Edição 1 623 -10/11/1999

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Dura vida de tropeira

Está pensando que para entrar no personagem basta tingir o cabelo e mudar a maquiagem? Que nada. No seu papel em A Muralha, minissérie que recicla a antiga novela sobre a saga bandeirante, Alessandra Negrini, 29 anos, nem maquiagem usa. Como Isabel, única mulher entre os tropeiros, ela não pode ter nadinha de glamour. E ainda enfrenta jornadas de dez horas de trabalho no meio do mato, longas caminhadas e até piolhos. Alessandra só pediu arrego a um dublê na hora de empinar o cavalo. "Por questão de segurança, não só minha mas dos outros", diz. Ainda bem.

 

O Maluf já sabe dessa?

Uma mulher que faz o vice-presidente dos Estados Unidos pagar a ela um salário maior que o dele merece respeito. No vale-tudo pela Casa Branca, Al Gore contratou a escritora, feminista e bonitona Naomi Wolf por 180 000 dólares anuais, 5 000 a mais do que ele próprio recebe. Tudo na moita: só na semana passada se soube da conselheira secreta. Com poderes de marketeira, ela opina sobre tudo, desde como conquistar o voto feminino até a melhor combinação de paletó e gravata. Naomi está mostrando serviço. Cronicamente encalhado nas pesquisas, Gore subiu alguns pontinhos.

 

Olha o exemplo dele, Ciro

Ana Araujo
Freire: largou vício de 42 anos num ato relâmpago


Entusiasmo de político por campanha eleitoral move montanhas. No caso do senador Roberto Freire, do PPS de Pernambuco, destrói até vícios. Fumante inveterado desde os 15 anos, Freire, hoje com 57, num ato relâmpago largou dos quatro maços de cigarro diários. Desde o último dia 30, registre-se.
Um dos articuladores da campanha presidencial de Ciro Gomes, o parlamentar quer estar com os pulmões em dia. "Vou ter de andar um bocado", suspira. De quebra, o senador cobra: Ciro havia prometido que, se chegasse aos 15% na preferência do eleitorado, deixaria de fumar. Já está nos 25% e continua soltando fumaça. Descumpriu sua primeira promessa de campanha.

 

Esquerdo ao pé da letra

O presidente eleito da Argentina, Fernando de la Rúa, sentiu nos pés o efeito do protecionismo comercial no Mercosul. Em visita a Fernando Henrique Cardoso, não teve como fugir à pergunta sobre a origem de seus sapatos, que tinham uma tira descosturada no pé esquerdo. "São argentinos", reconheceu. Por pouco não é obrigado a voltar com um par nacional, para desconsolo dos fabricantes argentinos, que não querem saber dos exemplares brasileiros em solo deles. Ressalve-se que ninguém o acusou de começar o relacionamento bilateral com o pé esquerdo.

 

Complexo de gordinha

Fernando Louza
Mariana: hormônio para parar de crescer


Por pouco, coisa de um palmo, a gata da foto ao lado, Mariana Weickert, 17 anos, estaria sendo vista nas quadras em vez de admirada nas passarelas. Neta de alemães, ela tomou doses cavalares de hormônio na adolescência para barrar seu assustador crescimento. "Poderia estar com 20 centímetros além de meu 1,78 metro", conta. Em troca, Mariana ganhou uns quilinhos e, desde então, vive em dieta, hábito que a ajudou a cultivar o corpinho, disputadíssimo nos Estados Unidos, onde mora. "Ainda guardo um complexo de gordinha por causa daqueles tempos", diz. Gordinha onde, Mariana?

 

Sai da frente, rapaziada

Ricardo Benichio
Oscar Cabral
Andrea:
incentivo,
só o do pai
Patrícia:
querem vê-la
atrás do fogão

Se mulher ao volante ainda ouve gracinhas idiotas, imaginem só essas garotas. Única mulher no campeonato brasileiro de vôo livre, a mineira Patrícia Schuffner, 27 anos, surpreendeu os 46 concorrentes com a trigésima posição. Em terra firme, enfrenta comentários maldosos. "Já ouvi até que lugar de mulher é atrás do fogão", conta. "O apoio dos homens nunca vai ser fácil." Que o diga Andrea Costa, 18, única representante feminina em sua categoria do campeonato paulista de motocross. Incentivo, ela só tem o do pai. Nas pistas, os pilotos querem mais é ver a moça pelas costas. Por razões erradas. "É motivo de chacota ficar atrás de mim", diz.