Edição 1 623 -10/11/1999

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Na ponta do lápis

Fórmula criada para calcular êxito de filmes aponta
que o gosto do brasileiro é imprevisível

 

A equação para prever o sucesso: revelando
peculiaridades culturais

O que determina o sucesso ou o fracasso de um filme? Ninguém sabe. Um orçamento milionário pode ter colaborado para o êxito de Titanic, mas de nada adiantou para salvar Waterworld do fiasco. A presença de Tom Cruise no elenco pode ter auxiliado De Olhos Bem Fechados a decolar, mas a escalação de Will Smith não impediu o naufrágio de As Loucas Aventuras de James West. Há poucas semanas, dois professores concluíram uma pesquisa que pode diminuir o índice de sobressaltos na indústria cinematográfica. Ramya Neelamegham, da Universidade do Colorado, e Pradeep Chintagunta, da Universidade de Chicago, criaram uma intrincada equação matemática para medir as chances de sucesso de cada produção de Hollywood, principalmente nos mercados externos. Entram na conta o gênero da fita, as estrelas que estão no elenco, o número de salas em que ela será lançada, as características culturais de cada país e por aí afora.

Depois de aplicar a fórmula em 35 filmes já exibidos pelo mundo, a título de teste, os pesquisadores constataram que ela funciona, embora com uma margem de erro. O teste também revelou várias características curiosas sobre os mercados internacionais de cinema. Os países onde os thrillers fazem mais sucesso, por exemplo, são o Japão e o México. Já as fitas românticas são as favoritas nos Estados Unidos, Suécia, Alemanha e África do Sul. Quanto ao Brasil, a dupla chegou a duas conclusões. Primeiro: o público brasileiro não tem preferência por gêneros cinematográficos. Segundo: a presença de grandes astros no elenco não representa garantia de boa bilheteria. "O Brasil e a Inglaterra são os dois mercados mais imprevisíveis do mundo para o cinema", disse Ramya Neelamegham a VEJA.

Dois exemplos ilustram como o brasileiro não se encaixa nos padrões internacionais. Advogado do Diabo, estrelado por Al Pacino e Keanu Reeves, foi um fiasco no resto do mundo, mas fez 1,8 milhão de espectadores nas 28 semanas em que ficou em cartaz no Brasil. Passadas nove semanas desde seu lançamento, o filme havia faturado apenas 3 milhões de dólares fora dos Estados Unidos. Em igual intervalo de tempo, Teoria da Conspiração, com Julia Roberts e Mel Gibson, fez dez vezes mais dinheiro. No Brasil, ao contrário do esperado, ficou em cartaz apenas nove semanas e foi visto por menos de 600.000 pessoas.