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Motoristas
Viva a dona Maria
Pesquisas confirmam que a mulher
é melhor ao volante que o homem
Fotos: Ricardo Benichio
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| Carreira e Valéria: eles causam os acidentes
mais violentos. Elas são responsáveis pelas pequenas batidas |
Na próxima vez que você, leitor do sexo masculino, disputar
espaço com uma mulher no trânsito, pense duas vezes antes
de soltar aquela frase machista: "Vai pra casa, dona
Maria!" A quantidade de pesquisas que atestam a superioridade
feminina ao volante é impressionante. Pelo menos no que diz
respeito à capacidade de evitar acidentes. O mais recente
desses levantamentos, feito por uma firma paulista especializada
em vistoria de automóveis acidentados, mostra que as mulheres
causam apenas 25% das ocorrências. E, em geral, as batidas
são pequenas. Essas duas razões estão fazendo com que elas
sejam contempladas com descontos maiores na hora de fazer
o seguro do carro. A mesma pesquisa traça um perfil do motorista
ideal: mulher, com mais de 35 anos, casada e mãe de filhos
pequenos.
De acordo com um estudo feito pelo professor de estatística
David Duarte Lima, da Universidade de Brasília, a proporção
de mortes em decorrência de acidentes de trânsito é de quatro
homens para uma mulher. Cerca de 80% das ocorrências graves
são causadas por imprudência. Incluem-se aqui aquelas práticas
execráveis como dirigir embriagado, abusar da velocidade e
andar colado ao veículo da frente. "Esse é o comportamento
típico de homens que começam a dirigir", afirma o psicólogo
Salomão Rabinovich, diretor do Centro de Psicologia Aplicada
ao Trânsito, Cepat, de São Paulo. Para a maioria dos marmanjos,
o carro é uma continuidade de seu próprio ser, uma forma de
afirmar a virilidade. Por isso mesmo, as campanhas publicitárias
enfatizam tanto o papel do automóvel como um instrumento de
sedução. Ao pisar fundo, eles se sentem mais potentes, mais
desejáveis. As mulheres, por seu turno, costumam ter apenas
uma visão utilitária do automóvel. Isso não impede, no entanto,
que elas também extravasem suas neuroses ao volante. "Em
geral, as mulheres são muito fominhas quando estão na direção",
admite a piloto de corridas Valéria Zoppello.
Os especialistas são unânimes em afirmar que elas poderiam
evitar os pequenos acidentes se treinassem um aspecto no qual
apresentam grande deficiência o reflexo. E se prestassem
mais atenção aos trajetos. Muitos dos acidentes envolvendo
mulheres acontecem porque as motoristas tentam virar à direita
ou à esquerda repentinamente, sem dar chance ao carro de trás
de frear a tempo. Além disso, elas estão abusando do telefone
celular enquanto dirigem o que é uma infração prevista
no Código Nacional de Trânsito. Conhecer as características
gerais de homens e mulheres ao volante só tem sentido se um
estiver disposto a copiar o que o outro tem de melhor. Do
contrário, a discussão cairá no vazio sexista. O piloto Luiz
Carreira Junior, colega de competições de Valéria Zoppello,
é quem dá a receita. "Os homens teriam a ganhar se fossem
tão prudentes quanto as mulheres. E elas seriam melhores motoristas
se fossem mais atentas ao que acontece à sua volta",
diz ele.
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