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Pobreza
Pobreza espalhada
Ministério identifica treze bolsões
de miséria no país.
Cada região tem pelo menos um
No início dos anos 70, o economista Edmar Bacha inventou
o termo Belíndia para denominar o Brasil heterogêneo
que conteria uma Bélgica rica e uma Índia miserável
dentro do seu território. Na semana passada, o Ministério
da Integração Nacional divulgou um mapa mostrando
aquilo que seria a Índia. Os técnicos do ministério
cruzaram dados como renda, desnutrição e analfabetismo
do país inteiro e identificaram treze áreas
com índices insuficientes de desenvolvimento humano.
São 600 municípios onde vivem 26 milhões
de pessoas em condições de sobrevivência
bem abaixo do que seria satisfatório. Se fosse uma
nação, esse Brasil pobre não teria exatamente
as dimensões indianas. Ele teria o tamanho de oito
Uruguais, a população do Marrocos e o índice
de desenvolvimento humano (IDH) de Uganda. Nada que se compare
à visão apocalíptica dos 64 milhões
de pobres que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,
IBGE, divulgou em 1990 nem aos 32 milhões divulgados
pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea,
em 1992. Mas ainda é um quadro desolador. "Para combater
o problema, é preciso identificá-lo", diz Vilmar
Faria, assessor especial da Presidência para assuntos
sociais.
No momento em que o país passa a discutir o tema
seriamente, o trabalho do ministério acrescentou ao
debate um dado importante: a pobreza brasileira tem faces
e origens diferentes. Quando se fala em miséria no
Brasil, pensa-se logo no sertanejo do Nordeste sofrendo com
a falta d'água. O estudo indicou miseráveis
em condições tão precárias também
no Norte, onde as águas e a floresta são abundantes,
no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Pelo mapa divulgado,
os bolsões de pobreza estão distribuídos
pelas cinco macrorregiões do país. Nenhuma se
salvou. Alguns dos lugares identificados estão, também,
localizados em Estados com alto grau de desenvolvimento, como
Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas Gerais.
Se a pobreza tem origens e localizações variadas,
as soluções obedecem a uma só cartilha.
Os estudiosos são unânimes em afirmar que a solução
para a miséria é um misto de crescimento econômico
com investimento em educação. Da década
de 70 para cá, os dois maiores momentos de diminuição
de pobreza foram justamente o milagre econômico dos
tempos da ditadura militar e os três primeiros anos
do Plano Real. O problema é que, para erradicar a miséria
no Brasil, o produto interno bruto teria de crescer 4,5% durante
vinte anos seguidos. Neste ano, o índice vai ficar
em torno de zero, ou um pouquinho a mais do que isso. Resta
a educação. Segundo um trabalho do Ipea, a possibilidade
de uma pessoa com um ano de escolaridade ser pobre é
de 75%. Se ela tiver entre um e quatro anos de estudo, esse
número cai para 62%. Se tiver entre quatro e oito,
é de 41%. Entre oito e doze, é de 20%. Acima
disso, é de 2%. Essa relação estatística
vale para o país inteiro. O indivíduo com educação
formal completa, dono de um diploma universitário,
só será pobre se quiser. O analfabeto, mesmo
que queira, não deixará de ser um deserdado.
No Sul, no Nordeste ou em qualquer região do país.
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