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Na ponta do lápis
Fórmula criada para calcular êxito
de filmes aponta
que o gosto do brasileiro é imprevisível
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A equação para prever o sucesso: revelando
peculiaridades culturais
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O que determina o sucesso ou o fracasso de um filme?
Ninguém sabe. Um orçamento milionário pode
ter colaborado para o êxito de Titanic, mas de nada
adiantou para salvar Waterworld do fiasco. A presença
de Tom Cruise no elenco pode ter auxiliado De Olhos Bem Fechados
a decolar, mas a escalação de Will Smith não
impediu o naufrágio de As Loucas Aventuras de James West.
Há poucas semanas, dois professores concluíram
uma pesquisa que pode diminuir o índice de sobressaltos na
indústria cinematográfica. Ramya Neelamegham, da Universidade
do Colorado, e Pradeep Chintagunta, da Universidade de Chicago,
criaram uma intrincada equação matemática para
medir as chances de sucesso de cada produção de Hollywood,
principalmente nos mercados externos. Entram na conta o gênero
da fita, as estrelas que estão no elenco, o número
de salas em que ela será lançada, as características
culturais de cada país e por aí afora.
Depois de aplicar a fórmula em 35 filmes já exibidos
pelo mundo, a título de teste, os pesquisadores constataram
que ela funciona, embora com uma margem de erro. O teste também
revelou várias características curiosas sobre os mercados
internacionais de cinema. Os países onde os thrillers fazem
mais sucesso, por exemplo, são o Japão e o México.
Já as fitas românticas são as favoritas nos
Estados Unidos, Suécia, Alemanha e África do Sul.
Quanto ao Brasil, a dupla chegou a duas conclusões. Primeiro:
o público brasileiro não tem preferência por
gêneros cinematográficos. Segundo: a presença
de grandes astros no elenco não representa garantia de boa
bilheteria. "O Brasil e a Inglaterra são os dois mercados
mais imprevisíveis do mundo para o cinema", disse Ramya Neelamegham
a VEJA.
Dois exemplos ilustram como o brasileiro não se encaixa
nos padrões internacionais. Advogado do Diabo, estrelado
por Al Pacino e Keanu Reeves, foi um fiasco no resto do mundo, mas
fez 1,8 milhão de espectadores nas 28 semanas em que ficou
em cartaz no Brasil. Passadas nove semanas desde seu lançamento,
o filme havia faturado apenas 3 milhões de dólares
fora dos Estados Unidos. Em igual intervalo de tempo, Teoria
da Conspiração, com Julia Roberts e Mel Gibson,
fez dez vezes mais dinheiro. No Brasil, ao contrário do esperado,
ficou em cartaz apenas nove semanas e foi visto por menos de 600.000
pessoas.
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