joana D'Arc (Joan of Arc,
Canadá, 1999, lançamento Top Tape) Caprichada produção
para a TV da saga da heroína francesa que acabou queimada
na fogueira. A fita foi indicada para nada menos que
onze prêmios Emmy, o Oscar da televisão. Levou um, para
Peter O'Toole, como melhor ator coadjuvante. Além dele,
participam do elenco Jacqueline Bisset, Shirley MacLaine
e Olympia Dukakis. A história é contada de maneira tradicional,
com belos cenários, muita aventura e emoção. No papel-título
está a ninfeta Leelee Sobieski, que atuou recentemente
em Nunca Fui Beijada e em De Olhos Bem Fechados.
Filme
Zade Resenthal/Universal
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Martin e Murphy: boa sátira
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Os Picaretas (Bowfinger,
Estados Unidos, 1999, estréia nesta sexta-feira em circuito
nacional) O comediante Steve Martin assina o
roteiro desta ótima sátira sobre um produtor de cinema
que faz qualquer negócio para tirar o pé da lama. Sua
idéia é rodar um filme chamado Chuva Rechonchuda, sobre
alienígenas que invadem a Terra dentro de gotas de chuva.
Como a fita só sairá do papel se houver um grande nome
encabeçando o elenco, o produtor (o próprio Martin)
sai atrás do maior astro de Hollywood, vivido por Eddie
Murphy. As esquisitices de Los Angeles e os exageros
do culto à celebridade compõem um divertido pano de
fundo para o verdadeiro propósito do roteirista: fazer
um inventário do pior pesadelo dos americanos, o de
tornar-se uma pessoa fracassada.
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Disco
As Time Goes By, Bryan Ferry (Virgin)
Ferry é uma espécie de versão pop de cantores
como Frank Sinatra e Nat King Cole. Ele surgiu num dos
grupos de rock mais marcantes dos anos 70, o Roxy Music,
mas logo iniciou carreira-solo amparado em seu estilo
elegante e ligeiramente irônico de interpretação. Sua
especialidade é a regravação de standards da música
americana, numa ampla gama de compositores que vai de
George Gershwin a Bob Dylan. É o que ele faz em seu
novo CD. Além de canções muito conhecidas, como a faixa-título,
recupera músicas meio esquecidas de autores famosos.
É o caso da belíssima (e sinistra) Miss Otis Regrets,
de Cole Porter, na qual a personagem da letra pede desculpas
por faltar a um almoço. Sua justificativa: ela acaba
de morrer de amor.
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