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Da pista à rua
Tecnologia sai da Fórmula 1 e
dos laboratórios para os carros
de passeio, que ficam melhores
Marcos Gusmão
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Novo Renault Clio:
freios monitorados |
A Renault lança nesta semana o Clio fabricado no Brasil.
O carro, modelo popular da montadora francesa, é um dos mais
atraentes entre os automóveis de pequeno porte, mas vem com
um equipamento que o distingue dos concorrentes: um sistema
de válvulas que controla a pressão dos freios das rodas traseiras.
O mecanismo evita que o motorista perca o controle da direção
numa freagem brusca. O Clio tem motor 1.0, custará a partir
de 15.000 reais e faz parte de
uma nova geração de veículos que oferecem mais segurança.
A velocidade com que a indústria automobilística avança para
diminuir o perigo de suas máquinas impressiona. Cada montadora
tem uma invenção nova nessa área. Dispositivos eletrônicos
mantêm uma distância segura do carro da frente, outros evitam
derrapagens nas curvas e sensores nas rodas alertam que um
pneu pode estar prestes a estourar. "A tecnologia tem
diminuído o espaço para erros humanos ao volante", diz
Luiz Carlos Pimenta, diretor da Volvo. "O sonho de criar
um carro à prova de barbeiragem está cada vez mais próximo
de virar realidade." As montadoras também têm desenvolvido
cabines e carrocerias que absorvem melhor o impacto de um
acidente. Novos tipos de airbag oferecem mais proteção. Em
breve, os cintos conseguirão frear progressivamente o movimento
do motorista e do passageiro.
Um equipamento bastante esperado é o que mantém uma distância
segura do veículo da frente. Chamado de Distronic, o controlador
automático de velocidade estará no Mercedes Classe S, um sedã
que custará cerca de 300.000
reais. O carro com o dispositivo inteligente chegará ao Brasil
no próximo ano. O sensor do radar do Distronic, que fica instalado
atrás da grade frontal, detecta veículos que circulam até
150 metros adiante. A 100 quilômetros por hora, o Classe S
se manterá a 42 metros do carro da frente (veja
quadro). "É um equipamento adequado para quem
tem o costume de pedir passagem aproximando-se muito da traseira
do outro carro", diz Ricardo Bock, especialista em automóveis
e professor da Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, de
São Paulo. "O sensor de distância não vai mais permitir
isso." Esse piloto automático age também em situações
críticas. Se um carro entrar repentinamente na frente do Classe
S, ele reduzirá a velocidade automaticamente até atingir os
42 metros. Não há previsão de quando o equipamento estará
disponível em outros modelos. Mas é tudo uma questão de tempo.
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| Mercedes: radar inteligente |
Muitos dos itens de segurança encontrados no mercado já foram
exclusividade das competições de automobilismo. A Fórmula
1, em especial. "Os controladores individuais de freios
foram usados primeiro nas pistas", explica José Luiz
Vieira, consultor automotivo. A equipe McLaren criou um controle
de estabilidade, com sigla em inglês ESP, que foi usado pela
Mercedes no Classe A, que custa no mínimo 32.400 reais. O ESP permite que o "popular" alemão
enfrente curvas sem sustos. O Classe A havia capotado em dois
testes na Suécia em 1997. O problema foi resolvido. A BMW
tem um equipamento semelhante em seus modelos das séries 3,
5 e 7, com preços a partir de 93.000
reais. É natural que as pistas de competição saiam na frente
na corrida por segurança. As competições continuam sendo perigosas.
Na semana passada, o piloto canadense Greg Moore morreu após
bater no muro de proteção a 368 quilômetros por hora, durante
a última prova da temporada de Fórmula Indy.
Há casos de equipamentos que foram desenvolvidos sem o objetivo
de ir parar nas ruas. O visor infravermelho do Cadillac Deville,
que só é vendido nos Estados Unidos, foi desenvolvido pelo
Exército americano para combates noturnos. Agora, auxilia
os motoristas à noite identificando carros e animais na pista.
Mas muitas montadoras criam os próprios equipamentos. A sueca
Volvo desenvolveu um encosto especial para seu S80. O modelo
top da marca, que custa cerca de 200.000
reais, vem com esse encosto de banco que se move para trás.
Essa flexibilidade permite que se diminuam as lesões no pescoço
após um abalroamento. Algumas invenções ainda estão restritas
aos carros de luxo, como o encosto da Volvo. Mas é um privilégio
com dias contados. O freio ABS contra travamento das rodas,
as barras de proteção laterais e as válvulas que cortam combustível
para o motor após um acidente já deixaram de ser exclusividade
de carrões. Atualmente são acessórios encontrados nos modelos
mais baratos da Fiat, Ford, Volkswagen e GM. Muito em breve
a segurança oferecida pelo avanço tecnológico não fará distinção
entre os modelos de carros.
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