Edição 1 623 -10/11/1999

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Milhares de brasileiros são cobaias voluntárias
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A Renault lança nesta semana o Clio fabricado no Brasil. O carro, modelo popular da montadora francesa, é um dos mais atraentes entre os automóveis de pequeno porte, mas vem com um equipamento que o distingue dos concorrentes: um sistema de válvulas que controla a pressão dos freios das rodas traseiras. O mecanismo evita que o motorista perca o controle da direção numa freagem brusca. O Clio tem motor 1.0, custará a partir de 15.000 reais e faz parte de uma nova geração de veículos que oferecem mais segurança. A velocidade com que a indústria automobilística avança para diminuir o perigo de suas máquinas impressiona. Cada montadora tem uma invenção nova nessa área. Dispositivos eletrônicos mantêm uma distância segura do carro da frente, outros evitam derrapagens nas curvas e sensores nas rodas alertam que um pneu pode estar prestes a estourar. "A tecnologia tem diminuído o espaço para erros humanos ao volante", diz Luiz Carlos Pimenta, diretor da Volvo. "O sonho de criar um carro à prova de barbeiragem está cada vez mais próximo de virar realidade." As montadoras também têm desenvolvido cabines e carrocerias que absorvem melhor o impacto de um acidente. Novos tipos de airbag oferecem mais proteção. Em breve, os cintos conseguirão frear progressivamente o movimento do motorista e do passageiro.

Um equipamento bastante esperado é o que mantém uma distância segura do veículo da frente. Chamado de Distronic, o controlador automático de velocidade estará no Mercedes Classe S, um sedã que custará cerca de 300.000 reais. O carro com o dispositivo inteligente chegará ao Brasil no próximo ano. O sensor do radar do Distronic, que fica instalado atrás da grade frontal, detecta veículos que circulam até 150 metros adiante. A 100 quilômetros por hora, o Classe S se manterá a 42 metros do carro da frente (veja quadro). "É um equipamento adequado para quem tem o costume de pedir passagem aproximando-se muito da traseira do outro carro", diz Ricardo Bock, especialista em automóveis e professor da Faculdade de Engenharia Industrial, FEI, de São Paulo. "O sensor de distância não vai mais permitir isso." Esse piloto automático age também em situações críticas. Se um carro entrar repentinamente na frente do Classe S, ele reduzirá a velocidade automaticamente até atingir os 42 metros. Não há previsão de quando o equipamento estará disponível em outros modelos. Mas é tudo uma questão de tempo.

Mercedes: radar inteligente

Muitos dos itens de segurança encontrados no mercado já foram exclusividade das competições de automobilismo. A Fórmula 1, em especial. "Os controladores individuais de freios foram usados primeiro nas pistas", explica José Luiz Vieira, consultor automotivo. A equipe McLaren criou um controle de estabilidade, com sigla em inglês ESP, que foi usado pela Mercedes no Classe A, que custa no mínimo 32.400 reais. O ESP permite que o "popular" alemão enfrente curvas sem sustos. O Classe A havia capotado em dois testes na Suécia em 1997. O problema foi resolvido. A BMW tem um equipamento semelhante em seus modelos das séries 3, 5 e 7, com preços a partir de 93.000 reais. É natural que as pistas de competição saiam na frente na corrida por segurança. As competições continuam sendo perigosas. Na semana passada, o piloto canadense Greg Moore morreu após bater no muro de proteção a 368 quilômetros por hora, durante a última prova da temporada de Fórmula Indy.

Há casos de equipamentos que foram desenvolvidos sem o objetivo de ir parar nas ruas. O visor infravermelho do Cadillac Deville, que só é vendido nos Estados Unidos, foi desenvolvido pelo Exército americano para combates noturnos. Agora, auxilia os motoristas à noite identificando carros e animais na pista. Mas muitas montadoras criam os próprios equipamentos. A sueca Volvo desenvolveu um encosto especial para seu S80. O modelo top da marca, que custa cerca de 200.000 reais, vem com esse encosto de banco que se move para trás. Essa flexibilidade permite que se diminuam as lesões no pescoço após um abalroamento. Algumas invenções ainda estão restritas aos carros de luxo, como o encosto da Volvo. Mas é um privilégio com dias contados. O freio ABS contra travamento das rodas, as barras de proteção laterais e as válvulas que cortam combustível para o motor após um acidente já deixaram de ser exclusividade de carrões. Atualmente são acessórios encontrados nos modelos mais baratos da Fiat, Ford, Volkswagen e GM. Muito em breve a segurança oferecida pelo avanço tecnológico não fará distinção entre os modelos de carros.