|
|
| Edição 1 623 -10/11/1999 |
O fim do império colonialPortugal entrará no terceiro milênio com as mesmas dimensões territoriais que tinha cinco séculos atrás, antes que Vasco da Gama descobrisse o caminho das Índias. Macau, sua última possessão ultramarina, será devolvida aos chineses no dia 20 de dezembro, num ato em que não estão previstas festas nem celebrações especiais. É o fim do imenso império colonial português, que um dia já incluiu Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde e um colar de pequenos territórios ao redor do planeta. Macau, a última porção do império erguido por navegadores como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães, é hoje um lugar exótico e decadente. Os contrastes com a vizinha Hong Kong são impressionantes. Ao entregar Hong Kong aos chineses, em 1997, os britânicos tinham ajudado a erguer ali um dos mais cintilantes centros comerciais e financeiros do mundo. Macau, ao contrário, é uma cidade relativamente pequena transformada em paraíso da jogatina nas fraldas do gigantesco território chinês. O cassino do chinês Stanley Ho (que vive em Hong Kong) contribui com mais de 60% das receitas do governo do território. Um dos 200 homens mais ricos do mundo na lista da revista Forbes, Ho é o "Rei de Macau", segundo a definição usada recentemente pelo jornal Expresso, de Lisboa. Ali, a colonização portuguesa nunca se impôs de fato. Dos 400 000 habitantes, só 8 000 têm alguma ascendência portuguesa 2% do total. Os demais são chineses vindos do continente em busca de emprego e negócios. São mundos que não se comunicam. A língua portuguesa é um idioma desconhecido para a grande maioria da população, nunca fez parte dos currículos escolares nem foi obrigatória nos órgãos da administração. É falada apenas pela diminuta comunidade portuguesa. A elite macauense fala inglês ou chinês. Já os portugueses locais nunca se deram ao trabalho de aprender chinês. |
|