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É só bobagem
Enredos sem pé nem cabeça
às vezes são boa diversão
Isabela Boscov
'99WB and Village Roadshow Film Ltd
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Tubarão turbinado de
Do Fundo do Mar: a graça
está nos furos do roteiro
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O diretor é conhecido, os efeitos especiais são de
primeira e no elenco há até nomes ilustres. Mas não
há como disfarçar: trata-se de um legítimo
filme B. Na gíria cinematográfica, a expressão
designa aquelas fitas com histórias meio absurdas e sem nenhuma
intenção além de divertir às vezes
pelo ridículo das cenas. Confira-se a sinopse: numa estação
de esquisa em alto-mar, cientistas tentam escapar dos dentes de
uma turma de tubarões geneticamente modificados, muito mais
espertos e vorazes do que qualquer tubarão branco. E que
tal este outro enredo: um poeta árabe acompanha doze guerreiros
vikings que têm a missão de exterminar uma tribo de
devoradores de gente. Filmes como Do Fundo do Mar (Deep
Blue Sea) e O 13º Guerreiro (The 13th
Warrior), ambos realizados nos Estados Unidos em 1999, que estréiam
nesta sexta-feira em circuito nacional, de fato não têm
grande contribuição a dar no quesito cultura geral.
Mais fácil, aliás, é desaprender aquilo que
já se sabe com sua representação equivocada
da vida marinha ou dos costumes dos povos escandinavos na Idade
Média.
Do Fundo do Mar é o que mostra mais esse espírito
descompromissado. Dirigido por Renny Harlin, do sucesso Duro
de Matar 2, ele mistura ótimos intérpretes, como
Samuel L. Jackson e Stellan Skarsgård, com atores inexpressivos
de dar dó. Todos estão lá para virar comida
de tubarão e também para faturar um trocado, claro.
Ao final, é impossível não se divertir com
a sucessão de absurdos que compõem a trama. A receita
se repete em O 13º Guerreiro, que traz Antonio Banderas
como o tal poeta árabe e conta até com uma ponta do
venerando Omar Sharif. O resto do elenco, contudo, parece saído
de um videoclipe da banda Sepultura. Haja cabelos desgrenhados e
gente falando grosso. Baseado num romance de Michael Crichton, de
Parque dos Dinossauros, o filme enfrentou uma produção
conturbada. A certa altura, Crichton se desentendeu com o cineasta
John McTiernan (do primeiro Duro de Matar) e assumiu a direção.
O resultado, nas duas fitas, é o mesmo: um punhado de cenas
espetaculares alinhavadas por um arremedo de roteiro. Mas quem se
importa? Nesse cinema bom de bordado e ruim de costura, nada é
feito para durar mais do que as duas horas de projeção.
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