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De fôlego novo
Já era tempo com Corra Lola,
Corra,
o cinema alemão volta a dar sinais de vitalidade
Isabela Boscov
Bernd Spauke

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| Franka Potente, que vive a protagonista: amor em
embalagem transgressiva |
Há quase vinte anos Werner Herzog não
lança um filme digno de nota. Rainer Werner Fassbinder
morreu em 1982 e Wim Wenders continua rodando, só que
em falso. Privado de seus expoentes, não é de
estranhar que o cinema alemão tenha praticamente sumido
do cenário mundial. A produção do país
continua viva, mas raras vezes alcança aquela ressonância
que fez dela uma das mais celebradas da década de 70.
Um bom indício de que a Alemanha pode voltar a dar
o tom chega nesta sexta-feira aos cinemas de São Paulo
e Rio de Janeiro. Corra Lola, Corra (Lola
Rennt, Alemanha, 1998) não tem nomes célebres
na frente ou atrás das câmaras. Também
não é uma alegoria sobre crises históricas
ou existenciais, como tantos filmes daquele país. O
drama aqui é o mais imediato possível: a jovem
Lola tem apenas vinte minutos para reunir uma fortuna em dinheiro
e impedir que um gângster execute seu namorado. Sua
correria desenfreada, porém, vai se desenrolar aos
olhos da platéia não apenas uma, mas três
vezes. Como se fossem universos paralelos. Em cada um deles,
mudanças mínimas na ação ou no
humor dos personagens acarretam desfechos radicalmente diferentes.
Não é difícil perceber que Corra
Lola, Corra tem laços bem mais fortes com produções
como o americano Pulp Fiction e o inglês Trainspotting
do que com a tradição alemã. Ainda assim,
pela originalidade e vigor com que o diretor Tom Tykwer aborda
esse enredo tão simples, sua fita é um exemplar
digno do melhor que seu país já produziu. O
mais surpreendente em Lola, no entanto, não
é o visual transgressivo ou a trilha sonora tecno que
pontua a ação aeróbica. Dentro dessa
embalagem moderna, há uma boa e velha história
de amor. E o diretor Tykwer não poderia ter escolhido
melhor figura para ancorá-la do que a atriz Franka
Potente, que vive a protagonista. Com sua determinação,
sua energia física e seus gritos capazes de quebrar
vidro, ela cumpre tudo aquilo que seu sobrenome promete.
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