Edição 1 623 -10/11/1999

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Joelhada na imagem

Tudo ia muito bem no governo francês. A gestão do primeiro-ministro Lionel Jospin vinha alardeando conquistas na economia e probidade administrativa. A boa imagem levou uma rude joelhada na terça-feira passada, com a renúncia do ministro das Finanças, Dominique Strauss-Kahn. Ele se afastou até que sejam julgadas as acusações de ter embolsado o equivalente a 100.000 dólares e falsificado documentos quando era advogado de uma financeira de estudantes ligada ao Partido Socialista, ao qual pertence. Seria um prato cheio para a direita, encabeçada pelo presidente Jacques Chirac, se muitos de seus destacados membros não estivessem atolados em denúncias muito mais enroladas.

O monstro colombiano

Preso em abril por tentativa de estupro, o colombiano Luis Alfredo Garavito confessou na semana passada seu currículo monstruoso. Ele admitiu ter assassinado, e muitas vezes torturado, 140 garotos com idade entre 8 e 16 anos desde 1994. A violência na Colômbia se banalizou tanto que Garavito agiu despercebidamente por todo esse tempo. Seu perfil é típico de serial killer: foi abusado sexualmente na infância e desenvolveu problemas mentais.

Antes tardeÉ verdade que demorou um pouco e o lugar do último descanso é um tanto estranho, mas na semana passada quatro soldados franceses do Exército de Napoleão tiveram finalmente um enterro, com direito a honras militares, em Israel. Eles morreram há 200 anos, na tentativa de conquistar a cidade de Acre, então sob domínio turco. Os esqueletos só foram encontrados em 1994.d

Um golpista na Segurança

Carlos Ruckauf, vice-presidente argentino e governador eleito da província de Buenos Aires, que fez do combate ao crime bandeira de campanha, extrapolou. Na quinta-feira, confirmou como seu futuro secretário de Segurança o ex-tenente-coronel Aldo Rico, aquele que liderou no fim dos anos 80 o movimento dos golpistas carapintadas contra o julgamento dos oficiais acusados de tortura e assassinatos durante a ditadura militar. Rico, hoje prefeito da cidade de San Miguel, terá de limpar a imagem da polícia, chamuscada desde a morte de dois reféns de assaltantes de banco. Vai que se sai bem e decide fazer um intercâmbio no âmbito do Mercosul...

Marcas da destruiçãoDesastre em país pobre é sempre assim: muitos mortos, pouca atenção. Devastado por um ciclone, o Estado indiano de Orissa nem sequer consegue contar os mortos, que podem chegar a 20 000. Os cadáveres simplesmente se amontoam à espera da cremação.

 

Editado por Marcio Ferrari