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Guerra é guerra
Para enfrentar a concorrência,
o velho e bom Aurélio
ganha uma versão atualizada
Celso Masson
Antonio Ribeiro
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| O autor: sinônimo de dicionário |
Após treze anos sem passar por nenhuma atualização,
o dicionário Aurélio finalmente chega reformulado
às livrarias. A nova edição, que traz o subtítulo
Século XXI, foi impressa em duas cores, recurso que
facilita a consulta, e tem 300 páginas a mais do que a versão
anterior: exatas 2.160. Desde que foi
lançado, em 1975, o Aurélio já vendeu
15 milhões de exemplares. No mercado editorial brasileiro,
só a Bíblia bateu essa tiragem. Entre os dicionários,
não teve concorrentes de peso até abril do ano passado,
quando surgiu o Michaelis. Com 2.259
páginas, mais de 200.000 verbetes
e custando cerca de 20 reais mais barato que o rival, a novidade
foi um sucesso. Vendeu 85.000 exemplares
em pouco mais de um ano. Agora é a vez de o veterano contra-atacar.
Adotando uma estratégia inédita, a Editora Nova Fronteira
não fixou o preço de venda, que será definido
pelo lojista. Estima-se que chegue ao comprador na faixa de 90 reais.
A versão eletrônica do dicionário, em CD-ROM,
também terá preço liberado.
O Novo Aurélio Século XXI tem 25% mais texto
do que a edição anterior. Ele agora traz 28.000
verbetes que não existiam, totalizando 168.000.
Como esse número ainda é menor que o do concorrente,
a editora fez um malabarismo. Em vez de indicar apenas a quantidade
de verbetes, soma-os às locuções e definições.
O resultado é um número vistoso, 435.000.
Só que ele não corresponde ao critério usado
internacionalmente para descrever a abrangência de uma obra
desse gênero. Apesar do truque, é inegável que
o dicionário está mais completo. O grande acréscimo
deu-se nos termos relativos à informática. A palavra
navegação, antes restrita ao ato de locomover-se em
embarcação ou aeronave, agora vem definida também
como "ato ou efeito de percorrer um hipertexto". Hipertexto, como
se sabe, é mais uma novidade da era da internet que não
existia em 1986, ano da segunda edição do Aurélio.
O dicionário que sai agora começou a ser preparado
assim que o anterior deixou o prelo. Na ocasião, o alagoano
Aurélio Buarque de Holanda Ferreira (1910-1989) ainda coordenava
pessoalmente os trabalhos. Sua maior preocupação,
que acabou se tornando a principal característica do dicionário,
é o uso de exemplos e citações literárias.
Na nova edição, eles somam 54.000,
extraídos de 1.400 autores. Com
a morte de seu criador, a reedição do dicionário
ficou a cargo de Marina Baird Ferreira, uma ex-aluna que se tornou
assistente e, por fim, mulher do autor. Ela atualizou o dicionário
com a ajuda da lexicógrafa Margarida dos Anjos Couto e de
um time de onze pesquisadores, dois deles egressos da equipe que
colaborou com o filólogo Antônio Houaiss na elaboração
do mais ambicioso dicionário da língua portuguesa,
ainda sem previsão de lançamento.
O jeitão Aurélio foi preservado, mesmo ferindo
as normas do politicamente correto. "Avarento" continua sendo sinônimo
para "judeu" e a expressão "preto de alma branca" não
foi descartada. Há algumas esquisitices na nova edição.
Um dos verbetes acrescentados é "ium-el-ahad", o primeiro
dia da semana do calendário muçulmano, equivalente
ao domingo. Normalmente, palavras como essa figuram em enciclopédias.
"Consideramos que as datas significativas do mundo árabe
estão cada vez mais presentes no noticiário dos países
de língua portuguesa", justifica Marina. Por pura modéstia,
o termo "aurélio" não foi transformado em verbete,
apesar de ter virado sinônimo de dicionário.
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