Edição 1 623 -10/11/1999

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Como ser idiota

Como Ser Solteiro vira
série no canal Multishow

Pepê Schettino
O elenco em ação: um festival de clichês


Um tímido crônico pede conselhos ao amigo bonitão e bem-sucedido com as mulheres. Foi com esse argumento para lá de rasteiro que Como Ser Solteiro, filme de estréia da carioca Rosane Svartman, se tornou a quarta maior bilheteria do cinema nacional no ano passado. Conquistou 170.000 espectadores e rendeu alguns trocados para seus produtores, que empataram apenas 650.000 reais no orçamento. O sucesso de um filme tão despretensioso gerou frutos. Nesta quinta-feira, o canal a cabo Multishow exibe o primeiro episódio da série Como Ser Solteiro. É uma tentativa de pegar carona no êxito do longa-metragem. Da versão original, restaram os dois protagonistas. Ernesto Piccolo volta a viver o feioso que não descola ninguém e Heitor Martinez Mello retoma o papel de dom-juan das praias do Rio de Janeiro.

Os folhetos de propaganda das Organizações Globo, à qual pertence o Multishow, querem passar a idéia de que se trata de uma versão carioca de Friends, uma das melhores séries da televisão americana. Divulgadores, como se sabe, gostam de forçar a barra para vender o seu peixe. A versão televisiva de Como Ser Solteiro consegue ter mais clichês do que a fita. O filmeto que irá ao ar nesta semana gira em torno da velha história do jovem gay que recebe a visita da mãe e pede à amiga que finja ser sua namorada. Os três episódios iniciais, que custaram 300.000 reais, foram bancados pelo Multishow. Serão dez ao todo, se houver patrocínio. Alguém aí quer perder dinheiro?