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O golpe do baú
Faltou criatividade?
O jeito é regravar canções antigas
que o público já conhece
Rogerio Voltan
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Falcão: antologia do brega como arma para voltar
a vender discos
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A julgar pelos lançamentos de MPB neste final de ano, a
criatividade do gênero anda mesmo em baixa. Muitos de seus
nomes mais conhecidos, em vez de gravar discos com músicas
novas, dedicaram-se a regravar canções antigas, de
sua própria lavra ou de outros artistas. Na semana passada,
chegou às lojas o CD As Dez Mais, dos Titãs,
cujas atrações são sucessos de Lulu Santos
e dos Mamonas Assassinas. O grupo Ira! contra-atacou com Isso
É Amor, onde cantam Sentado à Beira do Caminho,
de Roberto e Erasmo Carlos, entre outras velharias. Na área
popularesca, Falcão está lançando 500 Anos
de Chifre, uma espécie de antologia do brega em todos
os tempos. Gal Costa também optou pelo passado em seu Gal
Canta Tom Jobim. O compositor Djavan, por seu turno, está
com um CD duplo na praça, no qual passa em revista o seu
repertório. Em dezembro, o grupo Barão Vermelho sai
com Balada MTV, que resgata do baú hits de Raul Seixas
e do Legião Urbana.
Rui Mendes
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Titãs: músicas de Lulu Santos e dos Mamonas
para driblar a crise
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"Não optamos pelas regravações por uma questão
de marketing, mas porque não estávamos com energia
para aprontar canções inéditas", admite Marcelo
Frommer, dos Titãs. A falta de criatividade explica apenas
em parte essa mania de regravações. A onda também
atende a uma demanda do público. E que demanda. O mercado
vem apostando nesse recurso desde que Maria Bethânia gravou
um CD só com músicas de Roberto Carlos, em 1993, e
pulou da média de 100.000 discos
vendidos para mais de 1 milhão. As gravadoras estão
achando tudo ótimo. Pela simples razão de que o risco
de perder dinheiro é mínimo, ao contrário do
que acontece com os discos realmente novos. "Toda vez que o mercado
passa por dificuldades, como agora, em que as vendagens caíram,
é natural que as regravações surjam com mais
força", diz Sérgio Affonso, presidente da WEA. As
regravações por motivos mercadológicos não
são uma exclusividade brasileira. No exterior, quando dois
discos de um artista famoso vão mal consecutivamente, o truque
é usado com freqüência. Foi o que aconteceu há
pouco com o cantor George Michael, que acaba de lançar um
CD com músicas manjadas de Cole Porter e George Gershwin.
As regravações representam um bom caça-níqueis,
mas a longo prazo servem apenas para banalizar a carreira dos artistas.
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