Edição 1 623 -10/11/1999

VEJA esta semana

Brasil
Internacional
Geral
Economia e Negócios
Guia
Artes e Espetáculos
Finnegans Wake em português
O novo Dicionário Aurélio
Sucessos regravados para driblar a crise
Vitalidade no alemão Corra Lola, Corra
Filmes ruins que divertem
A fórmula de Hollywood para o sucesso mundial
Antonia San Juan, a estrela de Almodóvar

Seriado nacional mostra como ser solteiro

Colunas
Stephen Kanitz
Sérgio Abranches
Diogo Mainardi
Roberto Pompeu de Toledo
Seções
Carta ao leitor
Entrevista
Cartas
Radar
Contexto
Holofote
Veja essa
Hipertexto
Gente
Datas

Banco de Dados 

Para pesquisar digite uma ou mais palavras no campo abaixo. 


É só bobagem

Enredos sem pé nem cabeça
às vezes são boa diversão

Isabela Boscov

'99WB and Village Roadshow Film Ltd

Tubarão turbinado de
Do Fundo do
Mar: a graça
está nos furos do roteiro

O diretor é conhecido, os efeitos especiais são de primeira e no elenco há até nomes ilustres. Mas não há como disfarçar: trata-se de um legítimo filme B. Na gíria cinematográfica, a expressão designa aquelas fitas com histórias meio absurdas e sem nenhuma intenção além de divertir – às vezes pelo ridículo das cenas. Confira-se a sinopse: numa estação de esquisa em alto-mar, cientistas tentam escapar dos dentes de uma turma de tubarões geneticamente modificados, muito mais espertos e vorazes do que qualquer tubarão branco. E que tal este outro enredo: um poeta árabe acompanha doze guerreiros vikings que têm a missão de exterminar uma tribo de devoradores de gente. Filmes como Do Fundo do Mar (Deep Blue Sea) e O 13º Guerreiro (The 13th Warrior), ambos realizados nos Estados Unidos em 1999, que estréiam nesta sexta-feira em circuito nacional, de fato não têm grande contribuição a dar no quesito cultura geral. Mais fácil, aliás, é desaprender aquilo que já se sabe com sua representação equivocada da vida marinha ou dos costumes dos povos escandinavos na Idade Média.

Do Fundo do Mar é o que mostra mais esse espírito descompromissado. Dirigido por Renny Harlin, do sucesso Duro de Matar 2, ele mistura ótimos intérpretes, como Samuel L. Jackson e Stellan Skarsgård, com atores inexpressivos de dar dó. Todos estão lá para virar comida de tubarão e também para faturar um trocado, claro. Ao final, é impossível não se divertir com a sucessão de absurdos que compõem a trama. A receita se repete em O 13º Guerreiro, que traz Antonio Banderas como o tal poeta árabe e conta até com uma ponta do venerando Omar Sharif. O resto do elenco, contudo, parece saído de um videoclipe da banda Sepultura. Haja cabelos desgrenhados e gente falando grosso. Baseado num romance de Michael Crichton, de Parque dos Dinossauros, o filme enfrentou uma produção conturbada. A certa altura, Crichton se desentendeu com o cineasta John McTiernan (do primeiro Duro de Matar) e assumiu a direção. O resultado, nas duas fitas, é o mesmo: um punhado de cenas espetaculares alinhavadas por um arremedo de roteiro. Mas quem se importa? Nesse cinema bom de bordado e ruim de costura, nada é feito para durar mais do que as duas horas de projeção.